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EDUCAÇÃO »

Cuidado na volta às aulas

Muitos pais recorrem aos serviços de transporte escolar sem antes verificar itens básicos de segurança dos veículos. É preciso checar também a documentação dos motoristas. No ano passado, o total de irregularidades flagradas pelo Detran cresceu mais de 50%

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postado em 20/01/2014 14:00 / atualizado em 20/01/2014 12:05

Ana Pompeu

Bruno Peres
O início do ano letivo se aproxima e as famílias começam a pensar na organização da rotina das crianças. Em alguns casos, fica difícil conciliar o expediente dos pais com a entrada e a saída dos filhos nas escolas. Uma das soluções usuais é o transporte escolar. Para se precaver, os pais devem estar atentos a uma lista de itens para garantir a segurança e o conforto dos pequenos. Dos 1.453 veículos cadastrados no Departamento de Trânsito do DF (Detran), 1.053 possuem autorização para circular. Muitas empresas oferecem esse serviço sem cumprir qualquer pré-requisito exigido pelo Detran.

Calléria Cavalcante Monteiro Witczak, 43 anos, é servidora pública e entra no trabalho ao meio-dia. O horário nunca permitiu a ela levar ou buscar os filhos, João Marcos, 12 anos, e Clarissa, 9, na escola. “Desde os 3 anos, eles vão de van para a aula”, conta. Moradora do Sudoeste, ela havia os matriculado em um colégio na mesma região administrativa. Mas decidiu trocá-los de escola e hoje os filhos estudam na 913 Sul. Cliente do serviço de transporte há nove anos, Calléria não se arrepende. “Nunca tive problemas graves, apenas brigas entre as crianças e o início de bullying com meu filho. Quando ele me contou, conversei com o motorista. Disse que ele não poderia permitir que esse tipo de episódio acontecesse”, afirmou.

Na visão da mãe, o condutor deve ser mais que um motorista. “Ele continua a educação dos seus filhos no percurso. Enquanto as crianças estão com o condutor, é preciso administrar todos os problemas que surgem”, sugere. Para que isso seja possível, ela recomenda que os pais confiram os itens básicos de segurança. “Uma amiga me recomendou o rapaz por causa da preocupação com a segurança. Para mim, isso era o mais importante”, detalha. Ela fez questão de conversar pessoalmente com o motorista, observou o carro, as cadeiras e os cintos de segurança.

Flagrantes
Outra atitude que o pai deve tomar é ligar para o Detran e verificar os dados da empresa e do motorista que deseja contratar. “Nós registramos infrações variadas. Quando um veículo está com a documentação em dia, isso significa que vistoriamos todos os itens de segurança, como pneus, vidros, extintor e tacógrafo. O condutor também precisa de habilitação específica”, afirma o diretor interino de Policiamento e Fiscalização de Trânsito, Anderson Silveira Caldas. No ano passado, o órgão flagrou 190 condutores sem autorização. Em 2012, foram 93.

De acordo com o diretor, algumas pessoas se preocupam apenas com o valor do serviço. “Não compensa economizar com a segurança das crianças. Sem fazer as revisões e vistorias necessárias, é claro que os piratas conseguem fazer um preço bem abaixo. Afinal, eles estão à margem do processo legal”, compara Caldas. Os veículos inspecionados ganham um selo no para-brisa dianteiro, que mostra informações como detalhes da documentação, o nome do permissionário, do condutor e a data de validade da vistoria. Desde o início de janeiro, o órgão cobra mais um equipamento obrigatório. “Para ajudar na visão indireta, é preciso colocar espelho retrovisor ou câmera de ré, a depender do veículo”, explica o diretor de Policiamento do Detran.

Para alguns, esses equipamentos e critérios técnicos ainda não são suficientes. O presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino (Aspa-DF), Luís Cláudio Megiorin, defende mudanças legais. “A legislação para o transporte escolar é muito branda. E o poder público não pode estar em todos os lugares. A gente vê motoristas falando ao celular e crianças com a cabeça para fora da janela”, exemplifica. Para ele, o ideal é reunir a maior parte de informações sobre o prestador do serviço que conseguir. Luís cita ainda a necessidade do uso de cadeirinha para crianças de até 7 anos. “Elas não são obrigatórias para veículos maiores, mas o pai pode conversar com o motorista com antecedência e acertar isso para ter mais confiança”, sugere Megiorin.

Se tudo for visto e analisado com muito cuidado, a relação entre as famílias e os motoristas de veículos escolares normalmente é pacífica. “Uso o serviço há cerca de 10 anos e nunca tive problemas nem qualquer contratempo. Eu me cerquei de todos os cuidados”, diz a servidora pública Sinara Ribeiro, 50 anos. A filha Helena, de 17 anos, vai cursar o último ano do ensino médio este ano. Talvez siga para a faculdade ainda com o transporte escolar. “Vai ser a solução até ela ter a própria habilitação. Acho mais seguro e ela nunca reclamou”, pondera a mãe. Sinara vê o transportador como um colaborador. “Se os meninos esquecem algum material, por exemplo, eles são bastante compreensíveis”, completa.

Já a jornalista Patrícia Loedel, 38 anos, acredita que, no fim das contas, não há outro jeito: é preciso confiar. “Devemos ter confiança na empresa e buscar informações. Mas sempre fica um pouco de insegurança, pois não temos como saber se eles estão dirigindo direito”, diz. Ela tem dois filhos: Tomaz, 7 anos, e Beatriz, 17. A mais velha não usa mais o transporte. Mas o caçula faz o trajeto até a escola pelo menos uma vez por dia com o motorista contratado. “Tento minimizar o uso ao levá-lo ou buscá-lo. É menos cansativo para ele também. A van faz um caminho maior”, explica. Ainda com as desconfianças de mãe, o serviço tem sido útil e nunca deu a ela qualquer susto grave.

Apreensão
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, quem conduzir veículos e transportar crianças sem autorização prévia está sujeito a punições. A infração é grave, o que significa multa de R$ 127,69 e perda de cinco pontos na carteira de habilitação. O carro também é apreendido quando há flagrantes de desrespeito à legislação de trânsito.


Fique atento
  Os veículos destinados para transporte escolar devem ter:
» Registro como veículo de passageiros

» Inspeção duas vezes ao ano

» Faixa amarela com a inscrição “Escolar” a meia-altura e em toda a extensão das partes laterais e da traseira
» Registrador inalterável de velocidade e tempo

» Lanternas dispostas nas extremidades da parte superior dianteira e lanternas de luz vermelha na parte traseira

» Cintos de segurança em todos os bancos do veículo


Já os condutores precisam ter:
» Idade superior a 21 anos

» Habilitação na categoria D

» Autorização renovada a cada seis meses

» Curso de reciclagem a cada cinco anos
» Além disso, não podem ter cometido nenhuma infração grave ou gravíssima ou ser reincidente em infrações médias pelos 12 meses anteriores

Fonte: Detran-DF

Fiscalização nas ruas

O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran/DF) realiza hoje, às 11h, uma blitz educativa de volta às aulas. A ação ocorrerá na 912 Sul, onde se concentram várias instituições de ensino. A ideia é alertar pais, professores e alunos para a prevenção de acidentes de trânsito, além de instruir sobre a travessia segura na faixa de pedestres. Também será recomendado aos motoristas redobrar a atenção em áreas de escolas e faculdades. A blitz ainda acontecerá em outras regiões administrativas durante o início das aulas, com o auxílio da turma de teatro da instituição.


Previna-se
» Para verificar se o licenciamento e a documentação do motorista e do veículo estão regulares, os pais podem entrar em contato com o Núcleo de Operações de Técnicas, pelo telefone 3905-5731, ou pelo e-mail nuace@detran.df.gov.br, que também pode ser usado para denúncias e reclamações.

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