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Estudante do Gama cria blog para denunciar problemas nas escolas

Além de pedir soluções para condições ruins nas salas de aula, a jovem escreve sobre o modelo de ensino brasileiro

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postado em 08/05/2015 10:58 / atualizado em 08/05/2015 12:49

O Centro de Ensino Médio 2 do Gama conta com uma ajuda importante para melhorar as condições do ensino. A estudante do 3º ano do ensino médio Ana Vitória Slavica Radic, 18 anos, usa as redes sociais e um blog, o Educação Proibida, para mostrar os problemas que a escola enfrenta e também para propor soluções e debates sobre a educação brasileira. Em 2012, ela criou uma página no Facebook, inspirada no Diário de Classe (leia a Memória).

“Eu escrevo sobre as coisas que observo na escola e comparo o método de ensino brasileiro com o de outros países”, detalha Ana Vitória. Para ela, as principais referências de ensino ao redor do mundo são a Escola da Ponte, em Portugal, e os modelos de ensino adotados pelo Japão e pela Finlândia, países que sempre ocupam as melhores posições em rankings internacionais de educação.

O blog foi criado este ano e a publicação mais recente, sobre o conflito entre policiais militares e professores no Paraná, foi uma das mais marcantes, na opinião da jovem. “É o texto mais visualizado que eu tenho. Ver aquela cena toda me deixou triste, porque percebi que o governo ainda não respeita nossos professores, colocando a polícia em cima deles como se fossem bandidos. Acho que é preciso respeito e valorização”, avalia.

Apoio

Professores e colegas de sala compartilham e comentam as publicações. Além disso, as reivindicações que a estudante faz na página costumam ter resultados, como o conserto de portas e de janelas quebradas. Quando a direção não consegue atendê-las, elas servem de alerta para a Coordenação Regional de Ensino se mobilizar e resolver a questão.

Ana Vitória, que nasceu na Bósnia, país de origem do pai dela. A mãe é alemã, mas os dois se conheceram no Brasil. Quando ela engravidou, o casal decidiu ter a criança no país europeu, mas, devido aos constantes conflitos na região, resolveram voltar e viver no Brasil. "Fiquei lá até completar um ano de idade e retornarmos ao Brasil porque meus pais acreditam que aqui é um lugar melhor para se viver", conta.

Desde que começou a escrever sobre a educação brasileira a jovem já deu duas entrevistas para um jornal suiço e outra para uma rádio do país.

Ana Vitória pretende cursar jornalismo no próximo ano. Ela vai se inscrever no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e no Programa Universidade para Todos (ProUni), para tentar vagas tanto em federais quanto em instituições de ensino superior particulares.

Memória


A página Diário de Classe foi criada pela estudante de Santa Catarina Isadora Faber, que tinha 13 anos na época, com o objetivo de mostrar a situação das escolas públicas brasileira. Na ocasião, Isadora sofreu represálias da comunidade escolar. A casa da jovem chegou a ser atacada e a avó dele foi atingida por uma pedra. Hoje, Isadora ainda compartilha postagens na rede social, escreveu um livro sobre a experiência (Diário de Classe – A verdade; Ed. Gutenberg; 272 páginas; R$ 34,90) e tem uma Organização não Governamental (ONG) que leva o nome dela.

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