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Brasil fica em 60º posição em ranking mundial sobre educação

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postado em 22/05/2015 12:38

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) realizou uma avaliação mundial de educação com 76 países, cerca de um terço das nações do mundo, e o Brasil ficou na 60ª posição. Foi avaliado o desempenho de alunos de 15 anos em testes de matemática e ciências.

No ranking, o Brasil aparece atrás de países como o Irã (51º) e os vizinhos Chile (42º) e Uruguai (55.º). A Argentina ficou atrás, na 62ª posição. No último ranking, em 2012, que havia analisado 65 países, o Brasil foi o 58º colocado. As cinco melhores nações avaliadas, na prova mais recente, foram todas da Ásia: Cingapura, Hong Kong, Coréia do Sul, Japão e Taiwan.

Apesar da estagnação, o relatório aponta certo otimismo com relação à performance brasileira, destacando melhoras “notáveis” na última década, principalmente quanto à universalização do ensino. No entanto, o estudo chama a atenção para o número elevado de evasão escolar. Segundo a OCDE, os alunos abandonam a escola ocorrem porque os currículos escolares não são atrativos o suficiente para motivá-los.

Viviane Flores, gerente de desenvolvimento educacional da FTD Educação, acredita que o país necessita investir mais no setor: "Nossa posição no ranking traduz a necessidade de investimentos consistentes na educação do país, passando por orçamentos adequados para formação de educadores, infraestrutura escolar e planos arrojados”.

Ela comenta que, em visita a Cingapura, em abril, constatou que as escolas têm forte preocupação com a qualidade. “Desde muito cedo, os alunos têm à disposição professores altamente competentes e as escolas são ambientes preparados para projetos educacionais realmente inovadores. O grande diferencial deles é o que ouvimos muitos repetirem por aqui sem transformar em ação: a educação é a chave para o desenvolvimento do país”, aponta.

Os indicadores em Cingapura refletem a evolução econômica do país nos últimos 30 anos a partir do plano educacional estabelecido. “No Brasil, precisamos de um plano de investimentos na frente da formação, assim como a valorização docente, objetivos claros nos referenciais educacionais e aplicação de recursos em infraestrutura escolar".

A pesquisa mais uma vez mostra a estagnação brasileira frente um assunto de suma importância para o desenvolvimento, que é a qualidade da educação. A atual estagnação econômica, com crescimentos pífios do Produto Interno Bruto (PIB), deve servir de alerta para que a educação seja encarada como prioridade.

Desdobramentos

Na quinta-feira (21), o Fórum Mundial de Educação aprovou declaração sobre futuro da educação. A Declaração de Incheon foi acolhida pela comunidade mundial de educação, incluindo ministros de governo de mais de 100 países, organizações não governamentais e grupos de jovens. Ela incentiva os países a fornecer educação inclusiva, igualitária e de qualidade, além de oportunidades de aprendizagem ao longo de toda a vida para todos.

A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, acredita que a declaração é um passo a frente. “Ela reflete a nossa determinação em garantir que todas as crianças e jovens adquiram os conhecimentos e as habilidades de que necessitam para viver com dignidade, para alcançar seu potencial e contribuir para suas sociedades como cidadãos globais responsáveis. Também incentiva os governos a oferecer oportunidades de aprendizagem ao longo da vida, para que as pessoas continuem a crescer e a se desenvolver e afirma que a educação é a chave para a paz mundial e para o desenvolvimento sustentável.”

A Declaração de Incheon será implementada por meio do Marco de Ação Educação 2030, que fornece as coordenadas a serem adotadas pelos governos até o fim do ano. Ele fornecerá orientações sobre marcos efetivos, legais e de políticas para a educação, com base nos princípios de responsabilização, transparência e governança participativa. A implementação efetiva vai demandar uma coordenação regional firme, bem como monitoramento, avaliação rigorosos da agenda de educação e mais financiamento, especialmente para os países que estão mais longe de fornecer educação inclusiva e de qualidade. A Declaração e o Marco irão incentivar os países a determinar metas nacionais apropriadas de gastos e a aumentar a Assistência Oficial para o Desenvolvimento (AOD) para países de baixa renda.

“Todos nós concordamos que as nossas crianças e jovens tenham direito à educação gratuita, pública e de qualidade”, disse Susan Hopgood, presidente da Education International, organização que representa mais de 30 milhões de professores e trabalhadores da educação em todo o mundo. “No entanto, para realizar quaisquer objetivos de educação, deve-se garantir aos alunos em cada sala de aula que tenham professores bem formados, qualificados profissionalmente, motivados e apoiados. Oferecer educação de qualidade para todos vai demandar mudanças nos sistemas educacionais. Para implementar o Marco de Ação Educação 2030 e melhorar a qualidade da educação, é fundamental que os sistemas educacionais sejam transformados em sistemas que fomentam uma cultura aberta e colaborativa”.

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