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Ouro na matemática para o DF

Dez estudantes de Brasília - todos do Colégio Militar - conquistaram medalhas na olimpíada brasileira das escolas públicas na disciplina. Cerimônia de premiação ocorre hoje, no Rio de Janeiro, e dois professores de Ceilândia serão homenageados

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postado em 20/07/2015 12:29 / atualizado em 20/07/2015 13:18

Paula Braga /Especial para o Correio

Breno Fortes

A cidade do Rio de Janeiro reúne hoje 501 estudantes cheios de habilidade com os números e de paixão pela matemática. São os medalhistas de ouro na 10ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) e serão homenageados às 15h, em cerimônia no Theatro Municipal. Entre eles, há 10 alunos do Distrito Federal — todos do Colégio Militar de Brasília (CMB). Os estudantes daqui conquistaram seis medalhas de ouro no nível 1 (6º e 7º anos do ensino fundamental) e quatro no nível 3 (ensino médio). A competição foi disputada por mais de 18 milhões de estudantes de 46.711 escolas públicas (federais, estaduais e municipais) em 5.533 municípios.

Lucca Duarte Rodrigues e Larissa Cristina Bertanha, 12 anos, são os caçulas entre os condecorados da capital federal. Atualmente alunos do 7º ano, eles estrearam na competição conquistando uma medalha de ouro cada. Apesar do esforço e da intensa rotina de estudos, Larissa afirma que foi surpreendida pela colocação. “Não esperava a medalha de ouro. Meus pais viram meu nome na lista de premiados e me avisaram”, lembra a menina. Apesar da pouca idade, Lucca tem experiência nesse tipo de disputa: ele ganhou quatro medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia, três medalhas e uma menção honrosa na de robótica e uma de ouro em outra competição de matemática.

Vitor Ossamu Rodrigues, 16 anos, antecipou os estudos, concluiu o ensino médio no primeiro semestre deste ano e foi aprovado no vestibular da Universidade de Brasília (UnB) para engenharia elétrica — a mesma área do pai. “Sempre tive mais afinidade com a área de exatas. A rotina de estudos para as olimpíadas foi intensa. Tivemos que aprender conteúdos avançados, que não são passados no colégio. Mas muita coisa eu estudava sozinho, por curiosidade”, afirma o estudante, que soma ao currículo mais duas medalhas de bronze e outra de ouro na Obmep.

Ainda entre os medalhistas veteranos na competição, estão André Luís Alcântara, 18 anos, e Leonardo Gomes Gonçalves, 19. Eles eram alunos do 3º ano do ensino médio quando conquistaram a colocação na Obmep 2014. Para André, a medalha que será recebida no Rio de Janeiro fará parte de uma vasta coleção: ele acumula mais de 20 premiações em competições de matemática, física, astronomia e química. No meio do ano passado, alcançou o primeiro lugar no vestibular da UnB, onde, atualmente, cursa engenharia civil; e ele não pretende parar por aí. “Agora, estou pensando em participar de olimpíadas de conhecimento para universitários”, revela.

Assim como André, Leonardo mantém a rotina de estudos depois de ter terminado a escola. Com mais de 15 medalhas conquistadas em competições escolares, ele está em um cursinho preparatório para buscar uma vaga no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Para aqueles que pretendem disputar a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas no futuro, ele aconselha: “Se achar algo interessante, procure se aprofundar, aprender coisas novas e não somente ficar com o conteúdo da sala de aula”.

Treinamento intensivo

Além das aulas no Colégio Militar de Brasília, a maioria dos medalhistas do DF na Obmep frequenta o Polo Olímpico de Treinamento Intensivo do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Os alunos aprofundam os conhecimentos resolvendo exercícios de provas de olimpíadas anteriores no contraturno das aulas regulares. Para o capitão Fernando Cunha Córes, coordenador do projeto, a chave para o sucesso dos jovens do CMB está na dedicação e na ideia de fazer do estudo das ciências exatas algo divertido.

“Estamos sempre dizendo que eles não precisam decorar os conhecimentos formais, mas trabalhar com raciocínio lógico e criatividade para resolver as questões”, explica Córes. “Quase todos os medalhistas do Colégio Militar passaram pelo polo. O que fazemos é acabar com o mito de que uma medalha nessas competições é inacessível. As olimpíadas de conhecimento desenvolvem nesses alunos uma autonomia de estudos. Quando saem da escola, muitos são aprovados em instituições de ensino renomadas”, ressalta o coordenador.

Outros destaques no DF


Tiveram o melhor desempenho na Obmep de 2015 6.501 alunos (que conquistaram 501 de medalhas de ouro, 1,5 mil de prata e 4,5 mil de bronze). Mais de 46 mil estudantes foram contemplados com menções honrosas. Em comemoração aos 10 anos da competição, no evento de premiação no Rio de Janeiro hoje, 10 alunos e 10 professores que contribuíram com o ensino da matemática na sua região receberão homenagens.

Criadores do projeto Matemática todo dia, Alessandra Lisboa e Marcos Paulo Barbosa, que dão aulas no Centro de Ensino Médio 9, de Ceilândia, estão entre os docentes homenageados pela Obmep este ano. No projeto, alunos das três séries do ensino médio trabalham juntos, num esquema de aprendizagem colaborativa: quem tem mais facilidade na disciplina ajuda os colegas. Para facilitar o aprendizado, eles criaram ainda jogos que são utilizados em sala de aula. O método tem apresentado resultados: na segunda fase da Obmep de 2013, a escola teve 45 alunos classificados e 25 premiados.

Para saber mais

Entenda a competição


A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) é disputada todos os anos em três categorias: no ensino fundamental, os alunos são divididos em grupos de estudantes dos 6º e 7º anos (nível 1) e dos 8º e 9º anos (nível 2); os estudantes das séries do ensino médio competem numa única categoria (nível 3). A competição é realizada pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e pelos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Medalhistas

Os campeões do DF na 10ª Obmep:


Larissa Cristina Bertanha, 12 anos
Aluna do 7º ano do Colégio Militar de Brasília, medalhista de ouro no nível 1

 

 

 

 

Lucca Duarte Rodrigues,
12 anos
Aluno do 7º ano do Colégio Militar de Brasília, medalhista de ouro no nível 1

 

 

 

Henrique Carvalho Wolski, 13 anos
Aluno do 8º ano do Colégio Militar de Brasília, medalhista de ouro no nível 1

 

 

 

 

Maria Eduarda Pasa, 13 anos
Aluna do 8º ano do Colégio Militar de Brasília, medalhista de ouro no nível 1

 

 

 

 

Leonardo Moraes Lins de Carvalho,
14 anos
Aluno do 8º ano do Colégio Militar de Brasília, medalhista de ouro no nível 1

 

 

 

Yuri Giácomo Lucena,
14 anos
Aluno do 8º ano do Colégio Militar de Brasília, medalhista de ouro no nível 1

 

 

 

Vitor Ossamu Rodrigues, 16 anos
Aprovado em engenharia elétrica na Universidade de Brasília, medalhista de ouro no nível 3

 

 

 

Isaac Santos
de Oliveira,
17 anos
Concluiu o ensino médio, é medalhista de ouro no nível 3

 

 

 

André Luis
de Alcântara,
18 anos
Estudante de engenharia civil na Universidade de Brasília, medalhista de ouro no nível 3

 

 

Leonardo Gomes Gonçalves,
19 anos
Concluiu o ensino médio, medalhista de ouro no nível 3

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