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Desafio nas salas de aula

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postado em 29/12/2014 11:43 / atualizado em 29/12/2014 11:44

Manoela Alcântara

Janine Moraes/CB/D.A Press
Garantir o início do ano letivo com professores em sala de aula e escolas em boas condições de funcionamento é o primeiro desafio do futuro secretário de Educação, Júlio Gregório. Na última semana, a equipe de transição do governador eleito, Rodrigo Rollemberg (PSB), divulgou um relatório prevendo uma crise no setor. O nome escolhido para gerir a pasta anunciou planos para evitar a paralisação de aulas e a suspensão de disciplinas por falta de professores. Gregório prevê tirar docentes de áreas administrativas e realocá-los em sala. Além disso, pretende contratar temporários para suprir os deficits provocados por atestados e expandir a educação integral.

A medida inicial, em janeiro, será repassar o recurso do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (Pdaf) aos colégios a fim de possibilitar que diretores façam as devidas arrumações para receber os estudantes: cortar grama, pintar paredes, arrumar torneiras e outros serviços. Também foi identificada uma carência de 3.234 educadores na rede pública de ensino. “Contamos com a consciência de todos os professores para assumir esse grande compromisso. Em um momento como este, não há como termos uma quantidade considerável de professores em atividade que não seja de docência. Na medida em que organizarmos as redes, poderemos fazer as substituições, e os coordenadores voltarão a essa função”, diz o secretário (leia Quatro perguntas para).

Mas a falta de educadores, sendo 406 de matemática e 406 de português, só deve ser confirmada após as matrículas e os remanejamentos, pois alguns professores passam por processo seletivo para mudar de escola. “Analisaremos as carências geradas por licenças de gestantes e médicas e afastamentos temporários. Vamos cobrir isso com profissionais contratados temporariamente”, adianta Júlio Gregório. A Secretaria de Educação realizou um concurso para a seleção de docentes que será aproveitado.

Creches
Bandeira de Rodrigo Rollemberg durante a campanha para o governo do DF, a educação integral tem uma proposta para acontecer na nova gestão. “Não podemos pensar nesse tipo de ensino somente mantendo o aluno o dia todo na escola. O que precisamos fazer é trabalhar a formação integral, garantindo uma relação estreita com as secretarias de Cultura, de Esportes, de Cidadania e outras”, completa o futuro secretário. Ele ressalta que a falta de espaço físico não é problema para que o objetivo não se cumpra. Todas as ações podem ser desenvolvidas por meio dessas parcerias.

Júlio Gregório considerou ainda má gestão do atual governo o fato de a construção de 112 creches não ter se concretizado. Menos da metade delas foi construída, mesmo com recursos do governo federal em caixa. “Houve problemas para a definição de áreas. Isso envolve questão ambiental, alvará e outros. Não conseguiu executar por falta de gestão”, avalia. O plano para o próximo governo é chegar ao objetivo e ainda intensificar as parcerias com as creches para ofertar o serviço à população. “O atual governo tem dito que pagará todas as dívidas e deixará o sistema em condições adequadas. Temos a função de buscar recursos para a renovação dos serviços, não só os atrasados, mas todos”, conclui.

 

Quatro perguntas para // Júlio Gregório, futuro secretário de Educação

O que a população de Brasília pode esperar do próximo secretário de Educação?
A minha missão, inicialmente, é assegurar que as escolas públicas tenham condições mínimas de funcionamento já no início do ano letivo. Ele deve começar com aulas, com professores nas salas. Estamos trabalhando para liberar o Pdaf (Programa de Descentralização Administrativa e Financeira) ainda em janeiro. Quanto aos professores, que, nesta época do ano, estão mudando de escolas devido ao remanejamento, vamos analisar as licenças geradas e podemos cobrir as faltas com temporários. Alguns componentes curriculares não dispõem de profissionais no cadastro de reserva.

Como pretende fazer a educação integral se consolidar no DF?
Por meio da interação entre as diferentes secretarias, podemos desenvolver projetos. Não podemos pensar que educação integral é apenas manter o aluno o dia inteiro nas escolas. Temos de trabalhar para uma formação integral. O fato de não termos espaço físico para desenvolver esse projeto não impedirá que comecemos a trabalhar dentro da proposta curricular embasada pelo MEC e pelo Conselho Nacional de Educação.

Os professores das áreas administrativas voltarão para as salas?
Contamos com a consciência de todos. Acreditamos em um grande compromisso da categoria para voltar às salas. Não tem como, neste momento, mantê-los longe delas. Na medida em que formos organizando as redes, os coordenadores poderão voltar aos cargos gradativamente. Os indicadores são assustadores, e o grande foco é receber os alunos e dar condições para as aulas.

Havia um compromisso do governo de construir 112 creches, mas não conseguiu alcançá-lo. Pretende dar prosseguimento às obras?
Houve problemas, sobretudo para a definição de áreas identificadas para as creches. O governo não conseguiu executar as obras por questão de gestão. Não conseguiu os alvarás nem resolveu as questões ambientais, mas ainda há a verba para as edificações e vamos utilizá-la para esse fim.

 

Atenção às matrículas

 

Os pais que ligaram na Central Única do 156, em outubro, para tentar uma vaga nas escolas da rede pública devem ficar atentos aos prazos. A Secretaria de Educação divulgou, nesta semana, uma lista com o resultado para as novas matrículas no site www.se.df.gov.br. Os cadastros devem ser efetivados entre 29 de dezembro e 12 de janeiro na secretaria escolar da unidade educacional onde o candidato estudará. Quem não fizer o procedimento nesse período perderá a oportunidade. Os que não ligaram para o 156 devem aguardar o período de vagas remanescentes a ser iniciado em 21 de janeiro, direto nas secretarias.

As aulas começam em 9 de fevereiro. No ano passado, a novidade era que as férias coincidiriam com a realização dos jogos da Copa do Mundo. Em vez de 15 dias, o intervalo do meio do ano teve um mês de descanso. Para 2015, a mudança é o Dia Letivo Móvel. As escolas terão autonomia para mudar as datas que antecedem ou sucedem feriados. Por exemplo, se o Dia do Professor é comemorado numa quarta-feira, a instituição de ensino poderá dar aula normal nesse dia e convocar uma folga na sexta-feira ou na segunda-feira.

A alteração faz parte de um acordo da pasta com o Sindicato dos Professores do DF (Sinpro) e contempla o princípio da autonomia previsto na Lei da Gestão Democrática. Os colégios têm até 20 de março para definir os parâmetros da mobilidade, respeitando os 100 dias letivos por semestre. A definição das datas deverão ser aprovadas pelo Conselho Escolar da instituição e encaminhadas à Coordenação Regional de Ensino de Vinculação.

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