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Gestão em conjunto

Além de dar voz aos estudantes dentro das escolas, os grêmios contribuem para a formação política deles, incentivando a luta pelos próprios direitos e a prática da cidadania

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postado em 16/07/2015 11:10 / atualizado em 16/07/2015 15:21

Mariana Niederauer

Ana Rayssa

O grêmio estudantil é uma das principais ferramentas para garantir a formação política dos estudantes e a participação deles na gestão das escolas. Longe de representar a partidarização do ensino, incentivam os alunos a praticarem a cidadania e a lutarem pelos próprios direitos. Desde cedo, eles têm a oportunidade de entender como funcionam organizações coletivas, aprendem a trabalhar em grupo e desenvolvem o poder de argumentação.

Foi com o objetivo de estreitar o relacionamento entre alunos e direção e representar todo o corpo discente, sem distinção, que a estudante do 2º ano do Sigma Rafaela Andara, 16 anos, decidiu dar continuidade ao trabalho do grêmio. O cenário político atual, de disputas entre Congresso e governo e de manifestações contra a corrupção, também influencia na participação dos estudantes, segundo a Rafaela. Ela acredita que o envolvimento nesse tipo de colegiado ajuda a quebrar o tabu da participação na política. “Isso reflete no grêmio, porque, querendo ou não, nós fazemos política. Isso desperta o interesse do aluno”, relata.

Minervino Junior

Além de manterem a escola informada por meio de um jornal produzido pelos próprios representantes, o grêmio desenvolve atividades culturais. Uma vez por mês, os estudantes escolhem um filme para ser reproduzido. “A maioria dos nossos projetos é voltada para o lazer. Porque, por ser uma escola particular, já tem toda a estrutura para os estudos”, afirma a diretora de Cultura, Vitória Mesquita, 16. Mesmo assim, o debate de assuntos importantes não é deixado de lado. Temas como a legalização do aborto e a redução da maioridade penal já foram discutidos. “Também focamos em temas que podem ser cobrados no Enem e no vestibular”, ressalta Lígia Kondo, 16, diretora de comunicação. Para o diretor do colégio, Iomar Pirangi, a participação no grêmio contribui para que o estudante tenha uma visão crítica da sociedade ao sair da escola. “O Sigma sempre procurou promover a formação integral do aluno”, afirma. “Não adianta ter essa definição no projeto político-pedagógico sem oferecer esse tipo de participação”, completa.

Autonomia
O grêmio estudantil deve trabalhar de forma autônoma para defender os interesses do corpo discente, sem a intervenção de professores ou diretores. Entre as tarefas da entidade, está a organização de atividades recreativas e culturais, mas a entidade também tem a função de organizar as lutas dos estudantes por melhorias no ensino, em defesa da educação pública, por mais verbas para a educação e por mais democracia na escola (leia Três perguntas para). Ao lado do conselho escolar e da associação de pais e mestres, faz parte do tripé que garante a gestão democrática nas escolas, definida tanto na Constituição Federal quanto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).

Depois de um período de pouca participação nas atividades escolares, o grêmio do Centro Educacional 6 de Ceilândia voltou com toda força no primeiro semestre do ano: organizou a biblioteca e lutou por mais segurança e fiscalização no empréstimo dos livros; pediu a instalação de uma televisão para passar informações importantes aos alunos durante o intervalo; e até organizaram um festival de música, que terá a segunda edição no próximo mês. “Passamos a influenciar outras escolas, que também começaram a ter festivais”, orgulha-se Emerson Sales, 18 anos, estudante do 3º ano.

Para o diretor, Romero de Almeida Sousa, esse tipo de participação é importante para o amadurecimento dos alunos. “Eles desenvolvem a capacidade argumentativa que pode ter influência no futuro, na busca por um emprego, por exemplo”, detalha. A estudante Vitória Nara, 17, também do 3º ano, destaca a relação mais próxima com a direção e o protagonismo dos estudantes como os principais benefícios do grêmio.

Já as alunas do 1º ano Estefane Arruda e Isabel de Lima, ambas de 15 anos, decidiram participar do grupo para ajudar a mudar o comportamento dos colegas. Alguns deles sujam o refeitório durante o intervalo e também há casos de desrespeito com os professores. “Essa escola é muito importante para a minha família. Dos meus oito irmãos, cinco estudaram aqui”, conta Isabel. “Mas, à tarde, têm muitos alunos que não respeitam os outros. Eu queria pelo menos tentar melhorar. Temos de cuidar do que é nosso”, conclui.


Além de manterem a escola informada por meio de um jornal produzido pelos próprios representantes, o grêmio desenvolve atividades culturais. Uma vez por mês, os estudantes escolhem um filme para ser reproduzido. “A maioria dos nossos projetos é voltada para o lazer. Porque, por ser uma escola particular, já tem toda a estrutura para os estudos”, afirma a diretora de Cultura, Vitória Mesquita, 16. Mesmo assim, o debate de assuntos importantes não é deixado de lado. Temas como a legalização do aborto e a redução da maioridade penal já foram discutidos. “Também focamos em temas que podem ser cobrados no Enem e no vestibular”, ressalta Lígia Kondo, 16, diretora de comunicação. Para o diretor do colégio, Iomar Pirangi, a participação no grêmio contribui para que o estudante tenha uma visão crítica da sociedade ao sair da escola. “O Sigma sempre procurou promover a formação integral do aluno”, afirma. “Não adianta ter essa definição no projeto político-pedagógico sem oferecer esse tipo de participação”, completa.

Autonomia
O grêmio estudantil deve trabalhar de forma autônoma para defender os interesses do corpo discente, sem a intervenção de professores ou diretores. Entre as tarefas da entidade, está a organização de atividades recreativas e culturais, mas a entidade também tem a função de organizar as lutas dos estudantes por melhorias no ensino, em defesa da educação pública, por mais verbas para a educação e por mais democracia na escola (leia Três perguntas para). Ao lado do conselho escolar e da associação de pais e mestres, faz parte do tripé que garante a gestão democrática nas escolas, definida tanto na Constituição Federal quanto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).

Depois de um período de pouca participação nas atividades escolares, o grêmio do Centro Educacional 6 de Ceilândia voltou com toda força no primeiro semestre do ano: organizou a biblioteca e lutou por mais segurança e fiscalização no empréstimo dos livros; pediu a instalação de uma televisão para passar informações importantes aos alunos durante o intervalo; e até organizaram um festival de música, que terá a segunda edição no próximo mês. “Passamos a influenciar outras escolas, que também começaram a ter festivais”, orgulha-se Emerson Sales, 18 anos, estudante do 3º ano.

Para o diretor, Romero de Almeida Sousa, esse tipo de participação é importante para o amadurecimento dos alunos. “Eles desenvolvem a capacidade argumentativa que pode ter influência no futuro, na busca por um emprego, por exemplo”, detalha. A estudante Vitória Nara, 17, também do 3º ano, destaca a relação mais próxima com a direção e o protagonismo dos estudantes como os principais benefícios do grêmio.

Já as alunas do 1º ano Estefane Arruda e Isabel de Lima, ambas de 15 anos, decidiram participar do grupo para ajudar a mudar o comportamento dos colegas. Alguns deles sujam o refeitório durante o intervalo e também há casos de desrespeito com os professores. “Essa escola é muito importante para a minha família. Dos meus oito irmãos, cinco estudaram aqui”, conta Isabel. “Mas, à tarde, têm muitos alunos que não respeitam os outros. Eu queria pelo menos tentar melhorar. Temos de cuidar do que é nosso”, conclui.

 

 

 

Três perguntas para

 (Arquivo pessoal)
 

Neusa Maria Dal Ri, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Qual a importância de um grêmio estudantil para a gestão democrática das escolas e para a formação dos estudantes?
A participação traz conhecimentos administrativos e organizacionais importantes para os estudantes. Os alunos poderão aprender o que é uma entidade, como organizá-la, como elaborar estatutos, como expandir a comunicação com os representados, o valor da informação, os veículos de informação etc. Porém, o ensinamento mais precioso que os alunos podem ter na participação em uma gestão democrática e em um grêmio é praticar a democracia. Mais importante do que ler em livros o que é democracia é vivenciá-la. É um poderoso currículo oculto que pode marcar a vida do aluno para sempre. Porém, de acordo com as várias pesquisas que desenvolvi em escolas públicas, o funcionamento da gestão democrática é dificultoso e praticamente não existe.

Como deve ser o diálogo entre grêmio e direção?
Deveria ser embasado no respeito mútuo e na colaboração. No entanto, minhas pesquisas e de outros autores mostram que o diálogo, na maioria das vezes, é difícil e conflituoso. Os grêmios existem porque sua formalização é requerida e é um item do bônus escolar. Mas, realizada a eleição, não atuam. E, se atuam, em geral, organizam festas e torneios. Há uma prática instaurada das direções de supervisionar e controlar os grêmios estudantis. Em geral, se informa que apenas os “bons” alunos podem participar das eleições para o grêmio. Da mesma forma, é comum as direções indicarem os alunos representantes no conselho escolar. Por outro, os alunos são, hoje em dia, muito despreparados politicamente. Não têm ciência nem consciência dos seus deveres e direitos, e não têm nenhuma experiência de participação.

O fato de existir um grêmio impede que os demais estudantes conversem diretamente com a direção?
Não impede. No entanto, os estudantes unidos em um coletivo sempre terão mais força para encaminhar suas reivindicações. Além disso, com a organização e a discussão coletiva, a tendência é de que as reivindicações e solicitações sejam de caráter coletivo, representem todos os alunos, e não um grupo ou indivíduos.

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