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Sesi cortará bolsas de ensino

A unidade de Taguatinga dará prioridade à formação dos estudantes do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). O sindicato dos trabalhadores prevê que instituição fechará as portas como ocorreu com a de Ceilândia

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postado em 31/10/2014 10:35

Rodolfo Costa

Cadu Gomes/CB/D.A Press - 13/2/09
Bolsas de estudo destinadas a alunos do ensino fundamental do Serviço Social da Indústria (Sesi) de Taguatinga estão com os dias contados. A princípio, a prioridade está voltada para graduandos dos cursos técnicos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Contudo, até mesmo esses estudantes podem estar na mira dos cortes de gastos. Na avaliação do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência Social e Formação Profissional de Brasília (Sindaf-DF), a suspensão dos benefícios pode ser o início da precarização dos serviços, levando ao fechamento da instituição. O objetivo seria a venda do complexo de ensino para o mercado imobiliário.

“A suspensão de bolsas é o primeiro passo para promoverem o esvaziamento do Sesi. Depois disso, acabam com os serviços odontológicos, médicos e as práticas esportivas. No fim das contas, não apenas os estudantes sairão prejudicados. Os trabalhadores também”, denunciou o presidente do Sindaf-DF, Paulo Sérgio Pereira. O Centro Social Presidente Eurico Gaspar Dutra (Cegad), nome original da instituição, é a maior unidade do Sesi no Distrito Federal. A área, segundo Pereira, é uma das mais valorizadas na região administrativa. “O local é um patrimônio da cidade, regado de muita história. Foi onde Joaquim Cruz (medalhista olímpico brasileiro de atletismo) começou a treinar. O encarecimento do acesso à educação inviabilizará a matrícula de muitos jovens da comunidade. Sem isso, a entidade não encontraria muita resistência em colocar o espaço à venda”, reclamou.

Corte de verbas


A diretoria do Sesi de Taguatinga, organização sustentada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com dinheiro dos trabalhadores e da sociedade, chamou os responsáveis pelos estudantes e alegou que as verbas foram cortadas. A prioridade do Sesi, segundo informaram, passou a ser os cursos técnicos do Pronatec. Pais de alunos do ensino fundamental que quiserem continuar estudando na unidade terão que arcar com mensalidades de quase R$ 900, além do material didático. Como as aulas são em tempo integral, a fatura será acrescida da alimentação, uma vez que o serviço foi terceirizado.

De acordo com o Sesi, a instituição está em processo de revisão dos critérios para priorizar o atendimento e a oferta de bolsas e descontos ao trabalhador da indústria e dependentes. Quanto à gratuidade, a decisão é atender os alunos do ensino médio que fazem cursos profissionalizantes do Senai, por considerar um segmento no qual são preparados os profissionais para a indústria. “Como toda entidade privada sem fins lucrativos, o Sesi e o Senai precisam buscar a sustentabilidade financeira, respeitando a legislação a que estão submetidos. Isso permite que haja flexibilidade na gestão e critérios de oferta de benefícios, como bolsas de estudo”, explicou a entidade, por meio da assessoria de imprensa.

Na unidade de Taguatinga, estão matriculados 1.047 alunos. Do total, 497 são bolsistas. Desse total, 271 estão no ensino fundamental e 226, no nível médio. Para o próximo ano, a entidade planeja manter 30% de bolsas integrais. “O foco é atender ao ensino médio articulado à educação profissional. Além disso, haverá condições diferenciadas, como descontos, para a indústria, conveniados e contribuintes, além dos empregados das entidades do Sistema Indústria”, informou a assessoria de comunicação.

Ceilândia

O esvaziamento, na opinião de Pereira, seria uma repetição do que aconteceu no Sesi de Ceilândia. No fim de 2011, a entidade fechou as portas para a comunidade. Rumores na época indicavam que a área seria vendida para redes de supermercado ou empresas da construção civil. “Só não foi parar nas mãos de grandes empresários por pressão popular. No início de 2012, mobilizamos um protesto, e o Conselho Nacional do Sesi retirou o processo de venda. Orientamos no sentido de que fosse feita uma permuta com o governo”, explicou o presidente do Sindaf-DF.
Hoje, o Centro de Atividades General Edmundo Macedo Soares (Cemas), antigo Sesi de Ceilândia, passou para o Governo do Distrito Federal (GDF), que abrigará no local a Escola Parque Anísio Teixeira. As instalações foram entregues pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em contrapartida de um acordo em que receberia da gestão do governador Agnelo Queiroz um terreno próximo à Rodoviária Interestadual de Brasília, onde deve ser instalada uma escola de formação de professores.

Quanto às denúncias de Pereira, o Sesi negou qualquer especulação sobre venda da área, e afirmou que a unidade está passando por mudanças, criando políticas e critérios de atendimento, com foco no público da indústria, reiterando ter grandes expectativas em relação ao próximo ano. A instituição ainda informou que os recursos do Pronatec são repassados exclusivamente para a educação profissional do Senai, ressaltando que a legislação não prevê o repasse de qualquer recurso para o Sesi nesse programa.
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