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Correio Braziliense

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Estudante de Samambaia encontra carteira com R$ 1,6 mil na rua

Lucas ganha meio salário mínimo e nunca pensou em ficar com a quantia

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postado em 19/08/2015 16:41 / atualizado em 19/08/2015 16:50

Lucas Iury Marques da Silva, 16 anos, é aluno do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 312 de Samambaia. O aluno do 9º ano passou por uma situação muito peculiar na manhã da segunda-feira passada (10), quando se deparou com uma carteira jogada em cima de um saco de lixo na calçada.  

O rapaz conta que só notou o objeto por conta de um degrau, que o forçou olhar para o chão ao andar. “Eu olhei para a carteira, peguei e continuei meu caminho. Quando mostrei para um colega, nós abrimos e vimos que o que tinha dentro não era só papel. Brinquei dizendo que achava que tinha muito dinheiro lá dentro. E tinha mesmo.”

Lucas, com a certeza de que precisava devolver o dinheiro, não se traquilizou até resolver o problema. Ao procurar  sua professora, Rivânia de Araújo Resende, o menino descobriu que o papel dentro do objeto se tratava de uma ordem de serviço de uma oficina. Apenas um nome e o número de telefone do estabelecimento constavam no papel.

O dono da carteira é Benício Eleutério, 66 anos. O senhor, que trabalha como pedreiro, conta que estava se preparando para levar sua esposa Lindalva Ferreira de Araújo, de 63 anos, ao Hospital Universitário de Brasília (HUB).

Benício estava muito apressado para não perder a consulta da esposa, que tem sérios problemas de locomoção, já que o casal leva cerca de 1h para chegar ao HUB. Ao sair, Benício ainda levou o lixo para fora de casa e não percebeu que havia deixado sua carteira contendo R$ 1,6 mil.

A quantia compreendia toda a renda mensal do casal, que Benício usaria para pagar contas de água, luz, e despesas alimentícias, além  de comprar os remédios que sua esposa precisa tomar, mas que não se encontram na rede pública. “Esse dinheiro é da minha aposentadoria, mas não dá para sustentar minha esposa e eu. Às vezes conseguimos economizar e comprar os remédios da Lindalva, mas nem sempre é assim. Os remédios são caros”, afirma o aposentado.

Apenas quando Benício foi à escola buscar seu pertence que Lucas pode enfim, descansar. Para Lucas, não havia outra solução se não devolver a carteira. “A pessoa que é dona dessa carteira também precisa do dinheiro, e talvez precise mais do que eu. Não faria sentido eu pegar esse dinheiro. Ele não era meu. Quando eu entreguei a carteira e pedi ajuda para minha professora, ela ainda perguntou se eu tinha certeza de que queria devolver o dinheiro.”

Gratidão

O aposentado afirma que não imaginava reencontrar sua carteira. “Eu pensei que minha carteira pudesse estar na cama ou que eu tivesse realmente esquecido no lixo. Quando eu notei que havia perdido, nunca pensei que teria o dinheiro de novo. Já tinha colocado tudo nas mãos de Deus. Pensei que pegariam o dinheiro e jogariam a carteira fora.”

Ao receber a ligação, Benício foi até a escola de Lucas resgatar seu pertence. O senhor ainda deu R$ 50 reais como forma de agradecimento para o menino, mas ainda achou pouco. “Eu queria ajudar muito mais aquele garoto, mas o dinheiro que eu tinha não tinha nem como nos sustentar. Pedi que minha filha ligasse para emissoras para contar a história e assim ajudar o Lucas”, relata o senhor.

Lucas ajuda a família trabalhando como auxiliar no Hospital Ortopédico e Medicina Especializada (Home), localizado no Plano Piloto, como jovem aprendiz. Lá, ele recebe meio salário minimo (R$ 394) e ajuda sua mãe e seu padastro, que no momento estão desempregados. Ele também conta que pretende entrar na carreira militar, para ter mais oportunidades de ajudar sua família no futuro.

A mãe de Lucas, Cíntia Marques da Silva, se diz muito orgulhosa. “Sempre tive muita dificuldade para criar o Lucas e seus outros irmãos. Quando soube do que ele fez, vi que tudo que ensinei para ele não foi em vão”, afirma Cíntia.


Exemplo

A diretora da escola, Maria Elizabete Ferreira, conta que o corpo docente se emocionou com o gesto de honestidade e decidiu homenagear Lucas. O menino e sua mãe compareceram à escola diante dos outros alunos e  contaram o caso.
Para Rivânia, o que Lucas fez representa uma minoria na juventude brasileira, que deve ser sempre elogiada para cativar os demais. “ Nós homenageamos o Luquinha pela tarde e também pela manhã. O que deveria ser natural se tornou algo tão surpreendente que não pôde passar em branco. Queremos que todos os nossos alunos tenham o mesmo espírito de solidariedade que o Lucas possui.”

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