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Escolas do Gama pedem socorro

Dirigentes da rede pública aguardam nomeação de supervisores e coordenadores pedagógicos desde janeiro e ameaçam parar as atividades se governo não cumprir prazo

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postado em 08/05/2015 12:26 / atualizado em 08/05/2015 12:49

Mariana Niederauer

Minervino Junior

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A sobrecarga e as condições ruins de trabalho colocaram diretores e vice-diretores da regional de ensino do Gama em mobilização. Eles afirmam que chegaram ao limite e, caso o Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF) não libere até hoje a contratação de coordenadores e supervisores pedagógicos, ameaçam paralisar as atividades. Muitos deles trabalham mais de 12 horas por dia para suprir a carência de profissionais e ainda aguardam reformas em salas de aula, banheiros, cantinas e cozinhas para garantir o bom funcionamento dos colégios. A pasta informou que vai cumprir o prazo.

O Centro de Ensino Fundamental 8 está sem diretor desde o início do ano. Fernando Freire, que ocupava o cargo no ano passado, foi indicado pelo novo governo para assumir a Coordenação Regional de Ensino. Enquanto isso, o vice-diretor, Jamielton Amorim, acumula as duas funções e sequer tirou férias durante o recesso escolar, porque teve que cobrir a vacância do cargo, mesmo sem determinação oficial da SEDF para isso. De acordo com ele, toda a documentação necessária para que pudesse assumir o posto oficialmente já foi enviada, mas a escola ainda não obteve retorno. “Hoje, eu tenho a obrigação de abrir a escola; chego às 7h15, encerro o turno às 12h30 e, depois, preciso retornar e fico até as 18h”, relata.

Além disso, o colégio está sem supervisor pedagógico desde outubro de 2013 e, apesar de ter direito a três coordenadores, só teve um liberado, assim como as demais escolas da rede pública de ensino. “Respondo por tudo na escola: problema com aluno, demanda dos professores, prestação de contas”, elenca Jamielton. O vice-diretor se encarrega até mesmo da compra de material de limpeza para a escola e de expediente para os professores. Ele afirma que só consegue ter disposição para coordenar os 870 alunos que frequentam a escola em dois turnos, com apenas meia hora de intervalo para o almoço, porque toma energéticos.

A Secretaria de Educação alega que as escolas que enviaram os documentos em tempo hábil já estão com diretores e vices e as demais precisam aguardar as nomeações. No entanto, Jamielton afirma que enviou toda a documentação ainda em janeiro.

Sobrecarga

Quando os problemas com a equipe forem resolvidos, ainda restará a preocupação com a estrutura da escola. O local precisa de uma reforma geral. Alguns dos boxes do banheiro feminino, por exemplo, não têm porta, e a cantina precisa de adequações para cumprir normas da Vigilância Sanitária. Pequenos reparos começarão a ser feitos na próxima semana, segundo Jamielton, graças ao esforço do coordenador regional, que conhece a situação da escola. “É uma reforma muito pequena diante de toda a necessidade da escola. Estamos na base do mutirão e da colaboração dos professores”, desabafa.

A mesma sobrecarga de trabalho é enfrentada no Centro de Ensino Fundamental 15. Segundo a vice-diretora, Cláudia Vieira de Sousa Ramos, falta dois supervisores serem nomeados e, dos quatro coordenadores a que eles têm direito, apenas dois estão trabalhando. “A situação está bem crítica porque a sobrecarga de trabalho é muito grande. Inclusive, eu estou trabalhando doente, pois a diretora está de férias”, conta.

Em março, foi a diretora, Ana Elen Ferreira Moitinho, que precisou trabalhar sozinha porque o resto da equipe estava em férias. Na época, funcionários da empresa terceirizada que cuidava das refeições servidas aos alunos entraram em greve por falta de pagamento. Ela precisou ir para a cozinha preparar a comida dos alunos, com a ajuda de pais. Atualmente, a situação  já está regularizada e as merendeiras recebem em dia, mas são apenas cinco para atender a toda a demanda do colégio, quando deveriam haver sete.

A escola funciona em tempo integral, por isso a necessidade de oferecer a refeição aos alunos. Apesar disso, nunca recebeu a verba específica que é reservada a instituições que atendem alunos nos dois turnos. O depósito para manter os alimentos é muito pequeno; as torneiras da cozinha, que foram trocadas no início do ano, já mostram sinais de desgaste em razão do grande volume de louça que precisa ser lavada todos os dias. Além disso, a falta de coordenadores afeta a qualidade do ensino. “Eles coordenam todos os projetos da escola, todos os eventos culturais, o atendimento aos pais em relação à vida escolar dos filhos, organizam os conselhos de classe. Eles são a ponte entre a direção e os professores para colocar o nosso projeto político-pedagógico para funcionar”, resume Cláudia. Ela chega ao CEF 8 às 7h30 e sai por volta das 21h, pois ainda precisa atender a casos disciplinares quando são registradas brigas entre alunos. “A nossa saúde está no limite”, relata.

Sem apoio

No Centro de Ensino Médio 2 a situação é mais grave, em razão do número de alunos. São 2,5 mil estudantes matriculados. O diretor, Lindomar Ramos de Brito, explica que a escola tem direito a quatro coordenadores durante o dia e mais dois para as aulas à noite. No entanto, foram liberados apenas dois, um para cada turno. Os dois supervisores da área administrativa atuam na escola desde o ano passado e outros dois trabalham na área pedagógica durante o dia. Falta ainda um supervisor pedagógico para o período noturno. Por enquanto, o vice-diretor desempenha a função. Os desfalques na equipe comprometem o trabalho e, principalmente, o atendimento aos pais dos alunos. “Se não ocorrer (a nomeação), a gente não sabe como vai ficar a nossa atuação na escola”, afirma Lindomar.

Em nota, a SEDF informou que começou a convocar, ontem, cerca de 800 professores temporários de um banco de reserva já existente e que esses profissionais vão substituir os docentes que sairão da sala de aula para assumir a coordenação pedagógica nas escolas. Ainda de acordo com a pasta, as carências de professores são pontuais e as ausências ocorrem, eventualmente, porque, ao mesmo tempo que um professor entra de licença, outro retorna para a atividade-fim. Assim que a equipe gestora constata uma carência, pode solicitar o substituto para a Coordenação Regional de Ensino.

A regional do Gama conta com 42  escolas urbanas e sete rurais. O prazo para nomeação de coordenadores e supervisores escolares termina hoje. Caso o governo não cumpra esse acordo com as escolas, os dirigentes já começaram a se mobilizar com o Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) para cobrar ações concretas. “Existe uma deliberação de parar as escolas caso essas questões mais urgentes não sejam resolvidas”, afirma Jairo Mendonça, diretor no Sinpro- DF. Segundo ele, o prazo pedido pela SEDF é mais uma consequência do rombo orçamentário deixado pela gestão passada. A pasta alegou que estaria impedida de contratar os coordenadores para não descumprir os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.

A situação está bem crítica porque a sobrecarga de trabalho
é muito grande. Inclusive, eu estou trabalhando doente,
pois a diretora está de férias”


Cláudia Vieira,
vice-diretora do CEF 15

 

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