SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

EDUCAÇÃO »

Escolas empreendedoras

Projetos ajudam os estudantes a conhecer o mercado e os preparam para o conseguirem um emprego ou para abrir a própria empresa. Ações têm impacto também no desempenho em sala de aula, com alunos mais dedicados e comprometidos

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 23/07/2015 11:04 / atualizado em 23/07/2015 11:08

Mariana Niederauer

Carlos Moura

O conteúdo formal não é o único aprendizado que crianças, adolescentes, jovens e adultos levam dos anos de estudo. A formação pessoal e a profissional também são partes importantes desse processo e refletem no desempenho que os alunos terão ao concluírem a educação básica. Diversas escolas do Distrito Federal têm apostado em projetos com o objetivo de preparar os estudantes para o mercado de trabalho ou para abrir o próprio negócio e ensinam lições como trabalho em equipe, responsabilidade e solidariedade.

Durante 15 semanas, um grupo de alunos do Centro Educacional 1 do Cruzeiro terá contato com todas as etapas de formação de uma empresa: marketing, recursos humanos, finanças e produção. O projeto teve início em abril e todo o planejamento da Multibotons já está pronto.  O presidente da empresa, Alexsander Amaral, 17 anos, aluno do 2º ano, explica que, a cada jornada, o grupo consegue fazer de 50 a 60 bótons, que passam por rigoroso controle de qualidade antes de serem embalados e comercializados. “Acho que esse aprendizado vai ser muito significativo para o mercado de trabalho. Aprendemos a prestar contas, fazer relatórios e a ter responsabilidade”, detalha.

Agora, eles estão na fase de produção e venda dos ecobotons, produtos feitos com latas de alumínio recicladas e customizadas que pode ter três utilidades: ímã de geladeira, chaveiro e identificador de bolsa ou mochila. Cada unidade é vendida a R$ 4 e os estudantes também comercializam ações da empresa. No fim do projeto, cada acionista recebe de volta o valor investido e os lucros. Parte da arrecadação é doada a instituições de caridade. “Fiquei apaixonado pelo projeto, nunca tive uma oportunidade como essa”, relata o vice-presidente da Multibotons, Gabriel Soares, 17 anos, também aluno do 2º ano.

 

Edy Amaro

O trabalho desenvolvido no colégio do Cruzeiro faz parte do projeto Miniempresa, da organização não governamental Junior Achievement. Em agosto, as empresas de todos os colégios contemplados — oito no total, entre públicos e privados — vão apresentar os produtos em uma feira no Conjunto Nacional. Para passar o conhecimento aos alunos, a organização conta com a participação de voluntários, os advisers, que podem ser empresários ou funcionários de empresas. “Essa metodologia é muito mais próxima de mostrar o caminho de montar uma empresa do que um curso formal de administração e finanças. Essa vivência prática é muito rica”, avalia o empresário Eder Freddi, um dos advisers dos estudantes do Cruzeiro.

Os resultados podem ser vistos até mesmo no desempenho dos alunos em sala de aula e no engajamento em outras atividades da escola. “O projeto estimula valores como responsabilidade, colaboração, trabalho em equipe e tomada de iniciativa. Eu acredito que isso vai refletir no rendimento deles aqui na escola, porque começam a perceber o sentido de buscar o conhecimento para entrar no mercado de trabalho”, avalia a orientadora educacional Andréa Gonçalves. Para o vice-diretor, Getúlio Cruz, a atividade, assim como outras ações extraclasse que são oferecidas, faz o aluno gostar de estar na escola, inclusive no turno contrário ao da aula. “É uma forma de o aluno gostar de vir para a escola. Alguns lamentam não poderem vir nos fins de semana. Em anos de trabalho, poucas vezes ouvi isso”, diz.

Iniciativa própria
No Centro Educacional São Francisco, de São Sebastião, é a Produtora Encena que reúne os estudantes em uma iniciativa empreendedora. Criado no fim do ano passado com o objetivo de organizar o 1º Festival de Cinema da escola, o empreendimento tem até logomarca. Este ano, ficaram responsáveis também por promover a Feira de Conhecimento e a Semana de Inclusão. Com o aprendizado obtido na escola, alguns dos estudantes foram selecionados até mesmo para atuar em eventos externos, como o aniversário da Imprensa Nacional. A remuneração foi destinada à comissão de formatura e vai ajudar a pagar a festa dos formandos do 3º ano.

Nem mesmo nas férias o grupo para as atividades. Desde a última segunda-feira eles estão indo diariamente à escola, onde participam de palestras com convidados sobre diversos tipos de eventos, esportivos ou de lazer. A maratona termina no próximo domingo, com direito a acampamento no colégio a partir de sexta-feira. “O aluno que vem para o projeto não vem pela nota, vem pelo conhecimento e pela formação pessoal e profissional”, afirma a diretora, Ghislaine Porto. Entre as habilidades que eles desenvolvem durante o processo, ela destaca o trabalho em equipe, a capacidade de empreender e de tomar iniciativa.

A primeira edição do projeto ocorreu em 2008 e culminou na organização de uma colônia de férias para crianças da comunidade, dois anos mais tarde, organizada pelos próprios alunos do colégio. O objetivo para os próximos semestres é conseguir novas parcerias para fortalecer, principalmente, a formação empreendedora.

Para o aluno do 3º ano Rodrigo Dourado, 19 anos, a identificação com o projeto veio graças à união de duas paixões do jovem: cinema e festas. Ele participou da organização do festival no ano passado e desde então atua na produtora. A participação no projeto o inspirou e levantou perspectivas para o futuro. “Estou até pensando em conseguir um estágio e abrir um negócio próprio depois de terminar o ensino médio. Eu vi, vivi e me apaixonei pelo projeto da escola, quero dar continuidade a isso.”


Participe

Sebrae

As instituições interessadas em fazer parte do Programa Nacional de Educação Empreendedora precisam estabelecer parceria com o Sebrae. Informações pelo telefone 0800 570 0800 ou pelo site www.df.sebrae.com.br.

Junior Achievement

A organização está presente em 124 países. No Brasil, atua há 30 anos e, em Brasília, há 10. As escolas interessadas em participar devem preencher o formulário disponível no site www.jabrasil.org.br e aguardar o retorno.

Para todas as idades


As lições do empreendedorismo na educação podem atingir todos os graus de escolaridade. Prova disso é o Programa Nacional de Educação Empreendedora do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que inclui ações do ensino fundamental ao superior. Na educação básica, o principal objetivo da entidade é inserir o empreendedorismo como tema transversal.

“Essa metodologia, que chamamos de Jepp (Jovens Empreendedores Primeiros Passos), tem como objetivo despertar e fortalecer o espírito empreendedor nesses jovens e estimular o protagonismo juvenil na busca de uma oportunidade de inserção no mercado de trabalho”, explica Claudia Aparecida Ferreira, analista da Unidade de Capacitação Empresarial do Sebrae. A parceria não tem custos para a escola. Um instrutor do Sebrae vai até a instituição e capacita os professores para aplicar a metodologia em sala. O próprio colégio determina em qual disciplina incluirá o conteúdo.

Engajamento
A ação empreendedora é um dos eixos desenvolvidos na Agência de Talentos Cesas, em que escola pública de educação de jovens e adultos (EJA). O projeto teve início este ano, com o objetivo de reduzir o grande índice de evasão desta etapa do ensino. “Um dos elementos que está muito ligado a isso é a necessidade real desse jovem ou adulto de entrar ou permanecer no mercado de trabalho”, explica o professor Virgínio Beltrami, responsável pelo projeto. “Temos alunos de 17 ou 18 anos que já começam a sofrer a pressão da família para conseguir um emprego e o adulto que já está inserido no mercado de trabalho ou precisa se inserir para sustentar a família”, exemplifica.

O projeto oferece oficinas de modelagem de negócio e, no próximo semestre, a intenção é promover uma feira de artesanato. Além do empreendedorismo, a agência dá orientações a quem pretende cursar o ensino superior e àqueles que têm como foco a educação profissional. Até servidores do colégio recebem orientação profissional. A iniciativa também despertou o interesse de outros professores, que se ofereceram para ajudar, eles vão ensinar a escrever um currículo e uma carta de apresentação e como participar de uma entrevista.
 

 

publicidade

publicidade