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Ao infinito e além

Estudantes da rede pública do DF são selecionados para a Jornada de Foguetes. Familiares fazem vaquinha virtual para ir à competição nacional

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postado em 09/09/2015 11:03

Carlos Vieira

Não importa o material que tenham à mão, para alunos do Centro de Ensino Médio 9 de Ceilândia (CEM 9) o limite é aonde a imaginação conseguir alcançar. Dentro de uma sala de aula da rede pública de ensino, eles construíram um pequeno foguete com garrafas pet, movido por uma reação entre vinagre e bicarbonato de sódio. O protótipo, feito durante oficinas desenvolvidas na escola para a Mostra Brasileira de Foguetes (Mobfog), alcançou 180 metros durante seu lançamento e agora segue para competição nacional.

A equipe formada pelos estudantes do ensino médio Patrícia Rodrigues, 17 anos; Igor Gonçalves, 16; e Simone Maria, 14, foi selecionada para participar da Jornada de Foguetes, após fazer parte da Mobfog deste ano. O evento é realizado pela Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). Para arcar com as despesas da viagem ao encontro, que será realizado de 26 a 29 de outubro, no interior do Rio de Janeiro, a família e a escola realizam campanhas junto à comunidade para arrecadar recursos.

O trio de estudantes ficou entre os 500 selecionados para a disputa em Barra do Piraí (RJ). A Mobfog é voltada para quem está no Ensino Fundamental e Médio, em escolas públicas e particulares de todas as regiões do país. Essa etapa ocorre nos colégios participantes. Na mostra, os estudantes elaboram e lançam, o mais longe possível, foguetes construídos com materiais variados. Os alunos do ensino médio que alcançam as maiores distâncias no lançamento são convidados a participar da Jornada de Foguetes.

Alessandra Lisboa, coordenadora do projeto Olimpíadas CEM 09, que promove a participação dos estudantes em competições de conhecimento, explica que iniciativas como esta são importantes na formação dos alunos. Por meio delas é possível desenvolver de forma prática conceitos de disciplinas como física, matemática e química, além de “estimular a habilidade de trabalhar em equipe e ajudar ao próximo”.

Participantes assíduos de disputas estudantis, os três colecionam medalhas e prêmios. A coordenadora Alessandra relata que, além de se destacar nas atividades escolares, os alunos também ajudam na preparação dos demais colegas para olimpíadas de conhecimento. “Eles são muito esforçados em sala de aula e já pensam e se preparam para o futuro”, afirma.

Igor foi selecionado para participar do mesmo evento no ano passado e conseguiu o troféu de escola campeã para o centro de ensino. Para o estudante, o diferencial da competição é poder avançar da teoria à prática. “A gente não só aprende algo novo, mas começa a entender como aquilo se aplica. É muito interessante saber como o sistema do foguete realmente funciona e o que faz com que algo que pesa toneladas vá ao espaço”, conta. O jovem, além das aulas regulares na escola, tem lições de iniciação científica na Universidade de Brasília (UnB). Conquistou a vaga nesse projeto como prêmio, na competição de 2014.

Com medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e medalha de bronze na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), no ano passado, Simone explica que é gratificante representar a escola em um evento nacional. “A gente não quer ganhar apenas pela nossa equipe, mas sim pela escola. O colégio todo se envolve e, se temos algum problema ou dúvida, sempre tem alguém para nos ajudar”, ressalta. Patrícia, que já conquistou vaga na Olimpíada Brasileira de Física deste ano, está animada para a próxima fase. “Por mais que tenha que haver muita preparação, o processo é divertido. A gente está muito empolgado e espero que nossa equipe se saia muito bem”, diz.

Financiamento

Os custos de transporte, hospedagem e alimentação para participar do concurso ficam a cargo das famílias e são em torno de R$ 4 mil. Por falta de condições financeiras para arcar com as despesas, a mãe de Vítor criou uma vaquinha on-line para arrecadar o dinheiro. Até o momento, o valor doado é de R$ 1.080. A coordenadora Alessandra, que acompanhará os estudantes na viagem, explica que, além da campanha on-line, a equipe vende rifas na escola e para a comunidade. “Nós não temos nenhum apoio institucional. A gente está dependendo de doações. O nosso grande desafio, talvez maior do que construir o foguete, é o de conseguir o dinheiro para pagar toda a viagem”, ressalta.

Até a próxima sexta-feira (11), a equipe precisa arrecadar R$ 2.400, valor que deve ser pago para confirmar a participação no evento. Os interessados podem ajudar os estudantes com contribuições via internet, até 25 de outubro.

"A gente não só aprende algo novo, mas começa a entender como aquilo se aplica. É muito interessante saber como o sistema do foguete realmente funciona e o que faz com que algo que pesa toneladas vá ao espaço”


Igor Gonçalves,
aluno do CEM 9, em Ceilândia

Como contribuir
www.vakinha.com.br/vaquinha/olimpiadas-cem-09-de-ceilandia-df
Informações: 3901-6865, no Centro de Ensino Médio 9 de Ceilândia.

 

 

PARA SABER MAIS »

Atividade engenhosa


 

Organizada pela Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), a sétima edição da Jornada de Foguetes ocorrerá de 26 a 29 de outubro, em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro. Os participantes do ensino médio que se destacam na Mostra Brasileira de Foguetes são convidados a participar do evento nacional. Na competição, os foguetes são lançados numa pista de pouso, feita para pequenos aviões, em um hotel-fazenda. Para a execução da prova, o foguete deve ser fixado na base, que é fincada no chão. Em seguida, ele é apontado em uma direção livre de obstáculos, como árvores altas.

Antes do lançamento, a equipe deve fazer contagem regressiva. Depois, o gatilho é puxado e o foguete sai em um movimento parabólico, atingindo de 100 a 200 metros — ou até mais, a depender da aerodinâmica dada ao modelo e das quantidades de vinagre e bicarbonato de sódio usadas como combustível do projeto. Os critérios da competição são a combinação ideal das substâncias, o ângulo de lançamento, a direção do vento e o tamanho e o peso do foguete, além do alcance obtido. As premiações para as equipes são troféus de equipe campeã, de vice-campeã e menção honrosa.

 

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