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Começa vacinação contra o HPV

A partir de hoje, meninas de 9 a 13 anos serão imunizadas em escolas públicas e particulares. O vírus é um dos causadores do câncer de colo de útero

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postado em 10/03/2014 10:14

Ana Pompeu

Dilma e Afonso imunizaram Mariana e, agora, pensam em fazer o mesmo com o filho, de 11 anos (Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press) 
Dilma e Afonso imunizaram Mariana e, agora, pensam em fazer o mesmo com o filho, de 11 anos

A partir de hoje, começa a campanha de vacinação contra o HPV em todo o país. No Distrito Federal, estudantes de 9 a 13 anos serão imunizadas em escolas públicas e particulares. A meta é atender 80% do público-alvo, o que corresponde a 64.882 alunas. O HPV é o principal causador do câncer de colo do útero, que mata cerca de 90 mulheres por ano apenas na capital do país.

A imunização precoce se justifica pela eficácia da vacina. É o que garante a chefe de Vigilância Epidemiológica e Imunização da Secretaria de Saúde do DF, Cristina Segatto. “O laboratório recomenda a vacinação em organismos que ainda não tenham tido contato com o vírus, para obter uma melhor resposta”, ressalta a especialista.

A vacina será administrada em três doses: a primeira em março, a segunda em maio e a terceira em setembro. Cristina lembra que é importante levar a carteira de vacinação. “Aquelas que tomaram apenas uma ou duas doses em 2013 podem fazer a continuação agora. E quem não puder comparecer à escola no dia da vacinação (as datas são marcadas pelas instituições de ensino, segundo o calendário de cada uma) deve entrar em contato com a direção para remarcar ou pegar o pedido de encaminhamento para uma unidade de saúde de referência”, esclarece Cristina Segatto.

As estudantes não precisam de autorização dos pais para serem imunizadas, mas, se a família não concordar com o procedimento, é possível solicitar à direção um documento informando a escolha. Cristina Segatto recomenda aos responsáveis que não estiverem seguros que se informem pelas cartilhas disponibilizadas pela Secretaria de Saúde, com a escola ou médicos de confiança, antes de tomarem uma decisão.

Receosa quanto aos efeitos da vacina, a esteticista facial Cristiane Rodrigues, 42 anos, não autorizou a imunização da filha Camila Ventura, que completou 12 anos em outubro do ano passado. “Consultei três médicos a respeito. A pediatra e a ginecologista especializada em crianças recomendaram a vacina. Mas a endocrinologista com quem ela fazia um tratamento orientou que esperássemos mais um ano para analisar as reações e as respostas, já que é algo novo”, lembra.

O primeiro impulso de Cristiane foi autorizar a vacina. No entanto, viu que algumas colegas da filha reclamaram de dores de cabeça ou fraqueza e decidiu procurar os especialistas. Hoje, mais tranquila, só pensa na importância da ação. “Eu mesma tomei quando a vacina foi lançada. Na época, paguei R$ 389 em cada dose. Agora, o SUS (Sistema Único de Saúde) está fornecendo”, avalia. No Brasil, mais de 4 milhões de meninas devem ser imunizadas.

Prevenção
No ano passado, a cobertura vacinal no DF atingiu 93,9% da meta na primeira dose; 94,15%, na segunda; e 88,87%, na terceira. A servidora pública Dilma Maria de Melo, 56 anos, viu a importância da prevenção antes mesmo que a vacina se tornasse disponível de forma gratuita. “Levei minha filha, Mariana, para vacinar no fim do ano retrasado, quando ela tinha 12 anos”, conta. As três doses, tomadas em uma clínica particular, custaram R$ 1.100. Ela e o marido, o bancário Afonso Celso Magalhães Ferreira, 57, agora pensam em vacinar, também, o filho, de 11 anos.

A professora Érica Moura, 36 anos, tem um motivo ainda mais forte para se preocupar com a filha Thainara, 13 anos, no que se refere ao HPV. “Uma amiga da nossa família faleceu após desenvolver câncer de colo do útero, em decorrência do vírus”, lamenta. No ano passado, assim que a vacina se tornou gratuita, Thainara tomou as três doses. “Acredito que é importante não só incentivar as crianças a vacinarem, mas conversar com elas sobre prevenção e explicar como devem se proteger de doenças sexualmente transmissíveis em geral”, opina Érica.

Fique atento
Quem pode tomar a vacina?
Meninas de 9 a 13 anos

Onde?
Em todas as escolas públicas e privadas do DF

Quando?

A primeira dose em março, a segunda em maio e a terceira em setembro

»  Para obter informações, ligue no 3323-7461 ou entre em contato com a direção da escola

Para saber mais
Contágio
e proteção

O vírus HPV é a principal causa do câncer de útero, terceiro maior tipo de tumor que atinge mulheres — fica atrás apenas do câncer de mama e de cólon e reto. A transmissão se dá por contato direto com o local infectado, sendo a via sexual a forma mais comum de contágio. Quando a infecção persiste, ela pode resultar no desenvolvimento de lesões que progridem para o câncer, principalmente no colo do útero, mas também na vagina, na vulva, no ânus, no pênis, na orofaringe e na boca. Também pode ser transmitido da mãe para filho no momento do parto. O uso da camisinha durante o ato sexual não protege totalmente da infecção pelo HPV, pois não cobre todas as áreas passíveis de contaminação. Os sintomas visíveis são verrugas na pele e nas regiões anal, genital, da uretra e oral (como lábios, boca e cordas vocais). Dois exames capazes de detectar o vírus e o tumor são o papanicolau — disponível na rede pública — e a videocoloscopia, que permite visualizar o colo do útero.

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