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Próspero reforço escolar

Falta de tempo dos pais para acompanhar o estudo dos filhos e avaliações do Enem estimulam o avanço do apoio privado extracurricular

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postado em 28/04/2014 13:18 / atualizado em 28/04/2014 13:29

Marinella Castro

Juarez Rodrigues
Ensina-se química, português e matemática. Acompanhamento escolar para ensino médio e fundamental. Aqui, aulas particulares. Franquia especializada em ensinar.De professor autônomo que atende o aluno em casa a empresas especializadas em ajudar o estudante a passar de ano.O reforço escolar se tornou um negócio próspero.

A rotina de aulas extracurriculares cresceu tanto que, no fim do mês, muitas famílias chegam a desembolsar o equivalente ao valor de uma nova mensalidade escolar, alcançando de R$ 700 a R$ 1.000. Comisso, o sucesso na escola e as boas notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) têm saído cada vez mais caro.


Compreços da hora-aula de R$ 50 a R$ 100 em Belo Horizonte, professores desse mercado já estão começado o ano com a agenda cheia. O comum há até pouco tempo era que a procura começasse a crescer a partir do segundo semestre, se intensificando no último bimestredo ano. As aulas de emergência, para ajudar naquela prova difícil, estão dando lugar ao acompanhamento quase rotineiro.

Pais, professores e especialistas enxergam uma combinação de fatores em favor da procura pelo reforço extra. O Enem, que garante a entrada nas universidades e que há quatro anos vem classificando as escolas conforme as melhores notas, gerou maior cobrança de conteúdo didático e ainda favoreceu o crescimento do reforço.

“As escolas passaram a cobrar mais do aluno depois do Enem. Mas existem outros fatores. A tecnologia que é um excelente parceiro da educação, pode ser mal usada, com excessos de games, bate-papos e rede sociais, o que torna o foco do aluno no estudo mais difícil para fazer provas que cobram grande hábito de leitura. Os pais também precisam trabalhar, e já não têm tanto tempo disponível para acompanhar os deveres dos filhos”, avalia o professor de matemática Rodrigo Lannes.

Os gastos dos brasileiros com educação privada atingiu R$ 55,8 bilhões em 2013, mais que o dobro dos R$ 26,7 bilhões observados em 2002, segundo pesquisa do Instituto Data Popular.O avanço dos investimentos no setor tem dado fôlego para novos negócios que surgem para apoiar o desempenho escolar do aluno. Entre as franquias, por exemplo, o segmento educação e treinamento está entre os que mais crescem e, no ano passado, avançou 16,6% em relação a 2012.

 

Educação mais cara

Entre as famílias, existe o sentimento de que a escola está cada vez mais difícil e cara. Para quem dispõe dos recursos, o professor particular funciona como uma espécie de salvador da pátria, ensina o conteúdo que não deu para aprender na sala. Por outro lado, o custo com aulas extras vai além do programado. A economista Karla Coelho prioriza os gastos com educação e investe no conhecimento das duas filhas, Marina, de 17 anos, eCarolina, de 12, que estudam em escolas bem pontuadas, de acordo com o levantamento do Enem.

Karla, no entanto, não esconde que a fatura pesa, e muito, no orçamento. “Sinto que está faltando um maior preparo das escolas para lidar com o Enem.Minhas duas filhas são estudiosas. A mais velha, que está no último ano do ensino médio, raramente precisava de aula particular durante o ensino fundamental. Já a mais nova faz o reforço com frequência. Os livros do ensino fundamental não estão adequados ao novo modelo das provas da escola”, lamenta. Além de mensalidades de R$ 2,4 mil para as duas filhas, a família gasta R$ 1, 5 mil com reforço para as adolescentes. “Considero esses gastos muito
pesados para a realidade do país, onde o salário mínimo é de R$ 724”, afirma a economista.

Lorena Gordon é mãe deHanlie, 12, que cursa a sétima série e também frequenta o reforço, ao custo de R$ 500 a R$ 600 pormês. A instrutora de espanhol chilena diz que em seu país o acompanhamento extraclasse está incluído no valor da mensalidade escolar e considera que os estudantes no Brasil poderiam ter maior suporte das escolas.

Para garantir o bom desempenho escolar da filha Ana Luiza, a psicanalista Flávia Galvão também gasta até R$ 900 por mês com as aulas particulares. “Sinto que a escola está apertando mais e ajudando menos.” Apesar dos gastos, ela considera que não dá para escapar das despesas, ou abrir mão da boa educação.

A professora Lívia Maria Nery está no mercado há 20 anos, trabalhando sempre como professora particular de física, química e matemática. Ela sentiu que sua demanda acelerou 30% depois do Enem. “A concorrência cresceu muito.Hoje os alunos disputam com estudantes de todo país uma vaga nas universidades.” Lívia, que conta com a agenda cheia diariamente, tem notado que seu mercado anda competitivo, com muitas ofertas. “Os pais aprovam o resultado, mas reclamam do custo.” (MC)
 

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