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Raquete em novos punhos

Projeto da federação local permite a alunos de 5 a 16 anos da rede pública receberem as primeiras aulas na modalidade. Em busca da longevidade, metodologia do programa capacita professores das próprias escolas

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postado em 25/03/2014 13:35

Jéssica Raphaela

Ao menos uma vez por semana, alunos de escola em Ceilândia têm aulas de tênis: tabu rompido (Jéssica Raphaela/CB/D.A Press ) 
Ao menos uma vez por semana, alunos de escola em Ceilândia têm aulas de tênis: tabu rompido

Melbourne, Roland Garros, Wimbledon…Esses termos ainda não fazem parte do vocabulário deles. Mas, ao que tudo indica, não demorará muito para que alguns estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal descubram que essas palavras representam os principais palcos do tênis. Antes inalcançável para crianças de baixa renda, a modalidade tem quebrado tabus, invadindo as precárias quadras poliesportivas dos centros de ensino da capital do país.

Com raquetes do projeto Massitênis, os alunos deixam as quatro tradicionais modalidades da educação física de lado — futsal, vôlei, handebol e basquete — para rebater as bolinhas, ao menos uma vez por semana. A iniciativa da Federação Brasiliense de Tênis (FBT) fez Vileno Amaral, 12 anos, esquecer o futebol. O colégio onde estuda, a Escola Classe 16, em Ceilândia Norte, tem aulas regulares com as raquetes desde outubro. “Eu sempre quis jogar tênis, mas nunca tive chance. Também gostava muito de jogar bola, mas, hoje, prefiro o tênis”, confessa o garoto.

A federação começou a capacitar professores para inserir a modalidade no currículo escolar no fim do ano passado. Colocar o esporte em meio às aulas de esportes tão presentes no Brasil foi um tabu que o projeto precisou derrubar. Na escola de Vileno, a primeira a receber as aulas, as turmas de sétimo e oitavo anos têm ao menos uma aula por semana com o professor Márcio Fontenele. “Achei que seria mais difícil convencer os alunos, mas eles gostaram da novidade, ficaram empolgados por conhecer um esporte que é tão distante da realidade deles”, comenta.

A oportunidade de se familiarizar com a raquete e a bolinha dentro do ambiente escolar já alcança 1.800 alunos do Distrito Federal, com idade entre 5 a 16 anos. “O único requisito que a instituição tem que preencher é ter uma quadra em boas condições de uso, com ou sem cobertura, não importa. Com o resto, a gente colabora”, informa o diretor da federação, Ricardo Moraes. Até o mês que vem, 24 escolas públicas terão professores capacitados usando as quadras poliesportivas da própria instituição de ensino de origem — 10 em Ceilândia, 10 no Plano Piloto e quatro em Taguatinga.

Segundo o presidente da FBT, Carlos Mamede, a metodologia servirá para impulsionar a longevidade do projeto Massitênis. Em vez de levar um professor experiente para dar aulas nas escolas, o programa capacita os professores de educação física da própria instituição. “A gente dá o método e eles elaboram o projeto pedagógico de acordo com a necessidade do centro de ensino”, explica. Os capacitados ainda ganham bolsa de seis meses para treinar no Clube do Exército. “A ideia é transformá-los em jogadores de tênis, assim melhoram o nível técnico e ganham conhecimento prático para dar as aulas”, completa.

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Escolas públicas com aulas de tênis a partir do mês que vem, segundo projeção da Federação Brasiliense de Tênis

Espaço aproveitado

A raquete usada pela pequena Maria José Ribeiro, de 12 anos, é cedida pelo projeto Massitênis, que também oferece bolas e rede. Ter esse material em mãos fez a estudante desenvolver coordenação motora, equilíbrio, atenção e foco. “Antes, eu não sabia nem pegar na raquete. Agora, já tenho uma noção do jogo e sei rebater a bola”, diz, orgulhosa, uma das mais interessadas nas aulas.

Diferentemente do que se imagina, a aula não é dada apenas com um aluno em cada ponta. “Dividimos a quadra em várias ‘ilhas’ para atividades diferentes. Usamos cones de um lado, para treinar saque e recepção. Do outro lado, tem um grupo de alunos tocando a bola. Em outro canto, aí sim, colocamos a rede e os deixamos jogando”, explica o professor Márcio Fontenele.

Em um segundo momento, quando os alunos amadurecerem no esporte, aqueles que se destacarem serão convocados para treinar no período contrário à aula, em instituições parceiras. “Teremos estudantes treinando no Sesc de Taguatinga e no Clube do Exército. Ainda estamos preparando novas parcerias”, relata o diretor da federação, Ricardo Moraes.
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