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O problema da falta de limites em casa

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postado em 02/04/2014 16:00 / atualizado em 02/04/2014 12:08

A vulnerabilidade de funcionários das instituições de ensino revela-se aos poucos. Alguns resistem em contar a rotina de medo. “Ameaça? Sim, já recebi. Faz duas semanas. Entrou um indivíduo fumando (maconha) e com um revólver. Pedi para sair e ele se negou. Veio o diretor e nada. Com muito custo, ele aceitou (sair da escola). Foi botar o pé aqui fora, ele me olhou e disse: ‘Abre teu olho. Você vai amanhecer com a boca cheia de formiga”, revela Silvio (nome fictício), 57, porteiro de uma escola de Ceilândia.

A delegada Mônica Ferreira, chefe da Delegacia da Criança e do Adolescente I (Asa Norte), alerta que os rompantes dos jovens não devem ser encarados como “coisa de adolescente”. “Uma psiquiatra do Instituto Médico Legal diz que o jovem é ‘I,I,I’, ou seja, inconsequente, imprevisível e imprudente. O adolescente age de rompante quando é contrariado, faz as coisas como se não houvesse amanhã”, analisa Mônica. Independentemente do público atendido e dos atos infracionais praticados, os delegados das DCAs concordam em um ponto: as ocorrências envolvendo a comunidade escolar seriam menores se os pais conseguissem impor limites aos filhos. “O jovem não respeita o próximo. Isso advém da má formação da pessoa, da falta de valores morais e da desestruturação familiar”, avalia Amado Pereira, chefe da DCA II (Ceilândia).

A degradação das relações também é apontada pelo presidente da Associação dos Pais e Alunos das Instituições de Ensino do Distrito Federal (Aspa-DF), Luis Claudio Megiorin. “Quando um aluno não respeita o professor é porque não respeita os próprios pais em casa”, acredita. Rosilene Corrêa, diretora do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), reforça que a agressão por parte dos pais é rotineira. “Não é raro pais e mães de aluno ultrapassarem a fase do diálogo”, diz. “As escolas acabam desenvolvendo programas isolados. Não há uma política conjunta.”

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