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Correio Braziliense

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Educação financeira começa na escola

Projeto de extensão do Laboratório Ábaco, da Faculdade de Educação, busca ensinar estudantes do 1º ao 9º ano, professores e familiares a utilizarem o dinheiro de forma consciente e sustentável

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postado em 28/04/2014 15:58

Agência UnB

Isa Lima/UnB Agência
O planejamento financeiro é, antes de tudo, uma questão de hábito. Como todo bom hábito, nada melhor que comece o quanto antes. Pensando nisso, o Laboratório Ábaco (Faculdade de Educação), sob coordenação do professor Gilberto Lacerda, estabeleceu parceria com uma empresa privada especializada em educação financeira para adaptar e testar na prática uma metodologia simples e didática, capaz de fazer com que crianças de 6 a 14 anos aprendam a importância de se saber ganhar, gastar, acumular e também investir o dinheiro com responsabilidade.

O projeto foi implantado ano passado em 12 escolas particulares de Brasília. No mesmo ano, 150 professores e 5,3 mil alunos tiveram acesso ao método, que inclui uma plataforma online com vídeos, materiais extras e fóruns, além de aulas presenciais e livros didáticos. São 16 atividades distribuídas em 20 aulas ao longo do ano letivo. Em 2014, todas as escolas brasilienses participantes renovaram a parceria e a previsão é que o método seja expandido para cerca de 40 instituições de ensino, atingindo 17 mil estudantes do Rio de Janeiro, Distrito Federal, de São Paulo e Goiás.

Apesar de recente, a iniciativa já apresenta resultados positivos. "Por meio de coleta de dados e observações, notamos pequenas mudanças de hábito", comemora uma das autoras do material, a professora da Universidade Aberta do Brasil (UAB/UnB) e mestre em Tecnologias da Educação pela UnB, Silvana Iunes. "Professores e pais nos relataram que houve avanços em relação à preocupação dos alunos com energia, por exemplo. Eles também aprenderam a refletir sobre o que é uma necessidade real e o que é um desejo de consumo", explica.

A educadora financeira e autora da metodologia Carolina Ligocki argumenta que a ideia é "ajudar as crianças a terem vida financeira própria, tendo a ética e a sustentabilidade como limites". O objetivo é partir da realidade próxima dos pequenos para discutir questões como o impacto ambiental do consumo, composição dos preços das mercadorias, noções de caro e barato. "Elas aprendem a ver que o lápis é feito de madeira, que vem da árvore. Morder ou apontar demais esse lápis gera um impacto na natureza", exemplifica. "Ter essa clareza ajuda as crianças a fazerem escolhas de consumo conscientes", completa.

As autoras também disponibilizam gratuitamente para os pais o livro Ajude seu filho a usar, gerar e ter dinheiro. Clique aqui para acessar a obra.

ENGENHOCA
Entre as ferramentas pedagógicas desenvolvidas para auxiliar os professores, uma das mais famosas foi apelidada de Engenhoca (foto). Ela é exibida em feiras e palestras e também pode ser adquirida pelas escolas. O objetivo é ajudar a criança a entender a noção de fluxo financeiro. A caixa d´água representa todo o dinheiro de uma família ou indivíduo. Ela é abastecida todo mês, e esse fluxo vem de tudo o que gera renda: investimentos, aluguéis, vendas e outras fontes. As necessidades (como alimentação, saúde, transporte, escola) e os desejos (viagem, carro, casa própria e diversas formas de lazer) são representados pelas torneiras. O papel do aluno é aprender a gerenciar o fluxo de cada torneira.

Acesse o vídeo de apresentação do projeto Educação Financeira na Escola.

TEMA ATUAL

O professor da Faculdade de Educação e coordenador do Laboratório Ábaco, Gilberto Lacerda, ressalta que a educação financeira consta nas diretrizes da Estratégia Nacional de Educação Financeira (Decreto Nº 7.397 de 22/12/ 2010) e é um componente curricular do Ministério da Educação. "Estamos presenciando um empoderamento financeiro da população brasileira. As pessoas não sabem lidar com o dinheiro, e é importante que aprendam", justifica Gilberto. "Além de atual, o tema possibilita uma abordagem interdisciplinar em sala de aula, envolvendo áreas como matemática, educação ambiental, ética, filosofia, entre outras", afirma o professor. "A palavra é inteligência financeira. E quanto antes se aprende, mais rápido se colhe os frutos", completa Carolina Ligocki.

SERVIÇO
De 5 a 9 de maio, uma série de atividades em todo o país comemora a Semana Nacional de Educação Financeira. Na Universidade de Brasília, haverá um bate-papo com educadores, aberto ao público, no dia 8 de maio, às 17h, na sala Papyrus, prédio FE 1, campus Darcy Ribeiro.
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