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Acabou o que era doce

Lei que proíbe a comercialização de produtos pouco nutritivos nas cantinas das escolas do DF já está valendo. Em algumas instituições, ação chega aos pais

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postado em 10/02/2014 11:35

Thiago Soares

Sonho da criançada, pesadelo dos pais, os alimentos pouco saudáveis nas cantinas das escolas de educação infantil e de ensino fundamental e médio das redes pública e privada do DF já estão proibidos. A medida segue a Lei nº 5.146, sancionada em agosto do ano passado. As instituições tiveram um prazo de 180 dias para se adequarem e os alunos começaram o ano letivo com produtos de qualidade.

Na rede particular, o novo cardápio já vinha sendo introduzido na cultura das instituições. Em um colégio da 914 Norte, antes mesmo de a lei ser discutida na Câmara Legislativa, os próprios pais sinalizaram a direção sobre a alimentação que fugia dos padrões saudáveis. Anterior à mudança do cardápio, o corpo pedagógico da instituição realizou um trabalho com os alunos de todas as séries. Nas aulas, eles conheceram o benefícios do consumo de frutas, sucos e sanduíches naturais.

Isso porque a lei também estabelece que as escolas adotem um conteúdo pedagógico e mantenham em exposição um material de comunicação visual com temas que abordem a alimentação, a refeição balanceada e o estilo de vida saudável. A diretora da unidade de educação, professora Maria Aparecida, relatou que os alunos tiveram uma certa rejeição à nova cantina — sem qualquer guloseimas ou frituras. Fato que, segundo ela, foi mais evidente quando o refrigerante teve que ser eliminado. “É uma questão de necessidade, uma vez que estamos ouvindo que o Brasil está se tornando um país obeso, algo que já preocupa o governo”, explicou Aparecida.

Alguns alunos tentaram driblar a nova alimentação e começaram a levar doces e balas para a escola. A direção seguiu com as orientações e advertiu os responsáveis para não permitirem as guloseimas. “Tivemos até pais que chegaram a dizer que alimentação era uma opção da família, mas a lei veio a ajudar. A maioria deles contribuiu no processo”, assegura a diretora.

A atitude de um grupo de alunos refletiu na alimentação de outra escola particular na Asa Norte. Ao lado dos professores, os estudantes criaram o grupo Unidos contra a obesidade infantil (Ucoi). Estudantes que estavam na sétima série no ano passado repassaram a importância da alimentação saudável e a prática de esportes para toda a escola. Além disso, elaboraram uma pesquisa sobre os hábitos alimentares. A conclusão: muitos jovens possuem alimentação irregular e não praticavam atividade física.

“Mostramos a importância dos alimentos de qualidade, distribuímos cestas de frutas e até montamos uma mesa de lanche com frutas na cantina”, relatou Natália Azevedo de Almeida, 13. Ela e a colega Elis Rodrigues e Silva, da mesma idade, se envolveram no projeto de levar uma alimentação saudável para todos. Como resultado, muitos alunos mudaram os hábitos. Até a cantina foi influenciada pelo projeto. No momento da contratação do estabelecimento, a direção do colégio exigiu o fornecimento de produtos nutritivos. “É importante saber que tivemos esse resultado, porém o incentivo para ter uma alimentação melhor parte de cada um”, argumentou Elis.

Em casa
A preocupação por parte da escola fez com que Gabriela Zinn Salvacci, 39, e o marido Geraldo Henrique Fonseca, 42, ficassem tranquilos em relação à alimentação dos três filhos. “Às vezes, não temos todo o controle sobre a nutrição na escola. Quando a instituição começa a se preocupar com isso é benéfico e contribui para que as crianças tenham uma alimentação saudável para a vida toda”, discursa Gabriela. Segundo Fonseca, os filhos reclamaram da ausência de chicletes, balas e refrigerantes. “Não vamos deixar de consumir, mas, sim, moderar.” Para dar continuidade ao que vem sendo proposto pela escola, a alimentação na casa da família também é balanceada e o refrigerante é um item que já não existe mais na geladeira.
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