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Primeiras palavras

Incentivar o contato com os livros desde a infância é importante para desenvolver o vocabulário e a capacidade crítica

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postado em 05/02/2015 11:51 / atualizado em 05/02/2015 12:09

Mariana Niederauer

Ana Ryssa
Entre os dados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014, um chamou a atenção e repercutiu nas últimas semanas: quase 530 mil candidatos zeraram a prova de redação, enquanto apenas 250 ficaram com nota máxima (mil pontos). Muitos desses alunos nota mil afirmam que, além do treino, o hábito de ler ajudou a garantir o bom desempenho. Especialistas lembram que o estímulo à leitura pode começar em casa, nos primeiros anos de vida.


“Nunca se falou tanto em leitura no Brasil e nunca se leu tão pouco. Está aí o resultado do Enem”, observa o promotor de leitura Maurício Leite. Ele lembra que a criança imita a forma de agir dos pais e por isso é tão importante ter o incentivo dentro de casa. “Se há espaço, incentivo e, acima de tudo, exemplos, aí conseguimos formar um leitor.”


Julia Fernandez Lustosa, 7 anos, ouve as histórias contadas pela mãe, a chef de cozinha Fabiana Pinheiro, 41, desde os seis meses de vida. “A Julia sempre teve contato com a leitura, é uma coisa muito familiar para ela que eu esteja com um livro na mão”, conta Fabiana. Hoje, Julia também ajuda a fazer as compras do mês e acompanha a lista a cada ida ao supermercado. “É importante, até para a criança desenvolver um senso de responsabilidade”, observa.


A idade ideal para a criança aprender a ler é entre os 7 e 8 anos, no máximo. Se ela não for alfabetizada até essa fase, começa a formar lacunas pedagógicas que podem comprometer o rendimento escolar, conforme destaca Ana Luiza Amaral, especialista do Observatório Educacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ela  lembra ainda que os pais podem contribuir nesse processo. “Para que a leitura se torne um hábito, é preciso incluí-la na rotina da família. Só a atuação da escola não é suficiente”, acrescenta.

Futuro

Entre os reflexos da leitura no futuro do estudante, Ana Luiza lista a ampliação do vocabulário, o desenvolvimento de capacidade crítica e da criatividade, a melhora da escrita e do desempenho escolar como um todo.


A 3ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostrou que a influência dos pais é essencial para incentivar a leitura na vida adulta. Entre os que gostam de ler hoje, 43% disseram ter sido influenciados pela mãe e 17%, pelo pai. O levantamento, divulgado pelo Instituto Pró-Livro (IPL) em 2012, ouviu mais de 5 mil pessoas em todas as unidades da Federação. O instituto pretende divulgar uma nova edição do estudo no próximo ano.


Na opinião de Zoara Failla, gerente executiva de Projetos do IPL e coordenadora da pesquisa, o resultado confirma a importância de ter estímulos dentro do espaço familiar. Ela explica que é essencial os pais introduzirem a leitura no cotidiano das crianças de forma lúdica e carinhosa. Assim, ela aprenderá a gostar desse objeto e a interagir com ele (veja o quadro).
Maurício afirma, no entanto, que não se pode infantilizar demais a leitura, pois as boas histórias escritas para crianças têm sentimentos e conflitos que levam à reflexão, como quaisquer outras. Além disso, o momento de ler precisa ser prazeroso.  “Você deve possibilitar também a escolha, se transformar isso em obrigação vai afastar a criança e o jovem da leitura”, alerta Zoara, do IPL.
Diversão

Em casa, Fabiana sempre busca transformar a leitura num momento agradável. “Como a Julia adora desenhar, eu tento escolher os livros de colorir que tem coisas escritas, para ela dar cor às historinhas; daí surgiu o amor dela pelos gibis”, relata.
As histórias em quadrinhos também prenderam a atenção de Matheus Bueno, 7 anos, depois que aprendeu a ler. Sempre que vai ao mercado, sai com um gibi novo nas mãos. O primeiro contato com a leitura foi aos dois anos, quando ele ganhou uma Bíblia ilustrada. Agora, Matheus virou o principal incentivador da leitura na casa. “Ele é quem lê mais e acaba incentivando a gente também”, diz a mãe, a dona de casa Tatiane, 34.

 

Para saber mais

Confira as dicas de especialistas para promover o contato com os livros antes, durante e depoisda alfabetização

 

Parte da brincadeira
» Quando a criança ainda não sabe ler, é importante deixá-la ter contato com os livros, brincar de morder ou de empilhar. Por isso, eles devem ficar em local acessível, em uma estante mais baixa ou dentro de um baú.

Diálogo constante
» Depois de contar as histórias, os pais devem discutir sobre o que foi lido. O que achou do livro? De qual personagem gostou mais? Assim, a criança desenvolverá a capacidade de interpretação e de construção de significado.

Entender o mundo
» Durante a alfabetização, os pais podem começar a chamar atenção para placas e letreiros nas ruas, mostrando que a leitura está presente no cotidiano e que é fundamental para a compreensão do mundo.

Companhia e desafios
» A leitura alternada — o pai lê uma parte e o filho outra — também é uma opção para o início do letramento, assim como propor desafios, como começar a ler obras mais extensas.

Versatilidade
» Depois que a criança aprender a ler, os pais podem continuar a acompanhar esse momento e a compartilhar as leituras. Incentivar a troca de livros com os amigos da escola é outra opção e contribui para que ela se familiarize com diferentes gêneros literários.

Fontes: Ana Luiza Amaral e Maurício Leite.

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