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Correio Braziliense

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Escola é atacada pela quinta vez em dois meses

Bandidos levaram 21 computadores e 18 monitores do Centro de Ensino Fundamental 28, em Ceilândia, na última ação, na madrugada de segunda-feira. Polícia afirma que tem suspeitos já identificados. Ontem, o governo lançou programa para aumentar a segurança no DF

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postado em 22/07/2015 11:19 / atualizado em 22/07/2015 11:26

Roberta Pinheiro

 

Condomínio Virgem da Vitória, do Setor Habitacional Sol Nascente, um muro azul pintado com imagens de meninos e meninas de mãos dadas se destaca no meio de uma paisagem vazia. Ali, funciona o Centro de Ensino Fundamental 28 (CEF 28). O local é ladeado por dois terrenos baldios e faz divisa com a Vila Olímpica da QNP 21. A visualização é de abandono, o que explica a situação vivida pela unidade. Na madrugada da última segunda-feira, bandidos arrombaram a sala de informática e levaram computadores adquiridos pelo Ministério da Educação (MEC) com o programa ProInfo e outros que a instituição ganhou. Em menos de dois meses, é a quinta ocorrência registrada no colégio.


Edy Amanro

“Praticamente, eles (os ladrões) acabaram com a nossa sala de informática, um local construído para atender à demanda dos alunos. A escola tinha que ser algo inviolável: é um bem muito grande, onde as pessoas recebem a educação. Mas, infelizmente, não pensam assim. Aí, a instituição fica sujeita a isso”, desabafa a diretora do CEF 28, Glauce Kelly Furletti. Ao todo, os suspeitos levaram 10 CPUs e 18 monitores do programa ProInfo e 11 computadores completos que tinham sido doados para a escola. Além disso, furtaram teclados e mouses.

Segundo a diretora, desde que ela entrou na instituição, em 2011, nunca tinha ocorrido algo similar. Apenas pequenos furtos de vassouras. Mesmo assim, receosa por trabalhar em um local ermo, Glauce solicitou a construção de um muro entre a escola e a Vila Olímpica, mas não foi atendida. Então, a diretora colocou a grade. O que não foi suficiente para impedir a ação de bandidos.


Glauce registrou as cinco ocorrências nesse período: dois danos ao patrimônio e três furtos. Na primeira ocasião, os suspeitos atearam fogo em um sofá velho em frente ao portão do estacionamento, o que danificou a estrutura. Em outra oportunidade, arrombaram o depósito de material de limpeza e levaram alguns itens. Na semana passada, arrombaram o portão social do colégio e furtaram dois monitores e dois teclados da sala da coordenação.


O coordenador da Regional de Ensino de Ceilândia, Marco Antônio de Souza, lamenta o ocorrido. “São coisas que acontecem no período noturno. Mas a segurança do Sol Nascente sempre foi muito prejudicada”, declara. Ele ressalta que as ocorrências representam prejuízos para a educação. “São equipamentos utilizados pelos alunos e fazem falta”, comenta.

Histórico

A 19ª Delegacia de Polícia Civil (Setor P Norte, Ceilândia) está à frente das investigações. De acordo com o delegado-chefe da unidade, Fernando Fernandes, os suspeitos entraram por um espaço aberto na base da cerca da Vila Olímpica e, em seguida, violaram as grades — tanto as da escola como as colocadas na janela da sala de informática. Segundo o investigador, existem alguns suspeitos identificados por meio de ocorrências anteriores, em que os bandidos atuaram de forma semelhante e também por denúncias anônimas. “Nós aguardamos os dados da perícia para confrontar as digitais recolhidas na escola com as desses possíveis suspeitos. Há adolescentes envolvidos”, adianta o delegado.


Segundo Fernandes, são quatro homens. Alguns deles estariam envolvidos com o tráfico de drogas, mas nenhum, até o momento, foi caracterizado como aluno da instituição. De acordo com o policial, a região não tinha histórico de violência até o início do ano. “Depois de algumas reuniões, inclusive com a Regional de Ensino da Ceilândia, tanto nós como a Polícia Militar intensificamos as abordagens, o que nos levou a prender alguns ladrões que roubavam pedestres. O objeto que mais chama a atenção deles é o celular”, explica. Fernandes esclarece que é muito comum usuários de drogas cometerem esse tipo de crime para manterem o vício. “Eles revendem para pessoas que trabalham na área de informática, por exemplo, ou trocam direito na boca de fumo.”


O Batalhão Escolar explicou que, geralmente, há a segurança fixa e as rondas. Mas, por causa das férias escolares, alguns policiais foram redirecionados para outras localidades.


Até ontem, o dentista Elias Lima, 38, trabalhava de portas abertas. Ele tem um consultório em frente à escola e nunca sofreu com furtos ou assaltos. “Só na época da construção (do consultório) me roubaram alguns materiais. Mas, depois disso, não”, conta. No entanto, com tantos comentários negativos, preferiu tomar algumas providências. Além das câmeras de segurança, instalou um portão, que ficará fechado. “É importante que a população registre as ocorrências. Só assim vamos conseguir mostrar o que acontece aqui”, defende.

 

Aposta nas estatísticas


O DF está na 12ª posição entre as 27 unidades da Federação quando o assunto é homicídio. São 24,7 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. Para o governo, o número é alto e não sofre alterações há pelo menos 20 anos. Os dados e a própria sensação de insegurança nas ruas da cidade, no entanto, só passarão dentro de seis meses, segundo o secretário de Segurança Pública e da Paz Social, Arthur Trindade. A estratégia para alcançar esse objetivo foi oficializada ontem, com o lançamento do Programa Viva Brasília — Nosso pacto pela vida. A medida, que já estava sendo testada por meio de um projeto-piloto desde o início do ano, une as forças de segurança do DF, traça planos e metas e tem como foco a diminuição dos assassinatos.


O documento com o pacote de normas referentes ao programa foi assinado, na manhã de ontem, pelo governador do DF, Rodrigo Rollemberg, no Ginásio Regional de Ceilândia. O texto é a junção de três decretos. O principal deles cria o Viva Brasília. Os outros dois trazem as estatísticas e a rotina do programa. O plano conta com o apoio do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) e do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT).

“Acreditamos que a sensação de segurança começará ser percebida até o fim do ano. Claro que não podemos prometer o fim da criminalidade, isso é impossível, mas uma diminuição na insegurança, sim. Será resultado da redução significativa das taxas de criminalidade, de uma nova forma de relação entre a polícia e a sociedade, além da presença dos policiais nas ruas”, explicou o secretário. Segundo o chefe da pasta, o programa estava em caráter experimental desde o começo da gestão de Rollemberg. Agora, a meta da pasta é reduzir pelo menos em 6% as taxas de homicídio na capital ao ano.


A principal frente do Viva Brasília é a estratégia. Com um estudo das áreas vulneráveis, dos grupos de risco e dos horários de maior incidência nas mãos, as forças de segurança atuarão com pontos predefinidos. Programas existentes também serão fortalecidos, segundo Trindade. A condução do projeto será feita pelo próprio governador e coordenada pela Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social. “A secretaria vai ouvir a comunidade e fortalecer os conselhos para construir as alternativas e as ações. Já conseguimos reduzir todos os índices — como 11% dos homicídios e mais de 40% dos roubos a comércio —, mas queremos mais”, prometeu Rollemberg.

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