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Apenas 11% dos alunos alfabetizados do país têm nível ideal de leitura

Dados da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) foram divulgados pelo MEC nesta quinta-feira (17). 57% dos alunos mostraram dificuldades para lidar com a matemática; 24% não conseguem escrever números por extenso ou nomear formas geométricas

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postado em 17/09/2015 16:00 / atualizado em 17/09/2015 18:27

Augusto Berto - Especial para o Correio

Apenas 11% dos estudantes brasileiros no 3º ano do ensino fundamental têm nível ideal de leitura, conseguem reconhecer tempos verbais e entender o sentido de um texto. Outros 22% conseguem somente ler sílabas e formar palavras. Os dados estão entre os resultados da Avaliação Nacional de Alfabetização, divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) às 15h desta quinta-feira, em Brasília. A avaliação também concluiu que 57% dos alunos mostraram dificuldades para lidar com a matemática. O teste averiguou que 24% dos estudantes não conseguem escrever números por extenso ou dar nome a formas geométricas.

 

Confira os resultados completos da avaliação

Assista à coletiva de imprensa sobre o assunto em vídeo pelo site do MEC

 

A prova foi aplicada para 2,6 milhões de estudantes em 55 mil escolas do país. São avaliados estudantes do 3º ano do ensino fundamental, período de conclusão do ciclo de alfabetização. O teste avalia estudantes no fim do ciclo de avaliação nos conteúdos de leitura, escrita e matemática. Dividido em quatro níveis, apenas os alunos com a nota máxima na avaliação são considerados totalmente alfabetizados.

O estudo mostra que 9,8% dos estudantes no Brasil chegaram ao nível quatro de escrita, com capacidade de escrever textos e seguir regras gramaticais. Em alguns estados, o índice é mais crítico: Bahia e Maranhão não passaram de 1%. Em escrita, Santa Catarina apresenta o melhor desempenho entre as unidades da Federação com 22,25% dos estudantes de 3º ano sendo capazes de articular bem os textos.

 

Estados no Nordeste e do Norte apresentaram desempenho pior em relação ao restante do país. No quesito escrita, por exemplo, Santa Catarina apresenta 22 vezes mais estudantes aptos do que o Maranhão.

Segundo Ricardo Falzetti, diretor de conteúdo da ONG Todos pela Educação, os números mostram que o futuro das crianças brasileiras está comprometido. “Tantos alunos sem domínio da língua portuguesa e matemática nesse período de estudo não conseguirão acompanhar o conteúdo nos anos seguintes”, explica Falzetti. A sequência de notas baixas, segundo ele, é um dos principais fatores para a evasão escolar.

 

Apesar dos resultados desanimadores, o país apresentou avanços no quesito leitura. Em 2013, 24,13% dos alunos de 3º ano ensino fundamental foram enquadrados no nível 1 no exame; em 2014, foram 22,1%. 33,1% alcançaram o nível 2 em 2013 e, no ano passado, foram 33,96%. No nível 3, em 2013, estavam 32,85% dos estudantes; em 2014, eram 32,63%. O percentual de crianças que alcançaram o nível 4 em 2013 era de 9,92% e, no ano passado, subiu para 11,2%.

 

Histórico

A ANA ocorreu nos últimos dois anos. O Ministério da Educação cancelou a realização da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) para este ano. O corte de gastos foi o principal motivo.

 

A avaliação foi criada com o Pacto Nacional da Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), lançado pela presidente Dilma Rousseff em 2012. A decisão interrompe a série de provas iniciada em 2013. No ano passado, o exame custou R$ 150 milhões aos cofres públicos.

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