SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

EDUCAÇÃO »

Muita calma nessa hora

Quando a reprovação se torna realidade, o mais importante é não fazer disso uma tragédia, aconselham educadores. Assim como a família sofre com o aluno retido, ela também deve ser o ponto de apoio para ele se recuperar no ano seguinte

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 12/12/2013 14:00 / atualizado em 12/12/2013 10:54

Ana Pompeu , Manoela Alcântara

Ed Alves
Fim de ano significa férias para muitos estudantes. Para outros, no entanto, é hora da difícil notícia da reprovação, que pode assustar e traumatizar aluno e família. No Distrito Federal, as aulas da rede pública serão concluídas daqui a 10 dias. Na rede privada, os resultados finais serão entregues até o fim desta semana na maioria das instituições. Nesse momento, a família precisa pensar como lidar com a situação. Especialistas aconselham calma e planejamento não só aos estudantes, mas também aos pais, que devem ficar ainda mais atentos à vida escolar do filho.

Na casa da motorista e estudante Fernanda Silva, 39 anos, a experiência da reprovação é recorrente. Ela é mãe de três filhos e cuida de um sobrinho. Dois já passaram por isso e os outros dois devem viver esse momento neste ano. A primeira retenção foi a mais marcante para a família. O filho mais velho, Gabriel Fernando, 18 anos, não alcançou as notas exigidas na então 4ª série do ensino fundamental. “Ele é deficiente visual. A professora nunca havia trabalhado com um aluno com as necessidades dele e criou um distanciamento. Aí, ele também se afastou. Na época, conversamos muito. Disse para assumir a responsabilidade pelos estudos e ele mudou”, conta Fernanda. Na última segunda-feira, Gabriel colou grau no Centro de Ensino Médio Setor Leste, na Asa Sul.

Depois do primeiro problema resolvido, Rafael, hoje com 16 anos, começou a reprovar também na 4ª série. E foi retido nos dois anos seguintes. “Agora, nós temos um problema de atraso e idade. Ele acompanha o conteúdo, mas tem uma dificuldade de relacionamento ao conviver com meninos de 14 anos e professores com didática para essa faixa etária”, disse Fernanda. A ideia é matricular Rafael em um supletivo em 2014, para que o jovem não deixe de estudar. A questão não foi, em nenhum momento, uma surpresa. “Fui chamada à escola várias vezes. Soube de cada problema. Não foi falta de acompanhamento”, disse a mãe. No caso dos dois mais novos, a retenção deve acontecer neste ano. Yuri, o sobrinho, tem 15 anos. Ele é hiperativo e se mudou para a casa da tia depois de conflitos com a família. Maíra, a caçula, 11, também precisa de acompanhamento psicopedagógico. Os dois ficaram em várias disciplinas.

Trauma

Psicopedagogo do 6° ao 9 ° ano do Colégio Marista, Ricardo Timm afirma que a reprovação já é, por si só, um trauma. Os pais não podem fazer disso uma tragédia. “Quando o aluno é retido, a família foi sinalizada do que estava acontecendo. Portanto, no momento da notícia, ela deve ser um ponto de apoio”, afirma. “A criança sofre por perder o grupo de amigos, por refazer todo o conteúdo e frustrar os pais”, completa Timm. De acordo com ele, é hora de os responsáveis agirem com segurança e discutirem os próximos passos, como permanecer na escola ou optar por uma diferente, e transmitir confiança ao filho.

Para o educador, é importante não focar no fracasso. “O estudante tem condições de se recuperar lá na frente e ser uma pessoa de sucesso. Se os pais lembrarem a cada momento a possibilidade de nova reprovação, o aluno pode internalizar, e aquilo pode acabar acontecendo”, avalia o psicopedagogo.

De acordo com o professor e diretor da rede Alub, Alexandre Crispi, quem fica de recuperação não é só o estudante, mas a família inteira. “Os pais devem acompanhar os filhos todos os dias. Saber as notas, as dificuldades. Se chegaram à recuperação, é preciso ter muita calma para não acabar piorando o cenário”, ressalta o docente. O primeiro passo é ir à escola acompanhar. As boas instituições oferecerão monitoria, uma espécie de reforço, para quem precisa fazer as provas finais.

 

FIQUE ATENTO

Dicas para os pais lidarem com a reprovação

 

 

Tags:

publicidade

publicidade