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O Dia da Imigração Japonesa será comemorado quarta-feira

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postado em 15/06/2014 12:53 / atualizado em 15/06/2014 13:12

Ana Paula Lisboa

 

Os primeiros parentes nipônicos de Felipe, Helena e Eduardo chegaram ao Brasil há quase 60 anos (Fotos: Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press - 28/5/14) 
Os primeiros parentes nipônicos de Felipe, Helena e Eduardo chegaram ao Brasil há quase 60 anos

Você sabia que o Brasil abriga a maior população de japoneses fora do Japão? A vinda de cidadãos do país insular para terras tupiniquins começou há mais de 100 anos. Em 18 de junho de 1908, o navio Kasato Maru aportou em São Paulo com 781 camponeses orientais — é por isso que esse é o Dia da Imigração Japonesa. A partir daí, grande leva de lavradores nipônicos veio trabalhar no campo, principalmente nos estados de São Paulo, do Paraná e de Mato Grosso do Sul.

Ao contrário do que ocorreu com outros imigrantes, a mistura entre brasileiros e japoneses demorou a se concretizar — afinal, as diferenças de idioma, de costumes e de cultura eram bem maiores. A tradição oral é muito forte entre as famílias japonesas e, mesmo que os filhos e netos dos imigrantes nunca tenham ido ao Japão, lendas e costumes se mantiveram. A cultura nipônica hoje está por todo  canto: restaurantes de sushi são supercomuns, e milhares de brasileiros são fãs dos animes e mangás desse povo.

Mesmo num mundo moderno, reservar tempo para se lembrar de fatos passados e conhecer a história da própria família é muito importante. Afinal, descendentes de japoneses levam muito mais consigo do que belos olhos puxados.

Família Shimizu

A história da imigração, numa busca por uma vida melhor, merece ser lembrada e homenageada. É o que acredita Helena Eri Shimizu, 52 anos, filha de japoneses. Para não deixar a tradição se perder, ela passou costumes nipônicos para os filhos, Eduardo Taro, 13 anos, e Felipe Jiro, 9, por meio de lendas e da culinária. Sushi, sobá (macarrão japonês) e outras iguarias são comuns na mesa da família.

 Felipe até faz sushi — de peixe ou de morango — com a ajuda da mãe. As lendas foram passadas para eles desde o berço: antes de dormir,  sempre ouviram a mãe contar histórias antigas. E, é claro, os dois são fãs de animes, mangás e videogames do Japão.

O avô de Eduardo e Felipe, Massato Shimizu, 79, saiu da cidade de Oda, no interior do Japão em 1955, o que marcou a história desse ramo da família , como conta Eduardo:

— Meu avô veio para cá depois que a bomba caiu em Hiroshima, porque a cidade dele era próxima de lá, e tudo ficou devastado. Então, ele veio trabalhar no ramo agrícola em São Paulo.

Eduardo visitou no ano passado o Japão e conheceu vários parentes.

— Eu não falo japonês, mas consegui me comunicar com eles em inglês. Descobri que, em Oda, minha família foi a responsável por construir um templo budista de 650 anos. Fizemos um tour por várias cidades, inclusive por Tóquio, onde a irmã da minha mãe mora. Lá é muito legal, mas não penso em morar no Japão porque é diferente demais!

Da mitologia japonesa, a  história do Godzila é uma das preferidas de Eduardo. One Piece, Naruto e Dragon Ball são animes de que ele gosta. Felipe gosta de Pokémon e conta sua lenda japonesa preferida:

— Momotaro é um menino que nasceu dentro de um pêssego. O pêssego flutuou pelo rio até chegar a um casal que não podia ter filhos.  

Felipe adora origamis e sabe fazer várias figuras com dobras de papel. Ele deseja aprender a falar japonês — é uma forma de não deixar as raízes nipônicas morrerem.


Álbum de viagem

Eduardo e Felipe conheceram parentes japoneses 
Eduardo e Felipe conheceram parentes japoneses


Visitar o Japão pela primeira vez foi emocionante 
Visitar o Japão pela primeira vez foi emocionante


Eduardo (2º à direita) passeou por várias cidades 
Eduardo (2º à direita) passeou por várias cidades


Glossário da imigração
  • Nikkei: descendentes de japoneses
  • Nissei: filhos de japoneses
  • Sansei: netos de japoneses
  • Yonsei: bisnetos de japoneses
  • Dekassegui: nipo-brasileiros que foram trabalhar no Japão a partir da década de 1980
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