Um país, um currículo

MEC apresenta documento preliminar da Base Nacional Comum Curricular

MEC pretende unificar 60% do conteúdo ministrado nas salas de aula brasileiras nos ensinos infantil, fundamental e médio. A proposta de mudança fica sob consulta, críticas e sugestões da população pelo período de nove meses

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 16/09/2015 14:38 / atualizado em 17/09/2015 12:03

Edy Amaro

O Ministério da Educação (MEC) apresentou ontem a primeira versão da Base Nacional Comum Curricular. O documento define como serão 60% do conteúdo ministrado nas 190 mil escolas de ensinos infantil, fundamental e médio do Brasil. Os outros 40% serão de responsabilidade de estados e municípios, destinados ao aprendizado de literatura, geografia e história da própria região.

As mudanças práticas não são imediatas. A proposta preliminar do governo estará disponível na internet para críticas e sugestões de pais, professores e alunos. A expectativa do MEC é finalizar o currículo nacional até 24 de junho de 2016.

“Ainda não é nada oficial. O mais importante nesta fase do projeto é estimular o debate e a construção de ideias para alterar o documento. A sociedade tem a chance de definir as bases para o aprendizado no Brasil. Quanto mais participação, melhor será a proposta final”, afirmou o ministro da Educação, Renato Janine.

O documento foi elaborado por 116 especialistas em diferentes áreas de conhecimento e divide-se em quatro áreas: linguagens, matemática, ciências humanas e ciências da natureza. Durante coletiva de imprensa, a integração entre as áreas de conhecimento foi citada quatro vezes em 10 minutos por Janine, como ponto determinante para o sucesso da proposta.

“Conhecimentos articulados são muito mais produtivos. O plano oferece ao professor o caminho de integrar várias matérias e tornar o ensino mais interessante”, analisou o ministro. A proposta inicial do currículo prevê a introdução do ensino de educação financeira, sustentabilidade e direitos humanos nas salas de aula. Janine garantiu que o projeto não espelha a “posição do MEC” e está livre de “doutrinação, orientação ideológica ou de gênero.”

Para Manuel Palácios, secretário de Educação Básica, unificar parte do ensino nas escolas de todo o país pode ajudar na formação de professores e melhorar a qualidade do material didático oferecido aos alunos. O governo acredita que o plano de ensino vai facilitar a vida dos estudantes em exames estaduais ou nacionais, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “O aluno vai ganhar uma referência do que importa na educação básica. Ele terá uma clareza do que pode cair no exame”, explicou Palácios.

Equilíbrio
Especialistas em educação percebem avanços com a adoção da Base Nacional Comum Curricular. O conteúdo unificado para as escolas deve “anular a roleta russa que é nascer no Brasil”, como definiu Ricardo Falzetta, gerente de Conteúdo da ONG Todos pela Educação.

“Hoje, se você nasce numa região que tem a educação mais organizada, se dá bem; mas, se nasce numa localidade menos favorecida, está abandonado. Dar o mesmo norte a todos os professores vai ajudar a equilibrar o ensino no país”, analisa Falzetta.

O maior desafio que o governo enfrentará é ouvir a população e concluir o projeto em apenas nove meses. “Se a comunidade se sentir representada, naturalmente, a estrutura do ensino vai se transformar”, disse Falzetta. Em comparação, a Austrália demorou oito anos para fazer a mesma alteração no currículo educacional. Nada que tire a confiança do ministro da Educação. Ele afirmou que a experiência e os possíveis erros australianos serão tomados de exemplos no Brasil.

“Hoje, se você nasce numa região que tem a educação mais organizada, se dá bem; mas, se nasce numa localidade menos favorecida, está abandonado”

Ricardo Falzetta, gerente de Conteúdo da ONG Todos pela educação