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EDUCAÇÃO »

O risco por trás do desconhecido

Jovem responsável por oferta de amizade em cartaz afixado perto de escola presta serviço voluntário em uma igreja. Caso assustou pais, alunos e colégio

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postado em 20/02/2015 11:21 / atualizado em 20/02/2015 11:32

Isa Stacciarini , Bernardo Bittar /

Carlos Moura
A Polícia Civil do Distrito Federal identificou quem oferece amizade gratuita em um cartaz afixado na semana passada, em frente a uma escola particular, na 615 Sul. Trata-se de um jovem ligado a uma igreja, que, ao lado de grupo, presta serviço voluntário de apoio a quem passa por algum tipo de problema e deseja conversar ou desabafar. O intuito é encaminhar esses internautas a atendimentos ligados a religiosidade. Ontem à tarde, ele depôs na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) e, segundo a corporação, não há nenhum crime atrelado ao serviço, apesar de o caso ter assustado a comunidade escolar.

O delegado-chefe da 1ª DP, Luiz Alexandre Gratão, explicou que a igreja promove o trabalho voluntário há quase uma década. “Esse serviço existe não só em Brasília, mas em outras unidades da Federação”, informou o titular da unidade policial, que preferiu não divulgar o nome dos envolvidos.

Carlos Moura
Embora não haja nenhum delito por trás do recado, a situação preocupa pais, alunos e educadores. Na casa do servidor público Welney Vidal, 50 anos, os dois filhos, Rafael, 9, e Guilherme, 6, têm celular. O monitoramento é constante para evitar problemas. “Apesar de ele só conversar com parentes e amigos da escola, ficamos atentos. Sabemos os riscos que o ambiente da internet traz. A precaução e a educação são as melhores armas contra possíveis problemas”, defendeu.

Para a professora Ana Paula Teodoro, 39 anos, os perigos da rede são tão grandes que ela não admite o filho Adélio, 10, ter o aparelho. “As influências da internet podem ser boas ou ruins, cabe aos pais preservar a infância dos filhos”, ressaltou. A mãe sabe que está na contramão de muitas famílias, mas não se arrepende. “Na escola, ele é um dos poucos que não tem celular. E, na minha casa, o uso do computador é regulado em dias e horários”, detalhou.

Intimidade
Para a professora de psicologia clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB) Maria Izabel Tafuri, é necessário ter um canal de conversa aberto com os filhos, além de ser melhor criar intimidade em vez de monitorar as conversas. “Os pais podem estar por perto, mas é necessário conversar com os jovens e saber o que eles estão fazendo. Assim, é mais fácil perceber qualquer coisa que fuja do comum”, disse. “Um caminho para isso é a sugestão de os pais se inscreverem nas redes sociais que os filhos utilizam e mostrar a eles que, mesmo de longe, estão sempre por perto.”

É necessário também ter cuidado para não invadir a intimidade dos filhos. O psicólogo infantil Marcos Lima garante que vasculhar o celular, principalmente escondido, resulta em forte quebra de confiança. “Nessa fase, os meninos e as meninas estão inseguros. Ao mesmo tempo, eles querem mostrar ao mundo que são capazes de se virar sozinhos”, garantiu. A melhor forma de saber o que acontece na vida dos filhos, sugere Marcos, é participar do cotidiano deles. “Pergunte, sempre. E não espere acontecer nada grave para manter uma constante relação de amizade e afeto. Aproximar não é monitorar”, concluiu.

Atenção

Confira dicas de segurança

» Se você está preocupado porque seu filho passa horas na internet, tenha certeza de que proibir não educa e não previne nada. As ferramentas mais avançadas para proteger crianças e adolescentes em qualquer espaço continuam sendo o diálogo e a orientação

» Se você não sabe usar o computador nem navegar na internet, aproveite para aprender com os seus filhos. Verá que será muito interessante receber lições de tecnologia, entender o que eles fazem, com quem conversam e o que divulgam na internet. Com isso, você terá a oportunidade para ensiná-los a tomar cuidado

» Coloque-se sempre à disposição para que eles peçam ajuda quando se sentirem ameaçados ou receberem conteúdos impróprios on-line

» No lugar das velhas dicas para não receber doces nem carona de estranhos, hoje os pais precisam alertar os filhos para não divulgarem dados pessoais na internet, não aceitarem convites para se encontrarem com amigos virtuais e não receberem arquivos de estranhos

» Espionar e gravar tudo o que seus filhos fazem não são boas saídas, pois você fere a privacidade e pode fragilizar a confiança

» Ensine que não podemos acreditar em tudo nem em todos. Como em todos os lugares, há pessoas mal-intencionadas na web

» Programas de filtro de conteúdo podem ajudar, mas o diálogo aberto sobre como, quando e com quem usar a internet continua sendo responsabilidade dos pais

Fonte: ONG Sarfenet Brasil

PALAVRA DE ESPECIALISTA »

Ferramentas de proteção

“Primeiramente, as pessoas nunca sabem com quem estão falando, no caso de um número desconhecido. Esse é o maior cuidado que se deve tomar. No fim de 2014, uma rede social removeu mais de 2 milhões de contas, só no Brasil, que eram falsas. Há pessoas que vivem de seguidores na internet e acabam criando contas que não existem. Além disso, os pais podem tentar monitorar, por meio de programas e aplicativos, o que os filhos estão fazendo no celular e no computador. Nessas ocasiões, os pais podem, inclusive, bloquear sites e acessos. É importante também que eles tentem fechar o círculo social dos filhos e que se insiram nos vínculos de amizades. Por último, é importante manter contato só com pessoas conhecidas, evitar o desconhecido e não entrar em contato com quem eles não conheçam.”

Alcyon Ferreira de Souza Júnior, consultor em segurança da
informação e professor mestre da Universidade Católica de Brasília (UCB)



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