SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Mais do que educação

O Jardim de Infância 21 de Abril, na Asa Sul, surgiu antes mesmo da inauguração de Brasília. Pelo local, passaram milhares de alunos, que agora colocam filhos e parentes para aprenderem na escola

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 09/04/2014 11:20 / atualizado em 09/04/2014 11:22

Mariana Laboissière

Carlos Vieira
Os contornos de Brasília foram desenhados ao redor dessa escola. As paredes, colocadas de pé antes mesmo da fundação oficial da capital do Brasil. Inaugurada por Juscelino Kubitschek, em 1959, um colégio público localizado entre a 708 e a 908 Sul ganhou a data de aniversário da cidade como parte do nome de batismo. A estrutura arquitetônica integra o Conjunto Urbanístico de Brasília. É tombada tanto no âmbito distrital quanto no federal e resiste bravamente ao tempo em pleno Plano Piloto.

Entrar no Jardim de Infância 21 de Abril é um convite à nostalgia. As paredes de madeira das salas, os pisos de tacos e os armários embutidos remontam o nascimento de um sonho no Planalto Central. O colégio, que atende crianças de 3 a 5 anos, conta com a maior área verde e a maior área construída no centro de Brasília. São aproximadamente 5 mil m² e 1 mil m², respectivamente.

A paisagem mudou desde o surgimento da instituição, que tinha como missão primária de atender filhos de funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF). O viveiro de outrora, que abrigava aves, macacos e outros bichos silvestres deu lugar a uma piscina. A ala dos docentes também recebeu adaptações, quando surgiu a secretaria. Seguindo os moldes do projeto original, cada sala de aula ganhou um banheiro. O auditório, na contramão, é aquele mesmo da década de 1960. Conserva, inclusive, as mesmas cadeiras do tempo em que a Secretaria de Educação assumiu a escola.

“Até o telhado é o mesmo. Por isso, precisa ser trocado. Também necessitamos de uma avaliação estrutural. Nós mexemos somente na parte elétrica”, conta o secretário escolar Mauro Vargas, que salienta a necessidade de reformas.
Pelo jardim de infância, passaram gerações de candangos. Avós, pais, filhos e netos. Muitos deles aprenderam as cores primárias a partir da pintura da porta de cada classe. O sistema permanece o mesmo, e as dependências se dividem entre: sala vermelha, sala verde, sala amarela e sala azul. Hoje, a escola atende mais de 160 alunos, entre estudantes do maternal, do 1º período e do 2º período.

Em meio às iniciativas desenvolvidas na unidade, meninos e meninas têm aulas de capoeira e judô. Projetos complementares buscam ainda conectar o ambiente, cercado de verde, aos alunos. No vasto quintal da escola, por exemplo, é possível encontrar ipês, copaíbas e árvores frutíferas, como pés de pitanga, amora, limão e jaca. Muitos dos exemplares são originais. As mesmas espécies que um dia deram frutos colhidos pelos pais, hoje alimentam também filhos e parentes desses ex-alunos.

A professora Dennise Calisto Bezerra trabalha no 21 de Abril há 22 anos e acompanhou de perto esse ciclo. Cita, de cabeça, pelo menos dois casos de pais e filhos que foram seus alunos. “É muito gratificante ver isso. Perceber que viveram bons tempos aqui. Realmente temos nossas particularidades. Conservamos, de fato, um nome e uma história fortes”, argumenta a docente, que trabalhou por duas décadas com o 2º período e hoje dá aulas para o maternal.

A fisioterapeuta Márcia Dayane Silva, 26 anos, é uma das alunas na lembrança da professora Dennise. Os bons momentos no colégio levaram-na a inscrever a filha, Sara, 5, na instituição. O sobrinho, Eduardo, de 14 anos, também passou pelo local. “Foram os melhores anos da minha vida e carrego o ensino de lá até hoje, principalmente em termos morais”, justifica Márcia. Em 2016, ela garante que vai matricular o filho mais novo, Gabriel, de apenas seis meses.

Os filhos mais velhos da professora Sandra Leite Teixeira, 48 anos, estudaram no jardim de infância. Um, hoje, cursa história na Universidade de Brasília (UnB) e a outra está terminando o ensino médio. Em 2014, quem ocupa uma das carteiras do 21 de Abril é o filho mais novo, Marx, de 5 anos. “Desde quando era nova e estudava na Escola Normal, eu pensava em colocar meus filhos para estudar ali. Realmente não me arrependi. O 21 de Abril é um escola familiar e que sintetiza o modelo pensado por Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer”, afirma Sandra.

Depoimento

“Isso dá
muito gosto”

“Trabalho há 34 anos na escola e vi muita gente passar por aqui. Pais e filhos, inclusive de políticos. Eu fiz muitas amizades. Dá muita satisfação ver os ex-alunos visitando ou trazendo os filhos para o colégio. Nesse tempo, vi cinco diretoras passarem, e elas não ficaram pouco tempo não. Muitas permaneceram por mais de 12 anos. Um dos meninos que estudou aqui falava para gente que queria ser servente de pedreiro quando crescesse. Ele dizia isso quando via a gente mexendo com alguma obra. Fiquei sabendo que hoje ele é um engenheiro.
Isso dá muito gosto”


Antônio Marcelino da Frota,
63 anos, vigilante
Tags:

publicidade

publicidade