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Carestia não dá trégua

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postado em 09/01/2014 10:57

Rosana Hessel

O custo de vida já começou 2014 em aceleração, reforçando a expectativa de que a presidente Dilma Rousseff entregará, este ano, uma taxa de inflação mais alta que a de 2013. O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou alta de 0,73% ao fim da primeira semana de janeiro, ficando 0,04 ponto percentual acima dos 0,69% computados na apuração anterior.

A alta foi impulsionada pelo reajuste das mensalidades e dos materiais escolares, e pelo tradicional encarecimento dos alimentos no início de ano. Os itens do grupo Educação, Leitura e Recreação, que mostravam alta de 0,47% na última semana de dezembro, registraram elevação de 1,03%, nos primeiros sete dias de janeiro. No grupo Alimentação, o avanço foi de 0,93% para 1,04%, no mesmo período. O que mais encareceu foram as frutas in natura, que deram um salto de 3,66% para 5,31%.

Medido em períodos sucessivos de quatro semanas, o IPC-S é considerado uma das prévias do indicador oficial da carestia, o IPCA. A alta deste início de ano já era esperada pelo mercado. “O IPC-S reflete a sazonalidade de janeiro. A alimentação fica mais cara por conta das chuvas, e a educação, normalmente, costuma puxar o indicador para cima nesse período”, explicou o estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno.

O economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), destacou que a elevação das mensalidades e do material escolar deve ter impacto ainda mais forte em fevereiro. E, segundo ele, o indicador permanecerá elevado ao longo de 2014. “A queda de 15% a 18% nos preços de energia, ocorrida em janeiro de 2013, não terá mais reflexo na inflação. Somente por conta disso, o índice deverá ir para 6%, permanecendo nesse patamar até o fim do ano”, destacou.

Pressões
O IPCA de dezembro será divulgado amanhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os analistas esperam uma alta de 0,80% a 0,84% no mês, com o indicador acumulando elevação de até 5,83% em 2013. Para 2014, a previsão é de um aumento maior: de 6% a 6,5%, limite de tolerância estipulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). “Mas novas pressões devem ocorrer daqui para frente e, se houver algum choque no câmbio, o IPCA vai facilmente romper esse patamar”, disse Rostagno. Para ele, o indicador ficará em 6% somente se o dólar não superar R$ 2,50 até dezembro.

Um dos fatores que devem impulsionar a inflação neste ano, na avaliação da economista Alessandra Ribeiro, sócia da consultoria Tendências, são os preços administrados, como tarifas de energia, combustíveis e transporte público, que foram artificialmente contidos pelo governo no ano passado. Segundo ela, eles devem subir 4,3% em 2014. “E os preços livres, que mostram elevação anual acima de 8,5%, deverá continuar com vigor, em função da Copa do Mundo”, alertou.
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