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Professores improvisam prática esportiva em escolas do Rio

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postado em 16/05/2014 10:08

Agência Brasil

Pela zona oeste do Rio, proliferam-se os campinhos de futebol, alguns dos poucos espaços públicos para a prática de esporte. As escolas, assim como os campinhos e a própria rua, muitas vezes, representam o único contato das crianças e dos adolescentes com o esporte. A Escola Municipal Guimarães Rosa, no bairro de Magalhães Bastos, é uma das incluídas no projeto Rio 2016, que incluiu novos esportes, como o rugby e o badminton, na educação física. A escola também é contemplada pelo programa Mais Educação, do governo federal, que oferece aos alunos atividades como a capoeira e o judô no contraturno das aulas regulares. A diretora da escola, Jorgina Rodrigues, diz que as aulas voltadas ao esporte fazem diferença no ambiente escolar. %u201CA gente sabe que a educação física na escola tumultua um pouco o ambiente para quem não está acostumado, mas a gente vê a diferença no aluno, na questão do respeito, da disciplina, da amizade, eles mudam de comportamento. É uma escola agitada, mas no bom sentido, porque isso vem trazendo um legado para eles mesmos%u201D. Fernanda Fernandes, 14 anos, gosta das aulas em que o esporte é o foco. %u201CEu me divirto, eu faço esporte que eu gosto, eu aprendo as coisas, gosto de conversar um pouquinho%u201D. Lucas Carvalho, 12 anos, espera melhorias na escola. %u201CA quadra está começando a rachar, era bom restaurá-la e também os materiais para fazermos educação física, e também ter uma cobertura%u201D. Mesmo com o título de unidade de referência, a escola tem apenas uma quadra, descoberta, para realizar todas as atividades. A diretora sonha com um espaço mais estruturado. %u201CO ideal seria ter uma escola com um espaço físico adequado, que tivesse, por exemplo, um lugar para os alunos tomarem um banho.%u201D Apesar de fazer parte de projetos de incentivo ao esporte, a escola ainda tem alguns gargalos a ultrapassar. Os professores Flávio Abdala e Marcos Matos mostram as bolas que, além de murchar com pouco tempo de uso, são feitas de um material de baixa qualidade que descola depois de algumas partidas. A quantidade de alunos nas turmas pode chegar a 40 e os uniformes são inadequados. %u201CÉ um short que a menina não quer usar, parece uma fralda, eu usei o short para dar um incentivo a eles, o short abriu no meio. Então, eu, sinceramente, fico chateado, nem cobro por causa disso. A gente não tem como comprar [outro uniforme], eu não posso exigir, a escola também quer que eles venham com o uniforme adequado e a gente fica nesse impasse%u201D, relata Abdala. Para fugir do sol, Matos conta que foi preciso inovar. Para isso, improvisaram um equipamento para a prática de arvorismo. %u201CA gente amarra uma corda de uma árvore até a outra e ensina a técnica para os alunos. Foi o jeito de aproveitar a sombra das árvores.%u201D Para ele, a realização da Copa no Brasil é motivo de festa, mas diante de tantas prioridades na cidade, o Mundial perde o glamour. %u201CMuito dinheiro foi gasto para isso, mas quando você vê a educação, a segurança, a saúde, os hospitais sem espaço para atendimento. O dinheiro que poderia ser investido nisso está sendo gasto em campo de futebol para mostrar para o mundo que o Brasil tem condições de fazer um Mundial, mas no que deveria investir mesmo, que é na estrutura do país para o povo brasileiro viver melhor, não está sendo investido.%u201D Segundo a Secretaria de Educação, das 1.004 unidades da rede municipal, 369 não têm quadras. Entre essas, 172 não têm espaço para a construção das quadras e atividades esportivas são feitas em clubes ou associações. A prefeitura promete a construção de 25 novas quadras de esporte até o final do ano. O projeto que deu origem a esta reportagem foi vencedor da Categoria Rádio do 7º Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, realizado pela Andi, Childhood Brasil e pelo Fundo das Nações Unidos para a Infância (Unicef).
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