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Tráfico fecha colégio em Ceilândia

Grupo de traficantes vende drogas dentro do Centro de Ensino Fundamental 4, intimida funcionários e controla a entrada e a saída de pessoas na unidade. Situação se repete em outras duas escolas. Aulas ficarão suspensas até a PM garantir a segurança na unidade

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postado em 19/05/2015 12:42 / atualizado em 20/05/2015 10:29

Luiz Calcagno

O CEF 4 teve as portas fechadas ontem: traficantes vendem drogas dentro da unidade e escondem entorpecentes em carros parados nos arredores (Carlos Vieira/CB/D.A Press)
 

 

O CEF 4 teve as portas fechadas ontem: traficantes vendem drogas dentro da unidade e escondem entorpecentes em carros parados nos arredores


Traficantes tomaram conta de escolas públicas em Ceilândia Sul. Somente este ano, pelo menos três diretores sofreram ameaças de morte por denunciar a venda ilegal de entorpecentes nos arredores e dentro dos estabelecimentos de ensino. A maioria dos que traficam a droga e intimidam funcionários e estudantes têm menos de 18 anos. A situação mais grave é a do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 4, onde um grupo tomou conta da guarita do colégio e controla a entrada e a saída dos alunos. Por medo, a instituição fechou as portas ontem. Os problemas se repetem no CEF 33 e na Escola Classe 2.

Pais e professores decidiram que a escola permanecerá fechada até que a Polícia Militar garanta a permanência de homens do Batalhão Escolar no estabelecimento por, pelo menos, 30 dias. Na última sexta-feira, um adolescente entrou a cavalo no local para ameaçar de morte, pela segunda vez, um funcionário que teria acionado a polícia em outra ocasião. Os infratores pulam os muros da instituição e escondem drogas e armas no local, em buracos, bueiros, debaixo dos carros dos professores e nos telhados. Sem se identificar, docentes e membros da direção se dizem aterrorizados. “Começou do lado de fora, mas eles viram que a escola não tem porteiro ou segurança e tomaram conta da guarita. Se chamamos a polícia, não acontece nada, pois eles não estão carregando a arma ou a droga com eles”, contou uma professora.

Funcionários e pais também querem um serviço de segurança armada para proteger os estudantes. Alguns alunos, porém, usam drogas no interior da instituição e se envolvem com traficantes. “Foi assim que chegamos a esse ponto, de receber ameaças. Um desses rapazes invadiu a escola para cobrar a dívida de uma estudante. Quando chamamos a polícia e o colocamos para fora, ele disse que furaria os dois olhos de uma funcionária e colocaria o ‘ferro’ na boca dela. Posteriormente, ao receber uma intimação judicial, voltou a cavalo e informou que, se algo acontecesse a ele, se vingaria”, acrescentou um professor.

Um dos pais organizou um documento com 234 assinaturas pedindo segurança no local. O motorista Rilvan Santos, 56 anos, leva e busca o filho de 11 anos no CEF 4 diariamente. Ele entregou o abaixo-assinado na Regional de Ensino de Ceilândia, órgão da Secretaria de Educação responsável por todas as escolas da cidade. “Torcemos para que dê certo”, afirmou. A feirante Neusirene dos Santos, 44, se revolta. “Tenho que entrar de cabeça baixa e pedir licença para traficantes para deixar meu filho no colégio”, lamentou.

Falta de pessoal
O coordenador da Regional de Ensino, Marco Antônio de Souza, argumentou que faltam servidores para ocuparem as portarias. Segundo ele, a Secretaria de Educação vai realocar porteiros e  pretende contratar uma empresa de segurança particular para o CEF 4. “Estudamos a contratação da empresa e também conversaremos com o Batalhão Escolar, para que eles mantenham uma equipe na escola por 30 dias. Nesse momento, nossa prioridade é o CEF 4, onde a situação está mais grave, mas queremos garantir o funcionamento normal das escolas o quanto antes”, argumentou.

Comandante do Batalhão Escolar da PM, o coronel Júlio César Lima de Oliveira disse que enviará um policial até o CEF 4 para averiguar a gravidade da situação. Ele contou que manteve uma equipe no CEF 33 nos últimos 25 dias e que poderá fazer o mesmo no outro estabelecimento. O coronel ressaltou que a corporação faz visitas constantes às escolas. “Não tivemos notícia dessa situação. Isso é novo. Temos feito operações e visitas preventivas”, garantiu.

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