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Autores de crimes raciais fazem curso de conscientização

Aulas são uma parceria entre o departamento de Linguística da UnB, o Ministério Público do DF e Territórios e a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial

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postado em 02/07/2014 19:05

Agência UnB

O departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas da UnB (LIP-IL), a pedido do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (NED-MPDFT), realizou a primeira edição do curso de conscientização sobre racismo e preconceito racial para autores de crimes raciais.

As aulas aconteceram nos dias 24 de maio e 7 de junho no MPDFT. Ao todo, participaram 13 pessoas condenadas por injúria racial. Nenhum dos acusados era branco, fato que chamou a atenção da professora Francisca Cordélia Oliveira da Silva, organizadora do curso. “A turma era bastante heterogênea em termos de renda e formação dos participantes, mas todos eram pardos”, observa.

Segundo ela, o objetivo das aulas é coibir a reincidência por meio do estímulo à reflexão. "O problema não são as palavras em si, mas a forma como são ditas, com a intenção de agredir, ofender e humilhar as vítimas”, diz a professora. “Numa sociedade historicamente racista como é a brasileira, muitos agressores apenas repetem coisas que ouviram o que demonstra uma ignorância no uso da linguagem”, avalia.

Cordélia diz que as aulas são a parte educativa da pena, que prevê, para quem comete o crime de injúria racial, prestação de serviços comunitários e indenização às vítimas.

O curso é oferecido em quatro módulos, distribuídos em dois encontros de quatro horas aos sábados. O primeiro aborda conceitos e definições sobre racismo e preconceito; o segundo fala sobre a formação étnico-racial da sociedade brasileira; o terceiro trata das leis relacionadas ao assunto, e o quarto aborda o uso de palavras e expressões e o contexto em que são ditas.

A segunda edição está prevista para o mês de novembro. “A ideia é levar o projeto para outros estados e formar pessoas que trabalham, por exemplo, com atendimento ao público”, diz Cordélia. O curso também contou com a parceria da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Sepir-DF). 
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