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Ideb mostra piora no ensino médio, mas alcança meta de anos iniciais

DF só atingiu a meta nos anos iniciais do ensino básico. Goiás teve o melhor desempenho no ensino médio

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postado em 05/09/2014 15:34 / atualizado em 05/09/2014 21:35

Dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgados nesta sexta-feira (5), revelam que o Brasil superou as metas propostas pelo Ministério da Educação (MEC) para 2013 relativas aos ciclos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) em 0,3 ponto, mas não alcançou as metas estabelecidas para o fim do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e para o ensino médio.

Em entrevista coletiva, o ministro da Educação, Henrique Paim, atribuiu o resultado negativo dos anos finais e do ensino médio à problemas de gestão, infraestrutura e formação de professores. "Nós tivemos resultados importantes nos anos iniciais e acreditávamos que esse resultado atingiria os anos finais e o ensino médio como uma onda. No entanto, o que percebemos é um efeito moderado, principalmente pela complexidade de gestão e pela formação de professores".

Os índices apontam piora no ensino médio do país em relação ao ano de 2011. Na rede privada, o índice nacional caiu 0,3 ponto, passando de 5,7 para 5,4. A rede estadual manteve o mesmo índice (3,4), assim como a rede federal (5,6). Durante a entrevista, Paim sinalizou a necessidade de mudança de currículo do ensino médio. "É preciso encontrar uma forma de flexibilizar o currículo do ensino médio e de torná-lo mais atrativo. Além disso, ele pode avançar no sentido de abertura para o mercado de trabalho, por meio de iniciativas como o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico)".

Alejandra Meraz Velasco, coordenadora geral do movimento Todos pela Educação, comenta alguns aspectos da pesquisa. "As metas dos anos iniciais foram cumpridas, não há sinal de alerta. As políticas de alfabetização vem se consolidando. O problema surge a partir do 6º ano, quando os alunos passam a ter vários professores". A coordenadora citou índices do MEC que mostram que apenas 32,8% dos professores dos anos finais do ensino fundamental têm licenciatura na área em que atuam.

"No ensino médio, a coordenadora destacou a necessidade de mudança no currículo. "Apenas metade dos jovens estão com no ensino médio com a idade certa, o que gera abandono. O currículo é focado no ingresso no ensino superior, o que vai contra as quatro horas diárias obrigatórias de carga horária". A especialista também viu com preocupação o desempenho das escolas particulares "No nível nacional e em alguns estados o nível é preocupante. As instituições particulares não têm uma prova Brasil para avaliá-las. Essas escolas são almejadas pelos pais, mas nem sempre correspodem ao melhor ensino", disse, ressaltando que o resultado das escolas particulares é amostral.

Números locais
Nos anos iniciais do ensino fundamental, apenas o Amapá e o Rio de Janeiro não atingiram as metas. Já nos anos finais, 20 unidades da federação ficaram abaixo do nível esperado. No ensino médio, os únicos estados que superaram a meta foram Amazonas, Piauí, Pernambuco, Rio de Janeiro e Goiás. Mato Grosso do Sul teve índice igual ao estabelecido pela meta. Goiás obteve nota de 3,8 no Ideb e figura na primeira posição entre as unidades da Federação. Em 2011, ocupava a 5ª posição e, em 2009, estava na 16º colocação.

Resultados do DF
O Distrito Federal superou a meta para anos iniciais do ensino fundamental em 0,1 ponto, mas ficou abaixo do esperado nas séries finais do ensino fundamental e no ensino médio. Confira abaixo os índices do DF.

 

Distrito Federal 4ª série/5º ano

 Ideb alcançado

Meta do Governo


2013   

5.9    

5.8

2011

5.7    

5.6



Distrito Federal  8ª série/9º ano

Ideb alcançado

Meta do Governo


2013       

4.4

4.7

2011   

4.4    

4.3



Distrito Federal  3º Ensino Médio

 Ideb alcançado

Meta do Governo


2013    

4.0    

4.1


2011

3.8

3.9

 

Ensino médio

O Ideb nacional do ensino médio se manteve em 3,7. A rede estadual – responsável por 97% das matrículas da rede pública – registrou o mesmo índice de 2011 (3,4), assim como a rede federal (5,6). A rede privada apresentou queda, passando de 5,7 para 5,4.

Educação básica

Em relação ao ensino fundamental em território nacional, nos anos iniciais (1º ao 5º ano), o índice subiu 0,3 ponto em relação à 2011, enquanto que, nos finais (6º ao 9º ano), a melhora foi de apenas 0,1 ponto – totalizando 5,2 e 4,2 pontos, respectivamente.

Nos anos finais (6º ao 9º ano) do ensino fundamental, o Ideb nacional cresceu de 4,1 em 2011 para 4,2 em 2013. Do total de 5.369 municípios com índice da rede pública calculado nessa etapa, 39,6% atingiram as metas previstas para 2013 na rede pública, que atende a 86,5% dos matriculados nessa etapa (um total de 13.304.355 estudantes). Na rede federal, o Ideb se manteve em 6,3.

O Ideb é obtido pelas notas do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e pela taxa média de aprovação percentual.

Confira as tabelas de resultados

Resultado – Brasil
Resultado – ensino médio por UF
Resultado – Municípios Anos Iniciais
Resultado – Municípios Anos Finais
Acesse o sistema
Confira a apresentação do Ministro

Progressão

Em 2005, quando o Ideb foi calculado pela primeira vez, 57,5% (7,1 milhões) das crianças nos anos iniciais estavam matriculadas em escolas municipais de redes de ensino com avaliação abaixo de 3,7 — média nacional de então. Com a evolução do indicador nos últimos anos, o percentual caiu para 16,2% (1,7 milhão) em 2013. Com relação aos índices de avaliação mais elevados, ainda nos anos iniciais, o registro em 2005 era de 2,9% das crianças (cerca de 357 mil matrículas) matriculadas em escolas municipais com Ideb acima da nota 5,0. Em 2013, o percentual saltou para 45% - 4,8 milhões de estudantes – na mesma situação.

Como o Ideb é calculado
A nota varia de 0 a 10. O Ideb é calculado a partir de dois componentes: taxa de rendimento escolar (aprovação) e médias de desempenho nos exames padronizados aplicados pelo Inep. Os índices de aprovação são obtidos a partir do Censo Escolar, realizado anualmente pelo Inep. As médias de desempenho utilizadas são as da Prova Brasil (para Idebs de escolas e municípios) e do Saeb (no caso dos Idebs dos estados e nacional).

A forma geral do Ideb é dada por:
N x Pi; em que,
i = ano do exame (Saeb e Prova Brasil) e do Censo Escolar;
N  = média da proficiência em língua portuguesa e matemática, padronizada para um indicador entre 0 e 10, dos alunos da unidade j, obtida em determinada edição do exame realizado ao final da etapa de ensino;
P = indicador de rendimento baseado na taxa de aprovação da etapa de ensino dos alunos da unidade j;

Envio das notas às escolas
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) esclarece que os resultados da Prova Brasil foram encaminhados às escolas e aos secretários estaduais e municipais de educação para validação. Os recursos apresentados, mais de 300, foram analisados pelo Inep e após a comunicação aos interessados, os valores do Ideb para escolas e sistemas de ensino foram calculados e estão sendo finalizados para divulgação.

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