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Australianos trocam experiências sobre currículo escolar do país no Brasil

Educadores participarão de série de reuniões como parte de seminário que discute reformulação do modelo curricular da educação básica brasileira

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postado em 10/06/2015 11:31 / atualizado em 10/06/2015 12:15

Juliana Espanhol

Saulo Cruz/SAE-PR
Até quinta-feira (11), os educadores australianos Barry McGaw e Robert Randall cumprem agenda no Brasil no âmbito de um evento que pretende discutir a reestruturação do modelo curricular de ensino básico no Brasil. Os dois terão uma série de reuniões com autoridades, acadêmicos, e representantes de organizações internacionais para apresentar o currículo do país. Organizado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR), o seminário faz parte da construção do projeto nacional de qualificação do ensino básico “Pátria Educadora”, que busca boas práticas internacionais que possam ser úteis para o contexto brasileiro.

“A contribuição principal que trazemos para o Brasil é o processo que usamos para o desenvolvimento do currículo. Para o currículo como um todo, e depois em cada uma das áreas de conhecimento, nós escrevemos um documento que mostrava como os assuntos deviam parecer a partir do ensino primário”, conta McGaw, ex-presidente do conselho de administração da Australian Curriculum, Assessment and Reporting Authority (Autoridade Australiana de Currículo Avaliação e Relatório – Acara).

A Acara é uma instituição indepentente, responsável pelo desenho curricular, avaliação de ensino e revisão do currículo, além de ser referência mundial na construção de propostas escolares com foco no desenvolvimento de capacidades. No caso da Austrália, são sete: letramento, numeracia (capacidade de usar números em operações aritméticas), capacitadade em tecnologia da informação e da comunicação, pensamento crítico e criativo, capacidade pessoal e social, entendimento ético e entendimento intercultural. “Nós acreditamos que é possível ensinar todas as capacidades através das disciplinas. Por exemplo, se você quer ensinar o conhecimento intercultural, você pode ensinar isso através de assuntos relevantes que já existem, não necessariamente matemática, história e geografia”, explica McGaw.

O currículo do país é dividido em oito áreas de conhecimento – inglês, matemática, ciência, humanidades e ciências sociais, artes, tecnologias, saúde e educação física, linguagens e a modalidade opcional de educação profissional. Cada área se subdivide em diversas disciplinas e há também componentes que cruzam todo o currículo, como o ensino da cultura dos povos originários das ilhas e da região asiática e sustentabilidade.

No ensino médio, os alunos têm algumas disciplinas optativas, que ajudam a direcionar o que eles farão na etapa posterior, seja no ensino superior ou em aprofundamento no ensino técnico. “Em todas as nossas escolas queremos que os estudantes e os alunos fiquem no ensino médio até os 17 ou 18 anos. Nos estados e territórios os alunos têm a escolha de escolher assuntos acadêmicos ou técnicos e, depois da escola, eles podem optar por continuar os estudos nas universidades ou fazer mais estudos por meio do nosso sistema educacional técnico”, explica Randall, CEO da Acara.

Para chegar ao modelo utilizado atualmente, passou por um processo de diversas etapas. “Para história, por exemplo, chamamos um grupo de acadêmicos, professores que eram chefes de departamento em escolas, coordenadores de escola que fizeram trabalhos interessantes em história. Então falamos para eles: vocês vão escrever um documento de até 20 páginas, uma declaração breve sobre como deve a aparência do todo e depois colocamos isso para discussão pública. Tivemos um debate público sobre as grandes questões da história. Recebemos várias respostas, revisamos o documento, e isso se tornou o documento final, que foi posteriormente utilizado pelas pessoas que de fato fizeram o currículo”, relembra McGaw.

Brasil e Austrália compartilham algumas semelhanças. “A Austrália também é uma federação. A constituição australiana, assim como a brasileira, diz que a educação é responsabilidade do Estado. Quando o currículo atual foi elaborado, s ministros federais concordaram que queriam trabalhar nacionalmente através do currículo. Então o primeiro passo foi conseguir o apoio de todos e depois manter os oficiais comprometidos”, relembra McGaw. Na opinião do docente, as dimensões do Brasil podem representar um desafio extra para o contexto brasileiro. “Temos apenas seis estados e dois territórios. Podemos botar todos os ministros na mesma mesa para discutir”, compara.

Nesta quarta-feira (10), os docentes participam de reuniões com representantes de governos estaduais e do congresso, além de organizações internacionais. Às 16h, eles concederão entrevista coletiva no prédio da SAE. Na quarta (11), eles seguem para São Paulo, onde cumprirão agenda definida pela Fundação Lemann.

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