SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Opinião:Brasil volta a ser reprovado no Pisa

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 04/04/2014 18:00

Ao todo, 44 países participaram do exame realizado pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Todos compõem a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. Com escolas sucateadas e professores abandonados à própria sorte, o resultado não poderia ser outro para o Brasil. O país ocupou o 38º lugar, voltando a decepcionar. Com a rapidez e a continuidade da queda nos resultados, a impressão é que nosso país busca ardorosamente o último lugar em tudo o que é positivo e o primeiro lugar no que é negativo. Os dados são científicos. Testes de raciocínio e problemas ligados ao cotidiano não são resolvidos por falta de estímulo nas escolas, cada vez mais engessadas no ensinar. Os professores despejam conteúdo sem ao menos conhecer os alunos, preferências, sonhos, dificuldades. Três dias de aula para conhecer a classe significam perda de matéria, atraso, tempo ao vento. Os primeiros professores têm importância crucial na vida das crianças. Muitos deles não têm a noção disso. Não há estímulo verdadeiro, muito menos necessidade de esforço, já que o que manda são as estatísticas de aprovação. No mais, passam a régua.

Alunos criativos são rapidamente podados, como árvores que perdem a liberdade de estender os galhos em busca do sol. Faltam reciclagem, capacitação dos professores para lidar com os pontos fortes e fracos da meninada. O pífio desempenho dos estudantes brasileiros em todos os exames que vêm sendo realizados por esse importante programa torna-se fato corriqueiro. E até o momento não se conhecem ações do governo para melhorar a situação. Uma análise nas últimas médias internacionais de avaliação colocam o Brasil sempre na rabeira de outros países. Enquanto a média internacional para leitura é de 492 pontos, o Brasil fica com 412 pontos. Na média internacional de matemática, para 496 pontos, o Brasil obtém apenas 386. Quando o Colégio Militar, que é público, se destaca nas Olimpíadas de Matemática, o que se faz é tirar os melhores do circuito para não atrapalharem os piores concorrentes. O nivelamento faz-se pelos mais fracos. O mesmo se repete em ciências, em que a média internacional é de 501 pontos, contra 405 pontos alcançados pelos estudantes brasileiros. Nessa última avaliação do Pisa, aplicada para estudantes de 15 anos, o que se requeria dos alunos era raciocínio rápido em problemas corriqueiros, que exigiam clareza para interpretar, no texto, os desafios pedidos pelo avaliador.

 Parece que as horas no computador de casa, no quarto trancado, não estão fazendo bem ao crescimento. Singapura e Coreia, com, respectivamente, 562 e 561 pontos, ficaram com a dianteira. Num mundo cada vez mais globalizado e interdependente, avaliações como essa colocam o país completamente nu perante as outras nações e desautorizam qualquer discurso oficial sobre avanços no sistema de ensino. Obras e projetos faraônicos, como os feitos nos estádios, não qualificam o país e servem apenas para o gáudio de quem governa no momento. Fossem instituídas avaliações internacionais para governantes, nos mesmos moldes do Pisa atual, com certeza, continuaríamos comendo poeira na rabeira do mundo civilizado. (Circe Cunha)


A frase que não foi pronunciada

“Quantos e que partidos terei que vender para comprar o meu futuro?”

Político pensando nos dias de folga.


Funciona assim

» No CEF 34 de Ceilândia, professores protestam contra a falta de segurança. Há 25 anos, um professor de história sentiu uma pontada na costela. Era uma aluna encostando uma faca, enquanto perguntava se passaria de ano. Passou. O professor está vivo e feliz de ter deixado a profissão. Quanto à garota,
ninguém sabe o que fez com o diploma.

Mais uma

» Deputado Ivan Valente esbravejou, protestando contra os 10% dos recursos do PIB que deveriam ser aplicados na educação pública e não em empresas educacionais.

Caos

» Diante da possível greve dos metroviários, as lideranças do metrô resolveram preservar o patrimônio público fechando várias estações. Hoje, o trânsito promete ser um caos. Fazer de conta que se investe em transporte para a população é
uma fábula que não vai ter final feliz.


História de Brasília

Mas nós temos mais notícias, doutor. O hotel não é mais do Maurício. A Prudência armou um golpe, levou a melhor, e tirou o Maurício. Tirou de uma maneira meio desleal, mas tirou. (Publicado em 13/7/1961)
Tags:

publicidade

publicidade