EDUCAÇÃO »

Estudo aponta que gasto por aluno da educação básica continua baixo

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 24/11/2015 10:22 / atualizado em 24/11/2015 12:35

Naira Trindade

Paula Rafiza

Destacado entre os países que mais investiram na educação nos últimos anos, o Brasil figura nas últimas colocações no investimento por aluno dos anos iniciais do ensino fundamental. Segundo os dados da publicação Education at a Glance 2015, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado hoje, o país está em 32° lugar no ranking de 37 países, trazendo um investimento anual de US$ 3 mil por aluno. O índice representa apenas 37,5% da média da OCDE, que é de US$ 8 mil, e fica atrás, inclusive, do vizinho Chile (US$ 4,2 mil).


Na comparação com o gasto anual por aluno na educação superior, o valor investido no país sobe para US$ 10,5 mil, listando a 19ª colocação entre os 37 participantes do estudo. Nesse item o país também perde para o Chile, que investiu US$8 mil. Apesar de investimentos maiores para a educação superior, o país reduziu a disparidade entre os ensinos. Entre 2000 e 2012, o valor anual gasto por aluno da educação superior em relação a básica caiu de 11% para 3,7%, como mostra os números do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), do Ministério da Educação.


Para o doutor em educação e colaborador da Universidade de Brasília Carlos Augusto Medeiros, os números retratam a realidade do país, que, apesar de estar reduzindo a disparidade nos gastos, continua investindo mais no ensino superior. “Nossa educação superior nunca foi ruim, embora grande parte desse recurso seja gasto com pessoal”, analisou. A psicóloga, mestre em educação e professora da Universidade Federal do Ceará, Vivina Rios Balbino, compara ainda que os gastos com educação no Brasil ainda são baixos principalmente no ensino fundamental em relação a média dos países. “O esforço por melhorias aqui precisa ser maior. No ensino superior embora bem abaixo também da média, os gastos se aproximam mais da média dos países avaliados.”


A pesquisa mostra, porém, que o Brasil se destaca como um dos países onde houve o maior crescimento da proporção do investimento público voltado para a educação. Em 2012, 17,2% do investimento público total foi destinado para o setor no país. Isso significa que, a cada R$ 100, R$ 17,20 foram para a área. Em 2005, esse percentual era de 13,3% e, entre os 38 países analisados para este recorte, apenas México e Nova Zelândia dedicaram maior proporção do que o Brasil.

Escolaridade

O volume de recursos que o Brasil tem investido nos últimos anos na educação básica demonstra também a escolha do país em priorizar a qualidade no ensino. “Pensar em países menores, em termo de investimento e resultado, não é a mesma coisa que pensar em países continentais. Na década de ‘970, 70% da população era analfabeta. Isto mostra que a gente está avançando, inclusive na escolaridade obrigatória. Melhoramos sim, mas não suficientemente. Ainda assusta perceber que um percentual da população não tem o ensino médio”, analisou Medeiros.


Presidente do Inep, o professor José Francisco Soares compara a educação no país à muralha da China. “Se olharmos para trás, veremos que muito foi feito, mas se olharmos para a frente, veremos que ainda temos muito a fazer”, analisou. Outro gráfico do estudo aponta que, em relação à remuneração por escolaridade, o Brasil está entre os que melhor remuneram profissionais com nível superior completo, ficando entre Chile e Colômbia. A justificativa está no baixo número de formados. “O Brasil só perde para o Chile na discrepância de escolaridade recebendo maiores remunerações. A gente está diante de resultados bastante interessantes que vão obrigar o estado a pensar políticas de onde quer estar nos próximos dez anos”, diz Medeiros.

Em busca da excelência
Divulgado pela primeira vez no Brasil, é um estudo anual que apresenta dados sobre a estrutura, o financiamento e o desempenho de sistemas educacionais de países membros da organização, além de nações parceiras e integrantes do G20. O objetivo é traçar uma visão geral dos sistemas educacionais desses países e possibilitar aos gestores a comparação internacional de aspectos de políticas nessa área, além de fomentar a reflexão sobre os esforços empreendidos no setor.


Palavra de especialista

Uma lista de prioridades


Sabemos que a qualidade do ensino brasileiro de modo geral não é boa, podemos dizer que é apenas mediana, embora o Brasil seja a sétima potência mundial. Hoje vivemos uma grave crise econômica, mas vale ressaltar que o Brasil, entre 2003 e 2012, melhorou os recursos educacionais de suas escolas em 0,63 no índice do Pisa de qualidade dos recursos educacionais das escolas, um dos maiores aumentos entre todos os países e economias participantes.


Com relação aos gastos anuais por aluno na educação inicial do ensino fundamental, enquanto países como Luxemburgo e Suécia gastam US$ 20 mil e US$ 14 mil, respectivamente, o Brasil gasta apenas US$ 3 mil e a média dos países analisados é de US$ 8 mil. Como percebemos pelos dados, os gastos com educação no Brasil ainda são baixos, principalmente no ensino fundamental em relação à média dos países. O esforço por melhorias aqui precisa ser maior. No ensino superior, embora bem abaixo também da média, os gastos se aproximam da média.


Sabemos que os desafios da educação brasileira ainda são enormes e penso que são fundamentais: aumento de gastos com educação, melhor qualificação e valorização dos educadores e dos cursos de licenciatura, melhorias nas estruturas físicas das escolas e, principalmente, um sistema eficiente de controle de qualidade do ensino em todos os níveis. Isso precisa muito ser aprimorado.

Vivina Rios Balbino, mestre em educação e professora da Universidade Federal do Ceará