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Curso pela defesa da primeira infância termina com 18 planos para o setor

Formação de liderança executiva foi sediada no Insper, em São Paulo, e contou com a participação de 51 pessoas de 13 estados

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postado em 10/06/2015 12:04 / atualizado em 10/06/2015 12:18

Ana Paula Lisboa

Tim Linden/Divulgação
Terminou, na última terça-feira (9), a quarta edição do curso de liderança executiva em desenvolvimento da primeira infância. Esta foi a primeira vez em que a capacitação, normalmente sediada na Universidade de Harvard, ocorreu no Brasil. De 6 a 10 de abril, os 51 participantes de 13 unidades federativas tiveram o primeiro módulo de aulas no Instituto e Ensino e Pesquisa (Insper) em São Paulo, quando tiveram contato com pesquisadores que são referência na área, como Jack Shonkoff e Charles Nelson, professores da Universidade de Harvard.

De volta a suas casas, os alunos se engajaram em atividades a distância e elaboraram, em grupos, planos de ação sobre projetos e políticas focados em crianças de 0 a 6 anos, fase em que o ser humano tem o maior potencial de desenvolvimento. Na segunda e na terça-feira (8 e 9), eles retornaram a capital paulista para o segundo módulo, em que apresentaram os trabalhos desenvolvidos e analisaram os desafios e as oportunidades para tirar as ideias do papel. No total, foram 74 horas de atividades.

O objetivo do curso é promover o debate e fornecer uma base intersetorial e científica para a criação de políticas públicas e projetos efetivos para crianças de 0 a 6 anos. Participaram gestores públicos municipais e estaduais, representantes do terceiro setor e da sociedade civil, profissionais de educação, saúde, psicologia, serviço social, entre outros.

Helder Diniz, 35 anos, psicólogo do Centro de Referencia de Assistência Social (Cras) de Pedro Leopoldo (MG) ficou satisfeito com a experiência. "Foi fantástico, estou levando uma bagagem de conhecimentos estratégicos, fiz muitos contatos e, por meio deles, conheci outras realidades."
A baiana Tiana Malta mora em Porto Alegre, é pedagoga por formação e trabalhou em diversos locais do país na área de desenvolvimento de crianças. "Pelo Ministério da Saúde, atuei no Acre durante três anos e, no curso, meu grupo desenvolveu um plano de ação para este estado que poderá virar realidade. Valeu o investimento. Os professores são de renome, então levamos uma bagagem ótima daqui", comemora.

Alexandre Carvalho/Divulgação


Francinete Lima, 30 anos, consultora técnica da Atenção Nutricional à Desnutrição Infantil - Desenvolvimento Integral da Primeira Infância (Andi-DPI) no Ministério da Saúde em Manaus, já atuava com foco no desenvolvimento integral da primeira infância, mas acredita que trabalhará melhor daqui para a frente. "Essa experiência nos fortalece. Volto com um olhar diferenciado sobre o assunto. O plano de ação que desenvolvemos pode sim sair do papel, agora, temos que trabalhar por isso", conta.

Rita Silva, diretora executiva do Shine a Light, mora em Santa Catarina e desenvolve trabalhos na Região Norte do país e também aprova a formação. "Adquirimos conteúdos fundamentais para elaborar estratégias pela primeira infância, tivemos acesso aos estudos mais recentes na área e construímos uma rede de relacionamentos que será muito útil", relata.

"O curso no Brasil surgiu de uma demanda que sentimos. Arriscamos, e deu certo, mas, no penúltimo dia de inscrições, tínhamos apenas 22 inscritos. No último dia, o número passou para 51. Aqui, cada um trabalha na sua área pelas crianças (como saúde, educação e assistência social) e, no curso, tudo é congregado. O olhar para o desenvolvimento infantil está ganhando força", percebe Eduardo Queiroz, presidente da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal. "Temos uma rede de 200 ex-alunos, e boa parte implementou os projetos. Os ruralistas não têm bancada no Congresso? Está na hora de termos também uma bancada da primeira infância e nos articular para desenvolvê-la", aposta.

Gabriela Pluciennik, coordenadora de projetos da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, coordenou o curso no Brasil e ficou contente com os resultados obtidos. "Foram 18 planos de ação, todos com possibilidade de serem aplicados. Tivemos um grupo muito diverso, que contribuiu para a intersetorialidade."

Alexandre Carvalho/Divulgação
Sobre o curso
A capacitação é promovida pelo Núcleo Ciência pela Infância (NCPI), em parceria com o Insper), a Universidade de Havard (por meio do David Rockfeller Center for Latin American Studies e o Center on the Developing Child), a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV) e o Hospital Infantil Sabará.

A edição no Brasil veio para facilitar a participação de interessados no setor de governos estaduais e municipais. Nas outras três edições, as aulas ocorreram na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Na quinta edição, que está prevista para começar em agosto, o curso volta a ser sediado na prestigiada instituição norte-americana e deve contar com gestores do poder Executivo federal. Em 2016, o curso deve voltar a ocorrer no Brasil.

* A jornalista viajou a convite da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal

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