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Time para a Copa da Educação

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postado em 11/07/2014 18:05

Agência UnB

Considerando o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) como a Copa Internacional da Educação, o Brasil em 2013 ocupou o 58º lugar entre 65 países avaliados. Essa posição incômoda não condiz com pensadores e empreendedores brasileiros da área da educação que hoje já não estão entre nós.

O propósito deste artigo é o de revisitar os ensinamentos e iniciativas desses verdadeiros brasileiros, escalando-os para um time que inspire ideias e ações para conquistarmos uma posição honrosa na Copa Internacional da Educação. A partir de um painel com mais de 50 pessoas, selecionamos 23 que citamos em ordem alfabética, resumindo as ideias ou protagonismos que direta ou indiretamente contribuíram para a melhoria da nossa educação.

1. Anísio Spínola Teixeira (considerado o Pelé da educação, pregou o desenvolvimento do intelecto em preferência à memorização); 2. Bertha Maria Julia Lutz (bióloga e figura significativa do feminismo no Brasil); 3. Caetano de Campos (criou a primeira Escola Normal de São Paulo, em 1984); 4. Celso Furtado (economista socialmente comprometido e com visão do Brasil do futuro); 5. Crodowaldo Pavan (genetecista e batalhador para a compreensão pública da ciência); 6. Darcy Ribeiro (antropólogo e educador, co-criador da Universidade de Brasília e da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro); 7. Edgar Roquette-Pinto (pai da radiodifusão educativa do Brasil); 8. Esther de Figueiredo Ferraz (primeira mulher a ser ministra da Educação); 9. Euclides da Cunha (trouxe o verdadeiro conhecimento do interior do Brasil); 10. Fernando de Azevedo (relator do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova); 11. Gilberto Freyre (interpretador do Brasil sob o ponto de vista da sociologia); 12. Heitor Villa-Lobos (educador musical com linguagem brasileira); 13. José Bento Renato Monteiro Lobato (educador infantil por meio da literatura); 14. José de Anchieta (fundou o primeiro Colégio do Brasil colonial); 15. José Reis (cientista e escritor, pioneiro da divulgação científica no Brasil); 16. Josué de Castro (descreveu as origens socioeconômicas da tragédia da fome); 17. Julio de Mesquita Filho (um dos fundadores da Universidade de São Paulo); 18. Maria Julieta Ormastroni (caçadora de talentos e criadora do Concurso Cientistas do Amanhã); 19. Manuel Bergströn Lourenço Filho (pioneiro na educação infantil e na psicologia educacional); 20. Oscar Niemeyer (educador pela arquitetura e urbanismo); 21. Oswaldo Cruz (sanitarista e educador da saúde); 22. Paulo Freire (patrono da educação brasileira, introduziu a Pedagogia do Oprimido); 23. Sergio Buarque de Holanda (por intermédio da antropologia cultural, estudou as raízes do Brasil).

A escalação desse plantel é oportuna, no clima de Copa do Mundo, para motivar os torcedores para a conquista da qualidade da educação no Brasil. Quando o Legislativo, passando a bola para o Executivo, que promulgou o Plano Nacional de Educação, foi conquistado um gol de placa. Mas cuidado! A partida não é de 90 minutos e sim de várias décadas.

Nessa batalha será fundamental termos políticas de Estado contínuas, com investimentos corretos, formação e valorização dos professores, infraestrutura adequada, gestão profissional, a participação da família e avaliação permanente no processo educacional. As necessidades do processo ensino-aprendizagem do século 21 requerem o uso intensivo da web.

A extensão territorial do Brasil impõe nova logística para a educação. A sala de aula está cada vez mais fora da escola, como na Idade Média a educação saiu dos conventos. Ela está presente nas empresas, nas redes sociais e na tevê. Propomos a criação de redes de tevê educativas em cada uma das cinco regiões brasileiras, obrigatoriamente com suas centrais de produção, o que pode transformar o Brasil em grande exemplo de como dar um salto criando uma vasta e mais democrática comunidade educacional, que certamente contribuirá para diminuir a vergonhosa desigualdade social. Nesse cenário do futuro é preciso, acima de tudo, investir nos exemplos legados pela seleção proposta que apresentamos aos 200 milhões de brasileiros. Avante, Brasil! Todos pela Copa da Educação.

Isaac Roitman é professor emérito da Universidade de Brasília e membro da Academia Brasileira de Ciências

Sergio Mascarenhas é pesquisador emérito do CNPq/MCTI e membro da Academia Brasileira de Ciências
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