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2014 A COPA é AQUI »

Lições das figurinhas

Projeto desenvolvido por banca de revistas da Asa Norte doa cromos repetidos a instituições assistenciais e a alunos de escolas públicas do DF. Crianças que participam da iniciativa aprendem a importância da solidariedade

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postado em 10/06/2014 10:42 / atualizado em 10/06/2014 10:44

Maryna Lacerda

Daniel Ferreira

Da repetição se faz o novo, pelo menos quando se trata das figurinhas da Copa. Isso porque os selos adesivos duplicados que colecionadores do álbum da Copa adquirem se transformam em alegria para crianças da rede pública do Distrito Federal e instituições de caridade. Criado há 16 anos, o projeto Figurinha Solidária tem como proposta atender quem não tem condições de comprar o caderno.

Trata-se de uma iniciativa da Banca do Brito, na 106 Norte, em parceria com os moradores da quadra que, nesta edição, deve atender a 12 entidades. A mobilização gerada pela doação é significativa, a ponto de fazer com que um momento de diversão seja aproveitado, inclusive, como conteúdo programático em sala de aula.

O Figurinha Solidária nasceu da vontade do colecionador Fernando Gomide, 52 anos, de apresentar ao filho as brincadeiras da infância. “Essa meninada fica muito no computador, nem sabe jogar peão, bola de gude. Álbum de figurinha, então, eles só conheciam de ouvir falar”, conta. Por isso, ele e alguns vizinhos se juntaram para trocar figurinhas e, dessa forma, incentivar a brincadeira. “Surtiu muito efeito, o pessoal entrou nessa mania também”, avalia.

Até o Mundial passado, ele levava as figurinhas repetidas apenas às crianças atendidas pela Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace). Com a divulgação da iniciativa, outras casas de apoio e escolas entraram como parceiras do projeto. “A adesão tem sido enorme. A gente fica até desesperado para conseguir atender tantos pedidos”, brinca.

 As idas às escolas e aos asilos têm proporcionado a Gomide a oportunidade de se reencontrar com o lado alegre da competição. “A gente vive um momento triste no país, pois houve muito desvio de verba para fazer a Copa. Encontrar os meninos é uma forma de valorizar a felicidade que ela envolve”, afirma. Ao todo, foram arrecadados 10 mil selos repetidos, que são depositadas em uma caixa na banca de revista. “Nos fins de tarde, quando os colecionadores vão à banca para trocar as figurinhas, circulam 15 mil unidades, em média. Algumas se repetem com frequência e as que sobram colocamos para doação”, descreve.

Aprendizado
Nas páginas do álbum, mais do que nomes e rostos dos craques das 32 seleções que participam do campeonato, estão também dados sobre geografia, história e cultura dos países. Esses elementos fortalecem conteúdos aprendidos pelos estudantes do 2º ano da Escola Classe 8 do Cruzeiro.

A numeração das figurinhas é aproveitada em matemática; o nome dos países, em português, conforme explica a professora da turma, Claudia Rincon. “Os conteúdos são feitos de forma integrada. Com o álbum, eles identificam facilmente aquilo de que estamos tratando, como a sequência numérica e a escrita do nome dos países”, conta.

A localização regional de cada arena é outro exemplo apresentado pela docente. “Em geografia, falamos dos estádios, em que estado e região do país cada um fica e também o andamento das obras. Nós contextualizamos a situação de cada arena, abordamos os atrasos e a questão da mobilidade urbana”, cita Claudia.

O projeto da Copa, na escola, permanece mesmo com o encerramento da competição, diz a professora. “No álbum, há muita informação, que deve ser tratada de forma gradativa com os meninos. Eles ainda são pequenos e não podemos sobrecarregá-los com tantos conteúdos de uma só vez”, conta Claudia.

A lição que os 40 estudantes da turma aprenderam, no dia da doação das figurinhas, foi a de solidariedade, na avaliação da professora. “Abordamos a importância da troca, de reconhecer o que é do outro e saber partilhar”, elenca. A euforia com que recebiam o bolo de 10 selos contagiou aos pequenos se apresentou nos olhares, surpresos e encantados. “Ganhei todas essas figurinhas. Algumas estão repetidas e vou aproveitar para trocá-las. Quero uma do Neymar, porque ele é meu jogador preferido”, explica Iago Almeida Silva, 7 anos. Para ele, a atividade de que mais gostou foi a de pintar, no globo terrestre, os países que vêm para a Copa no Brasil. “Vi onde cada um fica”, diz.

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