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Agressões em sala de aula

Gravações feitas por funcionária de colégio particular de Águas Claras revelam deboches e ataques físicos a crianças de 3 anos, todas alunas. As imagens mostram as vítimas humilhadas por professoras e auxiliares

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postado em 02/07/2015 10:30 / atualizado em 02/07/2015 10:32


Em uma gravação, a professora é agressiva ao colocar touca no aluno (Reprodução)
 

 

Em uma gravação, a professora é agressiva ao colocar touca no aluno


Três mães de alunos de uma escola particular localizada em Águas Claras denunciaram à polícia, ontem pela manhã, agressões contra os filhos. Os acusados são professores que aparecem em vídeos feitos dentro de salas de aula. As gravações — 25, no total — começaram a circular pelas redes sociais na noite da última terça-feira e mostram ataques físicos e verbais a crianças de cerca de 3 anos. A 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul) investiga o caso.

Todos os vídeos teriam sido feitos por uma funcionária da escola. Eles mostram agressões cometidas por três professoras, suspensas desde ontem. Em uma das gravações, uma criança aparece chorando porque as acusadas estariam estourando balões, cientes de que isso a assustava. Em outra, é possível escutar as educadoras debochando de um menino, pois ele teria feito xixi na calça. Elas o chamam de “bebê”, mesmo com pedidos para que parassem.

Em nota, o centro educacional informou que repudia qualquer atitude que fira os princípios morais da instituição. Segundo eles, todas as providências necessárias para apurar quaisquer irregularidades estão sendo tomadas.

Em outra, menino reclama que a professora não para de estourar balões (Reprodução)
 

 

Em outra, menino reclama que a professora não para de estourar balões


Repercussão
A nutricionista Tatiana Lemes, 34 anos, é mãe de duas crianças que estudam no colégio. A filha mais nova tem 3 anos e é cuidada por uma das professoras afastadas. Ela ficou assustada ao ver as imagens. “Primeiramente, eu tentei defendê-la, pois a conheço desde o início do ano e sei que a minha filha gosta dela. Mas, quando eu ouvi o áudio em que ela e mais uma educadora debocham de um dos alunos, fiquei revoltada”, conta.

Segundo Tatiana, os pais criaram um grupo nas redes sociais para discutir o ocorrido. A nutricionista afirma que também comparecerá à delegacia para registrar o caso. “Acredito que quem age dessa forma deve ser proibido de lecionar, seja aqui, seja em qualquer lugar. Elas demonstraram que não têm capacidade nenhuma para lidar com crianças tão pequenas”, conclui.

Outra mãe, que preferiu não se identificar, disse ao Correio que algo similar ocorreu com a filha na mesma escola, quando tinha 3 anos. Segundo ela, há três anos, a menina foi agredida por uma auxiliar, que, mesmo após denúncias, continua no colégio. “Procurei a escola e entrei com um processo criminal contra a envolvida. Descobri que, no quarto dia de aula, a minha filha tinha sido chacoalhada por essa profissional pelo simples fato de não ter entrado na fila que estava sendo formada”, relata.

De acordo com a mãe, a menina estava com medo e, inicialmente, não queria conversar sobre o assunto. Após muito questionamento, a criança confirmou o ocorrido e mostrou que o corpo estava marcado com uma das mãos da auxiliar. “Quando pedi as imagens das câmeras de segurança, fui informada de que elas apagavam automaticamente todos os registros após três dias. Tudo isso foi muito impactante e difícil de superar. Os profissionais que não têm equilíbrio emocional não podem lidar com crianças.”


"Descobri que, no quarto dia de aula, a minha filha tinha sido chacoalhada por essa profissional pelo simples fato de não ter entrado na fila que estava sendo formada”
Mãe que preferiu não se identificar
Saiba mais...
 
Constrangimento


Confira algumas transcrições dos vídeos:

“Olha o tamanho desse menino. Vai andar pelado agora. Tira essa roupa. Olha a cueca dele toda molhada. Óh! Eco! Olha ele de cueca, gente, hihihi. Vai andar de cueca para aprender a nunca mais fazer xixi”

“Olha aí, cheio de xixi. Pros seus colegas vê! Tá soltando pum.
Tá, sim. Olha o fedozão de xixi”

“Então, fica quieto. Seja obediente. Deixa eu limpar a sua boca. Esse menino é o mais sem limite que eu já vi na minha vida. Ele é difícil
(gritos e choro ao fundo)”

— Professora: “Pode estourar (o balão)? – Aluno: “Não, não, pode estourar, não. Eu tô com medo. Eu tô com medo”
 

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