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Dupla de ouro no estudo

Larissa e Lucca formam dobradinha brasiliense entre alunos do sexto e do sétimo anos da Olimpíada Brasileira de Matemática. A fim de alcançar o feito entre 6 milhões de inscritos no nível deles, o segredo é só um: cabeça nos livros e dedicação às aulas

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postado em 04/12/2014 10:16

Bernardo Bittar /

Estudantes do Colégio Militar, Larissa e Lucca não economizam nem o fim de semana quando o assunto é se dedicar ao aprendizado (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press) 
Estudantes do Colégio Militar, Larissa e Lucca não economizam nem o fim de semana quando o assunto é se dedicar ao aprendizado


Larissa Cristina Bertanha e Lucca Duarte Rodrigues, ambos de 11 anos, são os mais jovens alunos de Brasília a vencer a 10ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Eles conquistaram, respectivamente, o primeiro e o segundo lugar na competição de nível 1, que avalia os alunos do sexto e do sétimo anos — os dois também levaram a medalha de ouro, que é dada aos estudantes que atingem 9 como nota mínima. Ao todo, 200 crianças de todo o país foram contempladas na categoria, do total de 6 milhões de inscritas para o nível deles.

Para conquistar a vaga no disputado certame, Larissa dedicou-se aos livros durante, pelo menos, duas horas por dia — além das aulas. No período, ela faz exercícios, resume o que aprendeu na escola e frequenta aulas particulares ministradas pelo pai, Paulo César, e Waldery Rodrigues, que é pai de Lucca, em um grupo de estudos aos fins de semana com cerca de 15 alunos do Colégio Militar de Brasília, onde os dois frequentam. “Não dá para deixar a matéria acumular. O segredo não é ficar se matando perto das provas, e sim ter uma rotina”, explica a tímida menina, que sempre foi exemplo de dedicação para os colegas de classe.

Também dedicado, Lucca tem um jeito próprio de aprendizado. Em uma época digital, o menino eloquente, com vocabulário avançado para a idade, garante ter mais rapidez fazendo contas no papel. “Eu sou mais ágil quando escrevo. De cabeça, também sei fazer. Mas é um pouco mais demorado.” A habilidade com os lápis não se restringe a cálculos, pois Lucca também é um exímio desenhista. No tempo que está longe dos livros, Lucca costuma rabiscar projetos de aviões, “sempre comerciais”, detalha.

A dupla, moradora da Asa Norte, não ganha mesada, não sai de casa desacompanhada e tampouco gosta de passar horas pendurada na frente do computador. Porém, recebe presentes como tablets e smartphones sempre que a nota dos boletins é alta. “Aqui em casa, a média era 9. Agora, estamos em 9,8. Senão, fica muito fácil”, conta a mãe do menino, Cynthia Fernanda Rodrigues, 45 anos. Na residência dos Bertanhas, a média que vale presentes é 10. “Sempre foi assim. Então, não tem motivos para ganhar prêmios quando a nota abaixa”, afirma a mãe de Larissa, Josiane Cristina Bertanha, 44, que proíbe o uso das tecnologias durante a semana.

Nenhuma das mães trabalha fora de casa. Elas passam o dia por conta das atividades dos rebentos, que, além de estudar, fazem aulas de música e natação. Larissa é adepta da flauta transversal, que aprendeu a utilizar em um curso para crianças na Universidade de Brasília (UnB) — e continuar a praticar no Colégio Militar. Na mesma instituição, Lucca pretende aprender os segredos do saxofone alto. “Ainda estou na flauta doce, que é o instrumento que todos são obrigados a aprender. No próximo ano, mudo para o sax.”

Futuro
Larissa ainda não sabe se vai dar continuidade ao sonho atual, mas a bola da vez no assunto “profissões futuras” é a medicina. Para Lucca, a escolha fica entre ser astronauta ou piloto de avião. Uma coisa é certa: na faculdade, ele pretende cursar engenharia aeroespacial. Segundo o pai do menino, o economista Waldery Rodrigues, 47, o filho é muito dedicado e persistente nos objetivos. Porém, ele explica que “talento é apenas uma pequena parte dos instrumentos para realizar os sonhos. O resto é força, perseverança e estudo”, lembra.

Daqui pra frente, porém, os meninos estão de férias. Mesmo assim a rotina de estudos não será interrompida. Lucca pretende dedicar-se aos livros por, pelo menos, duas horas por dia. “Para não perder o hábito. Senão, fico enferrujado”, garante. Larissa também vai continuar com as páginas abertas. Porém, até o fim de janeiro, só com livros de ficção.




Premiados

Lista dos medalhistas de ouro do nível 1 do Colégio Militar de Brasília

  • Larissa Cristina Bertanha
  • Leonardo Moraes Lins de Carvalho
  • Lucca Duarte Rodrigues
  • Henrique Carvalho Wolski
  • Maria Eduarda Sarzi Pasa
  • Yuri Giámoco Lucena Barroni

 

 

18,2 milhões
Quantidade de alunos de todo o Brasil inscritos na 10ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas



Para saber mais
Revelação de talentos


A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) é uma realização do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), que tem como objetivo estimular os estudos da matéria e revelar talentos na área. A competição é destinada apenas aos alunos da rede pública de ensino que estão matriculados entre o 6º ano e o ensino médio. Todos os estudantes premiados com medalha de ouro ganham uma ajuda de custo chamada Programa de Iniciação Científica Jr (PIC), no qual eles estudam matemática por um ano com bolsa no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

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