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Uso de tecnologia na educação é irreversível, dizem especialistas

A forma de adotar os equipamentos tecnológicos, no entanto, ainda é controversa

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postado em 04/06/2014 10:36 / atualizado em 04/06/2014 10:45

Mariana Niederauer

Mariana Niederauer/CB/D.A Press
A tecnologia está presente no dia a dia de adultos e de crianças que já nascem inseridas em um universo com computadores, tablets, smartphones, videogames e redes sociais. As possibilidades são inúmeras e as escolas não podem dar as costas a elas. A diretora-executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, ressalta que o uso da tecnologia na educação é um caminho sem volta. “Essa é uma tendência irreversível”, atesta. O que falta, na opinião da especialista, é definir como esses mecanismos devem ser usados em sala de aula e preparar os professores.

“Existe um mito de que o professor é muito resistente a novas tecnologias, mas isso está diminuindo”, afirma. Ela observa que os docentes estão cada vez mais conectados a redes sociais e que precisam apenas ser formados para usar os mecanismos em sala de aula. “Não há mais a resistência de que se falava muito 10 anos atrás”, garante. Essa formação, segundo ela, além de se dar ao longo da carreira, precisa ocorrer na formação inicial.

Apesar de o uso apenas instrumental dos aparelhos tecnológicos não ser o ideal, Priscila acredita que ter um contato com os aparelhos é importante para que estudantes e professores tenham menos resistência na hora de usá-los com fins pedagógicos. “Num primeiro momento, é importante você dar acesso ao equipamento, se não, o aluno e o professor nunca vão perder o medo de usá-lo”, observa.

“Agora, é claro que esse equipamento deve estar inserido num projeto pedagógico, pois não podemos esquecer que a verdadeira tecnologia é a pedagogia”, acrescenta a diretora-executiva. Nesse sentido, as escolas devem ter um plano de aula bem preparado e oferecer classes interessantes que façam o aluno se conectar com o conteúdo por meio da tecnologia. Esse programa também precisa ser flexível, para se adaptar às diferentes realidades na sala de aula. “A tecnologia é uma grande viabilizadora do projeto pedagógico.”

Mariana Niederauer/CB/D.A Press
No exterior
O sistema UNO Internacional desenvolveu uma proposta pedagógica com uso de tablets em sala de aula e, em 2012, começou a colocá-lo em prática usando como referência o Colégio Dante Alighieri, em Campana, na Argentina, próximo a Buenos Aires. A experiência mostrou que a tecnologia pode ser aliada ao ensino de maneira a envolver o aluno ainda mais no processo de aprendizado.

Com o material todo disponível de maneira interativa e dinâmica, por meio de vídeos, esquemas e hipertextos, cabe ao professor orientar o uso. “Agora, o aluno tem à mão todo o conteúdo. O professor que tinha que transmitir o conteúdo agora tem que fazer com que o aluno trabalhe e descubra o que fazer com esse conhecimento”, explica Alfredo Vota, diretor-geral do colégio.

O projeto pedagógico da escola é baseado na linha construtivista, em que o aluno participa da construção do conhecimento e a prática ideal é definida turma por turma, e não de maneira unilateral, pelo professor ou por um projeto pedagógico engessado. “O aluno pode construir o conhecimento a partir da tecnologia”, afirma Vota. Nas salas de aula, os cerca de 900 alunos compartilham 200 tablets, que substituem os livros didáticos tradicionais. Isso não significa, porém que outras práticas clássicas e até lúdicas sejam deixadas de lado. Nas salas e no pátio professores usam lanterna e vaso de planta para explicar a fotossíntese e a amarelinha para os pequenos aprenderem a contar em inglês.

Em Brasília, o Colégio do Sol foi uma das 17 instituições que adotou o sistema Uno Internacional. “Consideramos que a escola precisa se adaptar à tecnologia como uma forma de evoluir e de oferecer recursos para uma educação atraente e prazerosa para os alunos”, afirma a diretora, Adryana Leony. Ela destaca que os professores são capacitados permanentemente para diminuir a resistência frente à novidade.

A conscientização, segundo ela, também precisou atingir pais e alunos, que, apesar de estarem acostumados a usar tablets no dia a dia, precisaram entender que essa tecnologia pode contribuir de maneira positiva também na educação. “Utilizamos uma plataforma on-line em que professores e coordenadores podem acessar todo o conteúdo e buscar aquele mais adequado para cada momento, de acordo com a realidade da sua turma. Assim, cada professor prepara, dentro do seu planejamento de aulas, o momento de uso do recurso do iPad”, diz.

Mariana Niederauer/CB/D.A Press
A principal diferença percebida com a adoção dos tablets, segundo Adryana, foi a motivação dos estudantes. Ela também destaca a possibilidade de atualização constante sempre que um fato novo acontece. “Ao mesmo tempo, não deixamos de usar os métodos mais tradicionais de ensino. Na alfabetização, por exemplo, isso é muito importante: os alunos continuam aprendendo a letra cursiva, utilizando os cadernos para treinar a escrita, isso não será abandonado”, garante. Apesar disso, a diretora observa que não é mais uma possibilidade ignorar a tecnologia na educação. “A tecnologia não para de avançar e, se a escola não fizer nada para acompanhar esse desenvolvimento, ela vai ficar para trás”, finaliza.

Debate
O uso de equipamentos eletrônicos em sala de aula, no entanto, ainda gera controvérsias. “O que temos observado nas opiniões de pedagogos é que ainda é controverso, não é unanimidade”, afirma do professor de matemática do Galois, Angel Prieto. Por isso, o colégio optou por incluir alguns facilitadores tecnológicos para o professor em sala de aula. Cada docente tem um tablet e as salas contam com projetor wireless. “Para mim, é um facilitador muito grande, e para o aluno também”, conta.

O acesso a equipamentos é restrito para os alunos, eles acompanham o conteúdo pelo livro didático tradicional. “Pelas pesquisas feitas e pelos palestrantes que recebemos, foi a forma que achamos de fazer com o que o aluno tenha concentração”, relata Prieto. “Nós não somos contra o uso da tecnologia, pelo contrário, o que temos feito é analisar o que é melhor para o andamento do aprendizado”, acrescenta.

*A jornalista viajou a convite do Uno Internacional
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