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TRÂNSITO »

Desrespeito na saída escolar

Discussões, fechadas e desconsideração pelas leis são comuns na hora de pegar as crianças no colégio. Especialistas e condutores concordam que o comportamento poderia melhorar com mais educação sobre o assunto dentro de sala de aula

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postado em 27/11/2013 14:00 / atualizado em 27/11/2013 09:36

Maryna Lacerda

Carlos Moura

A contradição circula pelas vias próximas às escolas do Distrito Federal. Em uma vizinhança supostamente comprometida com a aprendizagem e a cidadania, papel desempenhado por instituições de ensino e pela família, é muito comum flagrar cenas de desrespeito às normas de trânsito. Vão desde a formação de fila dupla à entrada pela contramão e o estacionamento em faixa de pedestres. A situação agrava-se em horários de pico, quando o fluxo de carros aumenta, e a correria do dia a dia consome a paciência de muitas pessoas.

Nessas horas, o “jeitinho” toma conta das ruas e expõe pedestres e condutores a situações de desgaste e perigo. A falta de educação é a principal causadora do problema, segundo o comandante do Batalhão Escolar (BPE), tenente-coronel Fábio Sousa Lima. Para ele, como os pais querem deixar os filhos na porta da escola, a qualquer custo, as infrações são cometidas. “Nossas ocorrências não são de episódios de violência nas escolas, mas de pais que brigam e discutem na porta delas. Muitas vezes, nos solicitam para controlar motoristas que se desentendem por fechadas ou falta de vagas em estacionamento”, relata.

Cidadania
Plano Piloto e Taguatinga são as cidades que concentram a maioria das infrações e desentendimentos do tipo, segundo o comandante do BPE. Isso porque são aquelas com maior número de escolas privadas. “Não percebemos problemas tão graves em locais próximos às escolas públicas, em que os estudantes, em sua maioria, vão e voltam para casa por meio de transporte coletivo”, explica Sousa Lima. A psicóloga Angela Borges, 47 anos, enxerga um absurdo no comportamento de alguns condutores. “Eu acho uma falta de cidadania se comportar de uma forma tão nociva, justamente em um local ao qual se traz o filho para ser educado”, avalia. Para ela, a solução é simples. “Basta que cada um dê passagem, entenda que está em sociedade e que todos aqui têm compromisso. Assim, o fluxo anda”, diz.

Na tentativa de romper com um ciclo de descortesia e erros no trânsito, as crianças são o foco de algumas ações do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran DF). Isso porque, além de serem sensibilizadas para questão, ainda incentivam a mudança de comportamento dos pais. “Nós nos importamos em educar a nova geração porque eles também atuam como fiscais mirins. Se o responsável ultrapassa o sinal vermelho, por exemplo, a criança o chama à responsabilidade”, explica o diretor de educação de trânsito do Detran, Marcelo Granja.

Alunos e professores
O método usado para ensinar a criançada é através de peças teatrais e dinâmicas em que podem interagir com situações muito parecidas com as enfrentadas nas ruas. “Trabalhamos a criança para que elas percebam o risco a que estão expostas e, com isso, os pais também dão retornos positivos”, diz Granja. Atores importantes na formação de uma cultura de paz no trânsito, os professores da rede pública de ensino reclamam da suspensão de um curso de reciclagem específico sobre o tema nas regionais. “Há uns 10 anos, nós fazíamos aulas em que trabalhávamos especificamente as leis de trânsito. Agora, só as abordamos de maneira transversal, com outros conteúdos, em sala de aula”, conta o diretor do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) Cláudio Antunes.

Há 21 anos como motorista de transporte escolar, Carlos José da Silva, 49 anos, acredita que as vias têm se tornado um local de disputa com o passar dos anos. “Tem muito mais gente, muito mais carro, e o espaço para circular continua o mesmo”, afirma. Silva reclama que o celular é um vilão. “Os pais ficam mais preocupados em atender o telefone, em avisar que chegaram e usam o aparelho enquanto dirigem. O resultado é a desatenção, as fechadas, as pequenas colisões”, conta. Para ele, a criação de faixas exclusivas de recuo para o transporte escolar já ajudaria em muito o fluxo. “Assim, nós desafogamos as vias principais e garantimos um embarque mais seguro para os alunos”, sugere.

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