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Brasil está longe de cumprir metas definidas para a educação

Levantamento global divulgado pela Unesco nesta quarta-feira mostra que 129 países não serão capazes de cumprir metas para a educação nos próximos dois anos. O Brasil é ainda o 8º pais com maior número de analfabetos.

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postado em 29/01/2014 08:00 / atualizado em 29/01/2014 19:52

Mariana Niederauer

Estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) nesta quarta-feira (29/1) comprova a importância da educação para promover mudanças sociais, na política, no sistema de justiça, no meio ambiente e no mercado de trabalho. O levantamento mostra que diversos países, incluindo o Brasil, ainda estão longe de cumprir as seis metas definidas em 2000, em um encontro em Dakar, no Senegal, com o objetivo de garantir o acesso à educação para todos. Nenhuma das 129 nações representadas no encontro cumprirá todas as metas. Para o Brasil, um dos principais desafios ainda é superar os altos índices de analfabetismo.

Dentre as seis metas definidas, há quatro que o Brasil não será capaz de cumprir: expandir o acesso à educação e os cuidados à primeira infância — já que um número muito grande de crianças não tem acesso à educação até os 6 anos; melhorar a qualidade do ensino — segundo a Unesco, muitos alunos saem da escola sem proficiência em leitura e com dificuldades em operações básicas de matemática; reduzir o analfabetismo entre adultos em 50%; e promover o aprendizado de habilidades para jovens e adultos — houve avanço com o Programa Nacional de Ensino Técnico (Pronatec), mas ainda insuficiente para atingir a meta. Dentre os objetivos, a Unesco prevê que o Brasil deve conseguir universalizar a educação primária — até o 5º ano do ensino fundamental — e atingir a paridade de gêneros no acesso à educação — segundo a Unesco, o Brasil não tem problemas com desigualdade de meninos e meninas nas escolas.

No documento, o 11º Relatório de Monitoramento Global de EPT, a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, afirma que o estudo deixa claro que as metas definidas em 2000 não serão cumpridas até o prazo estipulado no encontro, 2015. “Cinquenta e sete milhões de crianças estão deixando de aprender, simplesmente por não estarem na escola”, diz a diretora no texto. “O acesso não é o único problema — a baixa qualidade compromete a aprendizagem, mesmo daquelas que frequentam a escola. Um terço das crianças em idade de cursar a educação primária não está aprendendo o básico, esteja ou não na escola”, completa.

De acordo com o levantamento, será necessário contratar 1,6 milhão de professores a fim de alcançar a educação primária universal até 2015. Eles precisarão estar qualificados e preparados para dar apoio aos alunos que tiverem mais dificuldade e os melhores devem ser enviados às regiões do país que apresentem os maiores desafios. Além disso, é papel do governo oferecer incentivos para encorajá-los a permanecer na profissão. O piso salarial dos professores, R$ 1.600, atualmente não é muito atrativo. É pouco provável que os países com os maiores deficits consigam vencer essa lacuna até 2015. Dos 93 que precisam contratar mais professores para o ensino primário, 37 conseguirão alcançar esse objetivo, mas 29 não serão capazes de fazê-lo nem em 2030.

Para dar a esses professores as condições necessárias de trabalho, incluindo estratégias de avaliação e currículos bem elaborados, o estudo aponta a necessidade de aumentar o financiamento da educação. Atualmente, de acordo com o relatório, a educação básica apresenta um deficit de US$ 26 bilhões por ano.

Contexto brasileiro
O país está entre as 10 nações responsáveis por 72% da população mundial de analfabetos. O Brasil ocupa a oitava posição nesse ranking, com mais de 15 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever - de acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domícilios (PNAD), de 2012, esse número caiu para 13,2 milhões. Os números no resto do mundo também são alarmantes: são 774 milhões de analfabetos, uma redução de apenas 1% com relação a 2000 e de 12% se comparado a 1990. Até 2015, a previsão é de que eles serão ainda 743 milhões de pessoas. As mulheres são mais de dois terços do total.

Unesco/Divulgação


O estudo elogiou, no entanto, as iniciativas adotadas no país para melhorar a qualidade da educação por meio de avaliações nacionais e do investimento alto se comparado ao de outros países. Enquanto na Índia, 10ª maior economia do mundo em 2011, a receita com impostos é equivalente a 16% do Produto Interno Bruto (PIB) e o gasto por pessoa de apenas US$ 409, no Brasil, a sexta maior economia mundial, esse custo chega a US$ 4,9 mil e 24% do PIB vêm da receita com impostos. O relatório mostra que essa disparidade é uma das principais razões para que o país tenha conseguido melhorar a qualidade da educação e diminuir a desigualdade de aprendizagem. Entre as iniciativas, foi citada a Prova Brasil, que avalia a qualidade do ensino em escolas públicas, do 4º ao 9º ano do ensino fundamental e contribui para melhorar o desempenho daquelas que receberem nota baixa.

O relatório também trouxe outros dados que impressionam pelo grau de impacto social que a educação pode ter. Além de contribuir para a redução da mortalidade infantil e da incidência de doenças em crianças, se, por exemplo, todos os estudantes de países de baixa renda deixassem a escola com habilidades básicas de leitura, 171 milhões de pessoas poderiam sair da linha de pobreza. Além disso, o estudo destaca que um aumento do investimento do PIB em educação de 2,2% para 6,3% diminui cerca de 54% a probabilidade de uma guerra civil no país.

Plano para 2015
O Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos foi criado para informar, influenciar e sustentar compromissos para a realização dos Objetivos de Educação para Todos, até 2015. Ele monitora o progresso em direção a esses objetivos em 200 países e territórios, e serve como referência oficial para agentes políticos da área de educação, especialistas em desenvolvimento, pesquisadores e mídia. Os seis principais objetivos definidos em 2000 foram: cuidados na primeira infância e educação; educação primária universal; educação de jovens e adultos; alfabetização de adultos; paridade e igualdade de gênero; e qualidade da educação.

Com informações de Daniela Garcia

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