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Iniciativa promove valorização da cultura indígena

No mês do Dia do Índio, escolas do DF fazem visitas ao Memorial dos Povos Indígenas. Secretarias buscam revitalização do espaço

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postado em 23/04/2015 10:29 / atualizado em 23/04/2015 17:48

Uma iniciativa da Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Semidh), em parceria com a Secretaria de Cultura, procura revitalizar o Memorial dos Povos Indígenas. A proposta é incluir os índios nas atividades do museu e promover conhecimento sobre a cultura indígena. Ione Carvalho, subsecretaria do patrimônio cultural, diz que a iniciativa pretende fortalecer as comunidades e diminuir o desconhecimento sobre a diversidade cultural dessas populações. “É importante que as diferentes tribos se unam para que se protejam e preservem suas tradições, porque há uma falta de consciência muito grande”.


Na forma de palestras e conversas, os índios transmitem costumes para as crianças no projeto que ocorre, inicialmente, nesta semana de segunda (20) a sexta-feira (24). Segundo Murilo Mangabeira, 30 anos, representante da Semidh, os pequenos anseiam pelo contato com o índio e o projeto é um pontapé inicial para disseminação da tradição desses povos. “A Lei 11645/08 ainda não foi aprovada, mas incluiu a obrigatoriedade do conteúdo de cultura indígena no currículo escolar, assim como foi feito com a africana. Eu vejo que há nativos com medo de ser índio, que não praticam a cultura. Eles se sentem invisíveis porque a sociedade acha que o índio é bicho do mato. Precisamos reunir as tribos para mostrar sua relevância e mostrar o valor da Mãe Terra e fazer uma conscientização, plantando a semente do conhecimento na cabeça dos jovens”.

Álvaro Tukano é o novo presidente do Memorial dos Povos Indígenas, e o único indígena a ocupar o cargo. Esquecido na gestão de governo anterior, o museu agora tenta contribuir para a educação “As crianças são especiais para o futuro que queremos. O mundo está doente e isso se dá porque o homem maltratou a natureza e a cultura milenar indígena depende da natureza e seu bom uso, queremos ensinar aos pequenos como esses costumes podem melhorar o mundo”. Álvaro diz ainda que a reconstrução do país com diálogo, principalmente na questão ambiental, é uma das metas. Ele disponibliza um site  com a história de indígenas ao longo dos séculos, incluindo materias audiovisuais

 

Visita

Chico Tabajara, 35 anos, também índio, é quem acompanha as crianças no passeio e conta a experiência “Eles aprendem errado na escola, os professores não estão preparados sobre o assunto e passam muitos conteúdos de forma equivocada. Queremos acabar com essa história mal contada sobre os índios e transformar o memorial num centro cultural e expandir o nível de cultura da população. Só entrar e sair da exposição não acrescenta nada, é preciso fazer disso de um centro de educação onde as pessoas entrem e saiam com uma formação maior”.

A Escola Chico Mendes de Valparaíso é uma das instituições que visitou o memorial na quarta-feira (22). A visita faz parte do projeto Conhecendo nossas raízes, iniciativa do colégio para implementar na matriz curricular conhecimentos sobre diversas culturas, como dos índios e negros, além do conteúdo regular. A diretora Jurema Pontes, 46 anos, conta que esse é o primeiro passeio do colégio e ressalta a importância da iniciativa. “Os mais novos não valorizam o país, não têm noção de pátria ou diversidade. Eles precisam entender qual o papel social que essas culturas têm na atualidade”.

Luna Montenegro, 11 anos, é aluna da instuição e gostou do passeio. “Descobri mais sobre a cultura dos índios e coisas que aconteceram antes da colonização, é importante saber caso alguém pergunte. O que eu achei mais legal foi o fato de os homens terem que agradar as mulheres”, conta. Hércules Batista, 11 anos, do Centro de Convivência (Cose) da Guariroba, gostou mesmo das armas artesanais. “Vou pedir para minha mãe me trazer aqui novamente porque achei muito legal. Aprendi coisas novas observando e escutando as explicações. Nunca tinha visto um índio antes e agora conheço”.

 

Mais informações sobre o memorial estão disponíveis no site. Escolas interessadas em agendar visitas podem ligar para o 3344-1154.

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