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Estudantes brasilienses apresentam pesquisa em Portugal

Duas alunas do ensino médio participam de congresso sobre educação

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postado em 12/09/2014 18:12 / atualizado em 12/09/2014 19:21

As alunas do 3º ano do ensino médio Maria Luiza Munhoz, 17 anos, e Sofia Todd Tombini, 17, embarcam com o professor de sociologia Leandro Grass nesta terça-feira (16) para Portugal, a fim de apresentar no XI Colóquio sobre Questões Curriculares o resumo da pesquisa Currículo cheio, escola vazia: o abandono como efeito de uma escola instrucionista. O congresso ocorre de de 18 a 20 de setembro na Universidade do Minho, localizada na cidade de Braga, em Portugal.

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Ansiosa para compartilhar o próprio trabalho e conhecer as produções de outros pesquisadores, Maria Luiza diz ser um grande desafio representar o Brasil no exterior. “Eu fico muito feliz! É uma coisa muito nova, ir no ensino médio para congresso onde estão pessoas já na universidade, junto a mestres e doutores”, comenta.

Além de Maria Luiza e Sofia, a aluna do 3º ano Laís Vasconcelos, 17, e os secundaristas do 2º ano Lucas Lôbo, 16, e Luisa Levy, 16, participaram da produção do artigo. Para investigar a evasão escolar e relacioná-la a métodos pedagógicos, os estudantes realizaram entrevistas com estudantes da rede pública que abandonaram a escola. Após interpretação das entrevistas com base na bibliografia estudada, os estudantes do Marista perceberam que o desinteresse dos alunos em situação de evasão escolar pode estar ligado às práticas tradicionais de ensino.

Pesquisa
Com base em leituras do sociólogo e educador Paulo Freire, principalmente a obra Pedagogia do Oprimido, Maria Luiza categoriza o modelo tradicional de ensino como bancário: o professor, à frente da turma, possui todo o conhecimento já trabalhado e deve passá-lo para os alunos, que apenas recebem as informações e formam um banco de dados sem muita utilidade prática. “Isso não estimula o pensamento crítico porque não trabalha a construção do conhecimento no aluno”, explica.

Por meio da pesquisa acadêmica, além de compreender melhor o panorama da educação no Brasil, Maria Luiza aprendeu a analisar criticamente o próprio ensino que lhe é oferecido. “Eu gosto muito da pesquisa, porque é um desvio desse modelo bancário. Nós é que construímos o que aprendemos. Foi muito mais vantajoso que assistir a uma aula sobre o assunto”, esclarece.

O professor Leandro Grass acredita que a iniciação científica deveria ser incentivada desde o ensino médio, por desenvolver competências como a capacidade de fazer associações e de interpretar e escrever textos, importantes tanto para vestibulares quanto para a própria graduação. Além disso, o professor critica a preocupação dos colégios exclusivamente com as provas de ingresso no ensino superior. “As escolas pensam que preparar o aluno para a universidade é só preparar para os exames e vestibulares, enquanto o aluno chega na universidade sem experiência de produzir conhecimento e se organizar para estudo sério”, enfatiza.
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