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Ensino médio

Universidade ajuda escolas do Paraná no combate à evasão

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postado em 18/08/2014 12:17

Portal MEC

Encantar para Ficar é um projeto de redução da evasão escolar desenvolvido por professores e estudantes da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) em duas escolas públicas de ensino médio em Foz do Iguaçu, Paraná. O projeto reúne educadores da universidade, acadêmicos do curso de ciências da natureza que se preparam para o magistério em química, física e biologia, supervisores e 90 alunos do ensino médio público das escolas Dom Pedro II e Gustavo Dobrandino da Silva. O projeto tem o apoio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) do Ministério da Educação.

Em 2013, educadores da Unila fizeram um diagnóstico da alta evasão entre estudantes do primeiro ano do ensino médio nas duas escolas. O trabalho levou à criação do projeto Encantar para Ficar. A pesquisa para entender as razões do abandono escolar tão precoce — em torno de abril e maio —, abordou diretores, pedagogos e alunos.

Segundo a coordenadora do projeto, a pedagoga Catarina Fernandes, os estudantes foram objetivos nas respostas — não entendiam as disciplinas de ciências exatas, tiravam notas baixas e abandonavam as aulas. Também foi indagado aos estudantes, uma vez fora da escola, aos 15 ou aos 16 anos de idade, para onde eles iam. A resposta foi decisiva para a universidade. Muitos jovens se tornavam atravessadores de mercadorias. Ou seja, levavam produtos de forma ilícita de Ciudad del Este, no Paraguai, para Foz do Iguaçu. Da urgência de mudar esse cenário surgiu o projeto.

O Encantar para Ficar envolve duas ações de aprendizagem. Uma com 15 estudantes de licenciatura (cinco em física, cinco em química e cinco em biologia), bolsistas do Pibid; outra, com 90 alunos do ensino médio (30 da escola Dom Pedro II, no bairro Morumbi, e 60 da Gustavo Dobrandino, no bairro Jardim Patriarca). Participam três professores pesquisadores da Unila nas áreas de física, química e biologia e três supervisores das escolas, sob a coordenação de Catarina Fernandes.

Sair do giz e ir para o laboratório. Esse roteiro norteia o projeto, que tem várias dinâmicas, segundo a coordenadora. O processo começa com os bolsistas da Unila, por disciplina. Os cinco acadêmicos de química, por exemplo, assistem a uma aula do professor da matéria na escola do ensino médio. Depois da aula, têm encontro com o supervisor da disciplina na escola e com o pesquisador de química da Unila. Ali, eles tiram as dúvidas e se aprofundam no conteúdo abordado pelo professor do ensino médio. Na etapa seguinte, cada bolsista vai ao laboratório com um grupo de alunos, na função de monitor. A jornada semanal do monitor é de 12 horas.

Avaliação — Catarina salienta que o aluno da licenciatura aprende melhor os conteúdos com o pesquisador. Depois, como monitor, tem o desafio de explicar e também tirar dúvidas, além de praticar a docência, que é o objetivo da formação superior. Para os alunos do ensino médio, as aulas de reforço e os experimentos no laboratório dão o suporte que precisam para aprender e melhorar as notas. Servem também de estímulo para continuar estudando.

Segundo o professor de física do Centro Interdisciplinar de Ciências da Natureza da Unila, Rodrigo Leonardo de Oliveira Basso, que participa do projeto na escola Dom Pedro II, o Encantar para Ficar atua para reduzir a evasão tanto de alunos de licenciatura quanto dos que estão no ensino médio. Ele explica que é forte a parte experimental. O bolsista de licenciatura aprende a usar o laboratório e descobre outras dimensões da disciplina e suas aplicações. O mesmo acontece com os adolescentes e jovens do ensino médio. Os experimentos ajudam na compreensão do conteúdo e reforçam a permanência na escola.

Resultados — Embora o projeto seja novo — começou este ano —, a primeira boa notícia é a permanência nas escolas dos 90 estudantes do ensino médio. Além disso, os 15 bolsistas de física, química e biologia têm se destacado entre os colegas de turma na Unila.

Para os professores dessas disciplinas nas duas escolas, o destaque é aprender a usar os laboratórios nas próprias unidades de ensino. Rodrigo Basso observa que muitos professores deixam de dar aulas no laboratório por falta de carga horária. O projeto também pode ajudar nessa mudança. Para a Unila, segundo Catarina, a maior conquista é o exercício da função social da instituição. O Encantar para Ficar tem duração de 48 meses, com bolsas do Pibid.
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