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É assim que tratam a escola

Criminosos aproveitaram que centro de ensino de Ceilândia estava sem vigilantes durante o carnaval para roubar computadores, rasgar livros e destruir o patrimônio. Direção acredita em retaliação por parte de alunos repreendidos

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postado em 07/03/2014 12:03

Thalita Lins

 (Breno Fortes/CB/D.A Press) 

 (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Os vândalos invadiram a escola entre 16 de fevereiro e quarta-feira, quando destruíram um bebedouro de metal, quebraram várias vidraças e arrebentaram portas e grades: danos avaliados em cerca de R$ 20 mil  (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Os vândalos invadiram a escola entre 16 de fevereiro e quarta-feira, quando destruíram um bebedouro de metal, quebraram várias vidraças e arrebentaram portas e grades: danos avaliados em cerca de R$ 20 mil
 
Segundo a direção do CEF 34, um dos maiores prejuízos aconteceu na biblioteca, onde livros novos foram rasgados e estantes acabaram no chão (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Segundo a direção do CEF 34, um dos maiores prejuízos aconteceu na biblioteca, onde livros novos foram rasgados e estantes acabaram no chão
A diretoria suspendeu as aulas  até amanhã:  
A diretoria suspendeu as aulas até amanhã: "manutenção"

 

As aulas de uma escola da rede pública de Ceilândia foram suspensas depois do ataque de vândalos. A destruição e o roubo de bens aconteceram no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 34, no Setor O, entre 16 de fevereiro e a última quarta-feira. A direção acredita que os episódios possam ter sido uma retaliação por parte de alguns alunos, pois funcionários flagraram quatro estudantes consumindo maconha nas dependências do local no fim de fevereiro.

A investigação é de responsabilidade da 24ª Delegacia de Polícia. Sabe-se até agora que o vandalismo resultou em 11 computadores furtados, centenas de livros rasgados, janelas quebradas e carteiras inutilizadas. O prejuízo pode alcançar R$ 20 mil. O caso do CEF 34 aumentou as estatísticas de roubos e furtos em colégios do Distrito Federal (leia Memória).

Uma das maiores perdas aconteceu na biblioteca. Vários livros novos acabaram destruídos. Outras obras que faziam parte do acervo da escola, calculado em cerca de 8 mil exemplares, tiveram o mesmo fim. “Quem fez isso fez com raiva. Não tem outro motivo”, avaliou o diretor do CEF 34, José Sarmento. “Isso é vandalismo. Acredito que porque impomos regras, entre elas, a de não fumar. No mês passado, pegamos estudantes fumando.”

Ao chegar ao colégio, na quarta-feira, o professor se deparou com um cenário de destruição. A começar pela guarita, que, no último sábado, havia sido incendiada. Na entrada, lixo espalhado. Após passar pela porta que dá acesso à área interna, ele encontrou grades de ferro, lâmpadas, um bebedouro e cadeiras depredadas. Paredes próximas às salas de aulas foram pichadas por pincel atômico, com mensagens que faziam apologia à violência. Uma delas mencionava o diretor, que registrou ocorrência na 24ª DP. A perícia, no entanto, só iniciou os trabalhos por volta das 16h30 de ontem.

Os criminosos também aproveitaram que o CEF 34 estava sem vigilância para invadir e roubar 10 dos cerca de 28 computadores novos da sala de informática — um foi levado de outro local. “A porta foi arrombada e levaram os equipamentos. Estavam prontos para serem usados. Para não arriscar, tive de esconder o restante que não havia sido roubado”, disse José.

Além desse ataque, o centro de ensino acumula casos de violência. No ano passado, um porteiro foi ameaçado com uma faca, supostamente, por um aluno da instituição. O funcionário acabou remanejado para outra escola. No fim de janeiro, um vigilante noturno passou pelo mesmo problema. Ele também pediu para deixar a unidade. Atualmente, há duas pessoas responsáveis pela segurança, mas uma está de férias.

Vigilantes

O diretor do CEF 34 acusa a Secretaria de Educação de não dar atenção ao alerta feito por ele no início do ano de que o colégio ficaria descoberto durante 24 dias, inclusive nas datas em que o CEF 34 sofreu o ataque. Em nota, o órgão admitiu que existe um deficit de vigilantes efetivos na rede pública, mas informou que há um projeto básico em fase de finalização “para contratação de empresa, que disponibilize vigilantes terceirizados para o atendimento”.

Ao Correio, o secretário de Educação, Marcelo Aguiar, alegou que episódios de vandalismo como o do carnaval não são frequentes. “Quando acontecem, costumam ser nas áreas onde têm mais violência no entorno das escolas”, afirmou. A pasta entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública para tratar sobre medidas que ajudem a combater os crimes. O Batalhão Escolar da PM informou que, em nenhum momento, a direção do CEF 34 pediu reforço de policiamento no local. Durante feriados e após as 23h, os trabalhos da corporação ficam reduzidos a uma equipe. “Mas nem essa viatura foi acionada por nenhuma escola durante todo o carnaval”, resumiu o comandante do Batalhão Escolar, tenente-coronel Fábio Sousa Lima.

Memória Assaltos frequentes

Em 17 de fevereiro, a Escola Classe 10, em Ceilândia Norte, foi arrombada por bandidos, que levaram pelo menos três computadores. A Polícia Civil informou que os alunos não tiveram aula no dia do crime e não havia a presença de vigilantes durante o furto. Em agosto de 2013, assaltantes entraram em uma escola de Samambaia e roubaram uma série de equipamentos adquiridos havia 30 dias. O Centro de Ensino Médio 304 investiu aproximadamente R$ 40 mil em 20 aparelhos datashow (usado em exibição de vídeos) para ajudar nas aulas dos mais de 2 mil alunos. Segundo a diretoria, todas as turmas usariam o equipamento. Um dia antes do assalto, vizinhos relataram que viram três jovens medindo o muro da escola. Foi exatamente por onde os criminosos invadiram o colégio.

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