Das quadras para a leitura

No Dia Mundial do Livro, os Centros Olímpicos e Paralímpicos do DF dão exemplo de incentivo à cultura entre as crianças e apoiam projeto de empréstimo de obras

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postado em 23/04/2015 10:39 / atualizado em 23/04/2015 10:43

Camila de Magalhães

Camila de Magalhães
A palavra escrita tem o poder de abrir novos horizontes, levar a lugares desconhecidos e transformar vidas. E, para alcançar as metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o desenvolvimento da educação, os livros merecem um destaque especial. Hoje, data em que é comemorado o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, especialistas destacam que, apesar da tecnologia, essas obras ainda estão entre as principais responsáveis por disseminar educação, cultura e informação pelo mundo, além de contribuir para o desenvolvimento de uma série de habilidades, entre elas a de tomada de decisões.

Numa época em que redes sociais, tablets e outros equipamentos eletrônicos chamam cada vez mais a atenção de crianças e jovens, criando uma concorrência com os livros impressos, o incentivo à leitura se torna essencial. É o que ocorre nos Centros Olímpicos e Paralímpicos do Distrito Federal. Mesmo vivendo já tão conectados à internet e a computadores, muitos ainda preferem mergulhar em uma boa história nas páginas de um livro.

 

Um desses leitores-mirins é David Anunciação Brito, 9 anos. Entre uma aula e outra de natação, ele descobriu a Mala do Livro, no Centro Olímpico e Paralímpico de São Sebastião. No mesmo local onde pratica o esporte há uma série de obras disponíveis. Somente no ano passado, David pegou emprestados 47 livros e tornou-se o campeão de leitura da unidade esportiva. “Leio de manhã ou de noite. Gosto muito de histórias de mistério”, comenta o garoto. A colega dele, Natália Santos, 10, também está entre os destaques. “Depois que comecei a ler, aprendi bastante coisa. Na escola, tinha dúvidas sobre como escrever as palavras. E, agora, estou bem melhor nos textos e na pontuação”, comemora.

Moradora de Ceilândia, Sabrina Barbosa, 10 anos, é exemplo para os colegas do Centro Olímpico e Paralímpico Parque da Vaquejada. Ela também frequenta as estantes da Mala do Livro e emprestou 35 obras no ano passado. “Acho muito boa essa oportunidade porque, além de desenvolver nosso corpo, desenvolve nosso cérebro”, ressalta. “Tenho muitas sensações quando estou lendo, mas o que mais sinto é emoção. Cada livro tem uma história diferente e, quanto mais leio, mais quero saber o fim”, revela.

A pedagoga Lídia Salgado, da Fundação Assis Chateaubriand (FAC), acompanha diariamente vários casos de alunos que viram suas vidas transformadas com o estímulo à leitura no ambiente esportivo dos centros. “A criança passa, vê um livro e fica animada. O empréstimo gera até um senso de responsabilidade, porque eles sabem que têm de devolver os livros no prazo. Eles sempre comentam as histórias, dão opinião sobre os livros”, afirma a pedagoga.

Para ela, o trabalho de incentivo é fundamental e precisa crescer a cada dia. “Uma característica muito forte que a gente vê em São Sebastião e em outras cidades do DF é a dificuldade de aprendizagem. Alunos que já passaram da fase de pré-alfabetização e de alfabetização e não sabem ler, mal sabem escrever o próprio nome. É triste ver isso em pleno século 21”, lamenta. “Estimulamos os nossos alunos a serem não só bons atletas, mas cidadãos mais críticos”, acrescenta.

Segundo o diretor de relações institucionais da FAC, Paulo César Marques, essa é uma forma de contribuir para a mudança de cenário prevista nos objetivos de desenvolvimento do milênio (ODM) estabelecidos pela ONU, que, em breve, serão conhecidos como objetivos de desenvolvimento sustentável. “A Fundação e os Diários Associados buscam um olhar especial para a educação, por ser a base para o conhecimento e por impactar as demais áreas do desenvolvimento do ser humano”, ressalta.

Evolução
Quanto mais estímulo à leitura, melhor. É o que defende Rebeca Otero, coordenadora de Educação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil. Na avaliação dela, o país já evoluiu muito, mas ainda resta um longo caminho a percorrer, como transformar o Brasil numa nação de leitores. “Para que possamos reverter a situação de deficiência na educação, é importante o trabalho das escolas, das famílias e de uma sociedade civil engajada, com organizações que promovam a leitura entre os jovens”, afirma Rebeca.

Uma das maneiras de disseminar o poder dos livros, conforme defende a coordenadora da Unesco, é complementar o papel da escola e facilitar o acesso às obras em locais abertos, estimulando também o discernimento para escolha de bons livros. “Hoje, os nossos jovens do ensino fundamental têm uma deficiência muito grande na leitura, não conseguem compreender o que leem. Precisamos investir mais nesse aspecto. É lendo mais que vai se aprimorar a capacidade de compreensão de textos e também a escrita. O livro é um mecanismo muito bom e barato”, observa. Rebeca acredita que a leitura do livro impresso ainda é importante e vai continuar durante muitos anos. “É óbvio que, com a modernidade e a questão ambiental, uma tendência é reduzir o papel e se transformar em leitura digital, mas a população mais vulnerável, em especial, ainda está longe disso.”

Como participar

Os alunos dos Centros Olímpicos e Paralímpicos do DF podem pegar emprestados diversos livros, gratuitamente. Há centenas de títulos disponíveis em estantes para leitura. Basta procurar as secretarias das unidades esportivas e preencher o formulário de empréstimo.
 

Para saber mais

Dia Mundial do Livro
Celebrado em 23 de abril, o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor foi instituído pela Unesco, em 1995, com o objetivo de promover o poder dos livros para a disseminação da cultura dos povos.

Fundação Assis Chateaubriand
Para saber mais sobre o trabalho de educação desenvolvido pela fundação dos Diários Associados, acesse www.facbrasil.org.br e www.facebook.com/fundacaoassischateaubriand.