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O menino que escreve histórias

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postado em 10/03/2014 11:51 / atualizado em 10/03/2014 11:58

Ana Raissa
Não existe gente grande que não fique surpresa com o fascínio e a paixão do pequeno Matheus Queiroz pelos acontecimentos históricos. Com apenas 12 anos, o adolescente não perde um nome ou Uma data. Está antenado aos fatos da história do Brasil e domundo, e tem especial predileção pelas grandes guerras.Mais do que isso,Matheus transformou as letras em ótimas companhias. Ele escreveu e desenhou mais de 25 capítulos de histórias em quadrinhos sobre as batalhas da Segunda Guerra Mundial. O material ainda está na fase dos rascunhos, contudo, é guardado com muito carinho.

Em uma pasta,Matheus esconde o tesouro. “Depois de ler muito sobre os combates, comecei a escrever e a desenhar as partes que mais gosto”, conta.Elas representam as batalhas entre Aliados (União Soviética, Estados Unidos, Reino Unido, China, França e Brasil, entre outros) e o Eixo (Alemanha, Japão e Itália), a partir do momento em que os primeiros começam a vencer a guerra.Matheus não tem pretensões de publicar o livro,masacha que seria algo interessante para ajudar aqueles que gostam do assunto.

As informações vêm dos livros que coleciona, das revistas que lê, dos documentários a que assiste e das aulas que nunca perde. A sede por conhecimento é um dom de Matheus. “Eu vejo que não é só uma questão de gosto, mas um talento que nasceu com ele. A gente nunca precisou obrigá-lo a nada”, relata o pai, Francisco Alves de Assis, 53. A explicação de Matheus é muito simples. “Leio sobre tudo o que me interessa.” E acrescenta afirmando que quem não lê nunca vai aprender.

A família começou a notar o gosto do menino por livros desde pequeno. O adolescente sempre gostou de fuçar a biblioteca de casa. Não eram exemplares infantis. “Ele começava a ler coisas que, geralmente, crianças não se interessam. Com4 ou 5 anos, lembro que lia livros e revistas sobre Stalin e a União Soviética”, recorda Francisco. Para Matheus, o hábito de ler e estudar veio de berço. “Sempre foi um costume aqui em casa.Tive uma influência  da minha mãe e da minha irmã”, afirma.

A proximidade com a irmã, Milena Queiroz, 20, também ajudou. Eles compartilhamos conhecimentos, saem juntos para comprar livros e trocam os exemplares entre si. Uma prática que veio de família e hoje é motivo de orgulho. “O Matheus é a paixão lá de casa”, conta a mãe, Maria Mousiete Queiroz, 44. Os pais ainda não sabem os caminhos que o filho vai seguir, mas não têm dúvidas quanto ao sucesso dele.Mas ele mesmo já tem apostas. “Eu quero cursar faculdade de história e ser professor ou oficial do Exército, porque tenho esse fascínio por guerras e seria legal representar o meu país”, declara o menino.

Nota 10

Aluno exemplar e conhecido por todos na escola onde cursa o sétimo ano do ensino fundamental, Matheus serve de referência para os professores. Anderson Monteiro, professor de geografia, destaca a participação do aluno em sala de aula e o interesse que demonstra pelo conteúdo. O mestre diz que chama a atenção quando pessoas da idade de Matheus falam de política, economia e geopolítica. “Normalmente, são temas difíceis até para conversar com adultos,masele se interessa e conversa tranquilamente”, comenta.

Amante das letras e conhecedor de um rico vocabulário,Matheus não teve medo para escrever uma carta para o diretor financeiro da escola, quando foi necessário. “Fiquei sabendo que a mensalidade aumentaria e que talvez minha mãe não conseguisse pagar. Aí, eu escrevi uma carta para o diretor financeiro deliberando sobre as dificuldades da minha família e meu interesse em continuar na escola”, conta. Hoje, Matheus é o único que tem bolsa na instituição por reconhecimento.

Ele pode parecer aquele estudante conhecido por todos como o nerd da turma, mas não é bem assim. E confessa que, dependendo do dia, até troca uma brincadeira por um livro.Mas adora jogar bola.Vascaíno de coração, o menino arrisca um futebol duas vezes na semana: é até o capitão do time. O primo Danillo Araújo, 10, de vez emquando, fica chateado por Matheus não participar da brincadeira, mas entende. Inclusive, os dois têm planos de produzir um livro juntos. “A gente quer escrever uma história com os super-heróis que voltam no tempo para descobrir os mistérios da humanidade.”

 

 

 

LISTADOSLIVROS PREFERIDOSDEMATHEUS

 

Memórias póstumas de Brás Cubas, deMachado de Assis

 

Getúlio Vargas—A esfinge dos pampas, de Richard Bourne

 

Guia politicamente incorreto da história do Brasil, de Leandro Narloch

 

A Batalha de Moscou, de Andrew Nagorski

 

1808 (Edição Juvenil), de Laurentino Gomes

 

Colecionador de lágrimas, de Augusto Cury

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