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Ainda na lanterna

Brasil fica entre os 10 piores no grupo de 65 países que participam de avaliação internacional em matemática, ciências e leitura

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Mesmo com a maior evolução em matemática entre as 65 nações que participam do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), o Brasil segue na lanterna do ranking divulgado ontem. A nota na disciplina saiu de 356 para 391, entre 2003 e 2012, mas a classificação ainda é pífia: 58ª posição. Essa posição coloca o país atrás de Cazaquistão, México e Costa Rica, por exemplo, na prova aplicada pela Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE). Até o Distrito Federal, melhor unidade da Federação em matemática no Brasil, se fosse um país não ficaria bem na lista. A capital estaria entre as 52ª e 53ª colocações. Em ciências e leitura, as outras duas áreas avaliadas no exame, o país também segue entre os 10 piores do grupo.

O Pisa, aplicado a cada três anos a estudantes de escolas públicas e particulares escolhidas aleatoriamente, teve a maior concentração de perguntas em matemática (65% das questões) na edição de 2012, cujos resultados foram divulgados ontem. Entre as conclusões do Pisa, está a hipótese de que o desenvolvimento socioecônomico é um fator decisivo na qualidade da educação e que o país tem tido dificuldades em romper essa barreira. Enquanto o índice médio da OCDE para o número de jovens pobres que conseguiram um desempenho satisfatório na prova foi de 6,5%, no Brasil, essa proporção cai para 1,9%.

O coordenador da campanha nacional Educação para Todos, Daniel Cara, é enfático ao avaliar que os avanços nas médias não devem ser motivo de muita comemoração. Na opinião de Cara, a evolução acontece porque é mais fácil sair de uma situação ruim para uma menos pior. “Isso significa que, como o Brasil está muito atrasado, a tendência é que ele melhore mais do que os outros. Essa consideração não pode levar a nenhum ufanismo, o Brasil não tem como hastear a bandeira e dizer que as coisas estão indo bem, porque não estão.”

Para a gerente de projetos da organização da sociedade civil Todos Pela Educação, Andreia Bergamaschi, a evolução mantida pelo Brasil ao longo dos anos deve ser considerada. “Saímos de uma situação no sistema para poucas crianças na escola para praticamente universalização e não diminuímos a média”, destaca Andreia.

Ambos especialistas concordam que é necessário investir na didática e valorizar os professores, como oferecer melhores remunerações. Para eles, os docentes devem saber trabalhar com situações adversas e com o jovem de hoje, diferente do de décadas atrás. Para Cara, o Brasil tem se destacado nos anos iniciais do ensino fundamental, mas os anos finais dessa etapa e o ensino médio estão sendo deixados de lado, sem o investimento e a atenção necessárias. “Temos problemas na qualidade da formação dos professores. E os melhores professores são atraídos por outras vagas no mercado. Isso quando não saem da rede pública para a particular”, avalia.

Entre os alunos brasileiros de 767 escolas avaliados em matemática, 67,1% têm conhecimentos baixos, o que significa que eles sabem somar, dividir, multiplicar e subtrair, mas não fazem as operações complexas. Somente 1% exibem conhecimentos avançados. O país (58ª posição) está muito distante de nações desenvolvidas, como Estados Unidos (36ª) e Reino Unido (26ª).

Já em leitura, em que está a melhor média brasileira, 49,2% tiveram desempenho no nível 2, considerado básico. Em ciência, a grande parte, 61%, não consegue um nível considerado bom na disciplina. A avaliação também apontou que, a cada três alunos, cerca de um já repetiu um ano no ensino fundamental ou médio. Essa foi uma das maiores taxas de repetência do Pisa. Entre 2003 e 2012, esse índice diminuiu, mas ainda é considerado alto.

Na avaliação do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, embora o índice ainda mostre o Brasil mal posicionado internacionalmente, o avanço deve ser comemorado. “A nossa fotografia ainda não é boa e não temos que nos acomodar com isso, mas o nosso filme é muito bom. Quando olhamos o filme, somos o primeiro da sala”, disse. Ele justifica a baixa colocação mencionando o baixo investimento que o Brasil faz por estudante — um terço do aplicado pelos países da OCDE em média.

O ministro também ressaltou que o Brasil foi o segundo país que mais incluiu alunos na rede pública de ensino — 420 mil estudantes a mais entre 2003 e 2012 — e mesmo assim não diminuiu a pontuação no Pisa. Sobre o ranking, Mercadante ponderou que as amostras representadas de outros países são diferentes. No caso do Brasil, cerca de 18 mil alunos foram avaliados em 767 escolas. “Na China, foram 50 escolas. Isso os coloca numa posição muito confortável”, completou.
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