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Correio Braziliense

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Sustentabilidade em sala de aula

Com projeto pedagógico sobre a preservação ambiental, a Escola Classe 3 de Ceilândia recebe, até sexta-feira, exposição itinerante que retrata o pedido de socorro da natureza contra a devastação provocada pelo homem

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postado em 02/04/2014 10:59 / atualizado em 02/04/2014 11:05

Ana Paula Lisboa

Durante uma semana, uma sala de aula foi reservada para outra função. O local abriga a exposição O grito silencioso da mata, do artista plástico e escritor Luiz Otávio. Esculturas e quadros, feitos com cascas e pedaços de madeira, e poemas retratam um pedido de socorro da natureza ante a devastação do ambiente. Como não é sempre que o colégio recebe uma exposição, a curiosidade dos alunos que ainda não tiveram a chance de apreciar o espaço só aumenta. Logo na porta, há um aviso de que é proibido fotografar. “Se não fosse assim, os estudantes colocariam fotos nas redes sociais ou mostrariam para os outros colegas. Queremos manter o mistério e a surpresa até a hora da visita”, explica a supervisora Alba Correa, 44 anos.

Ter uma mostra dentro da escola torna tudo especial. “Mesmo quando você leva alunos para um passeio, nem todos podem ir e é preciso pagar ônibus. Ter a exposição na escola é melhor: aproxima os alunos da arte e os faz se sentir valorizados. Todos estão eufóricos. Está sendo uma experiência fantástica”, comemora Alba. Para alguns dos 609 estudantes, da educação infantil ao 5º ano, esta é a primeira oportunidade de conhecer uma exposição.

 

A atividade envolveu os 42 professores, os 38 funcionários, além de pais e familiares dos alunos. De segunda a quinta-feira, as turmas do colégio visitam a exposição. Amanhã, às 11h, a equipe da Embaixada da Alemanha ministrará uma palestra para os estudantes. A embaixada do país germânico é parceira do projeto O grito silencioso da mata. Na próxima sexta-feira, pais e comunidade são convidados a voltar ao colégio para conferir a mostra.

Quando entram na sala da exposição, os alunos sentam para ouvir uma história. Com a ajuda de efeitos sonoros, como gravações do canto dos pássaros, o artista plástico Luiz Otávio relembra uma conversa marcante entre um lenhador e uma árvore. A planta dialoga com seu “assassino” e deixa uma mensagem por meio de um poema. A interação com as turmas é surpreendente: convidados a participar da produção das onomatopeias que representam o serrar ou o cair da árvore, os alunos não desgrudam os olhos e ficam encantados com o que veem e escutam. É assim que meninos e meninas absorvem mensagens sobre sustentabilidade social, que envolve amar, perdoar, agradecer, compreender, ter educação e ser feliz. “O cuidado com o meio ambiente começa em nós. O mundo precisa de pessoas felizes”, explica Luiz Otávio.

Alunos do 4º ano, Luíze Isabelli do Nascimento, Thainá Moreira, Marcos Paulo Carreiro e Pedro Henrique Santiago, todos com 9 anos, viraram fãs de Luiz Otávio. “Eu gostei muito da exposição e dos poemas. Meu preferido foi o da árvore, o Generosidade”, conta Luíze. Pedro Henrique animou toda a família para cuidar da natureza. “Minha avó e minha irmã vieram para a palestra na sexta-feira e gostaram muito. Aprendi que O grito silencioso da mata é uma história que ajuda a entender a importância de cuidar da natureza. Nós dependemos dela também”, diz.

 

Uma escola verde
Os 30 minutos de contemplação da mostra O grito silencioso da mata fazem parte de algo maior: o projeto pedagógico da escola. Para 2014, o tema é “Escola Classe 3, pelo planeta e pela vida”. O 1º bimestre tem o lema “Meio ambiente, meu ambiente, eu cuido”. O assunto é abordado em sala de aula por meio de filmes e do próprio conteúdo. As paredes do colégio são reflexo disso, pois estão adornadas com trabalhos dos estudantes sobre sustentabilidade. “A gente lançou essa ideia e todo mundo abraçou, desde o porteiro até a direção. É por isso que funciona”, conta a supervisora Alba.

A diretora da instituição, Maria do Socorro Raposo, 50 anos, percebe que a postura dos alunos mudou até nos detalhes. “Antes, víamos muito papel de balinha no chão, copos plásticos, restos de lanche… Agora, não temos mais isso. O projeto está surtindo efeito nas pequenas coisas, toda a comunidade se envolveu e esperamos que a sustentabilidade ultrapasse os muros da escola. A exposição veio para enriquecer esse trabalho”, constata. Os planos da escola não param por aí. Em abril, o aniversário de 54 anos de Brasília vai inspirar a reflexão sobre a sustentabilidade da cidade.

Não é de hoje que a Escola Classe 3 demonstra preocupação com o meio ambiente. Há 3 anos, o projeto “Eu catador” estimula uma gincana entre os alunos. Ganha a turma que mais catar garrafas Pet na rua. “Temos uma parceria com uma usina de reciclagem que compra as garrafas. O dinheiro é revertido em brinquedos para a turma ganhadora”, conta a diretora Maria do Socorro. O colégio também mantém uma horta que é cuidada pelos alunos durante todo ano.

Não perca

A exposição O grito silencioso da mata vai estar aberta ao público, das 8h às 11h30 e das 13h às 16h na Escola Classe 3 de Ceilândia (QNM 18/20, AE. Ceilândia Norte, perto da Praça do Cidadão). Os ingressos custam R$ 5 

Agenda

Confira os locais por onde a exposição O grito silencioso da mata passará nos próximos meses. Agendamentos para escolas e outras instituições podem ser feitas pelo e-mail gritosilenciosodamata@gmail.com ou pelos telefones 8137-2997 ou
9252-3076. Mais informações: www.facebook.com/ogritosilenciosodamata.

28/3 a 4/4
Escola Classe 3 de Ceilândia

7/4 a 11/4
Colégio Biângulo em Taguatinga

17/4 a 25/4
Centro de Ensino Fundamental 2 do Guará

28/4 a 30/4
Sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)

8/5 a 16/5
Centro de Ensino Fundamental 12 de Taguatinga

22/5 a 31/5
Serviço Social da Indústria (Sesi) de Taguatinga

2/6 a 6/6
Sesi do Gama

17/8 a 28/8
Sesi de Catalão (GO)

25/8 a 29/8
Sesi de Anápolis (GO)

15/9 a 31/9
Colégio Mariano em Brasília

9/10 a 10/10
Colégio Educacional Figueiras em Pedra de Guaratiba (RJ)



 

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