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Correio Braziliense

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CRISE NO GDF »

É destruir e construir de novo

Situação de escolas é mais um exemplo das consequências do rombo financeiro e do sucateamento estrutural que a cidade vive. Governo espera liberação de verba federal para consertar colégios. Alguns precisam de uma reconstrução

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postado em 21/01/2015 12:28 / atualizado em 21/01/2015 12:31

Manoela Alcântara , Kelly Almeida

Ana Rayssa
Apesar de o governo ter adiado as aulas da rede pública de ensino para 23 de fevereiro — começaria no dia 9 — a data de início do ano letivo ainda é incerta. O Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro) promete fazer uma assembleia geral com paralisação no dia em que os alunos deveriam assistir às primeiras aulas. Eles reclamam dos benefícios atrasados, como 13º e férias. Sem acordo, a categoria decide se entra em greve ou se segue o calendário.

Além da incerteza para o início das aulas, os estudantes da rede pública ainda vão se deparar com escolas sucateadas. Levantamento da Secretaria de Educação mostra que, entre as 657 instituições de ensino da capital brasileira, 180 estão em situação crítica e 320 precisam de intervenção profunda.

Ana Rayssa
 

 

Um dos mecanismos que podem amenizar essa realidade é o recurso do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (Pdaf ). Para que os alunos entrem nas escolas, em 2015, em condições um pouco melhores, o chefe da pasta, Júlio Gregório, prometeu o início da liberação do recurso para esta semana. Segundo ele, deve ser publicada no Diário Oficial do DF de hoje a portaria que libera cerca de R$ 9 milhões para as instituições.

Em alguns casos, o trabalho será árduo. Os problemas estruturais das escolas públicas vão muito além de fios expostos ou mato alto. Algumas instituições precisam ser reconstruídas. Elas se mantêm em estruturas provisórias há 30 anos. Na Escola Classe 510, em Samambaia, mais uma “maquiagem” será realizada a fim de iniciar as aulas. A estrutura, criada para durar pouco tempo, é utilizada há 25 anos.

Os 640 alunos da educação infantil até o 3º ano do ensino fundamental convivem com a precariedade. As telhas são de zinco, o que transforma as salas em verdadeiros fornos nos dias de calor. Não tem biblioteca nem quadra de esportes, há infiltração nas paredes e mofo na cozinha. “Mais uma vez, vamos improvisar. Já colocamos placas de ferro para evitar entrada de bichos nas salas, pintamos as paredes, mas a estrutura é ruim”, afirmou a diretora da instituição Judith Martins.

No Plano
Cerca de 30 quilômetros separam a Escola Classe 510 do Caseb, localizado na 909 Sul. No entanto, a situação é parecida. O colégio do Plano Piloto já abrigou 1,4 mil estudantes, mas hoje só mantém 1 mil. A Ala 5, com seis salas, laboratórios de ciências e espaço para aulas de dança, está interditada pela Defesa Civil. No lugar do conhecimento, encontram-se somente sujeira, mato, infiltrações.

A estrutura do Caseb — colégio mais antigo e um dos mais tradicionais do DF — é de 1960. Diversos projetos foram iniciados para que a escola seja reconstruída, mas não saíram do papel. São 55 mil metros quadrados em área nobre planejados à espera de intervenção. “Conseguimos pintar 22 salas com o que sobrou do Pdaf do ano passado, mas não dá para fazer tudo. O recurso sempre foi muito instável. Espero que melhore daqui para frente. A nossa sorte é que temos professores e alunos apaixonados para ajudar”, disse a diretora da escola, Marinalva Costa.


Vagas remanescentes

Começa amanhã o período de efetivação das matrículas das vagas remanescentes na rede pública de ensino. Dos 30.160 pedidos, nas 656 escolas do Distrito Federal, 27.230 foram confirmados, de acordo com dados da Secretaria de Educação. Significa que 90,28% dos estudantes já confirmaram o interesse em frequentar as instituições em que foram lotados. Essa é a última chance para aqueles que não participaram da etapa de cadastro pelo telefone 156 ou pelo site da pasta terem acesso ao serviço gratuito. 

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